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Correio Braziliense

Sem comprar lados, candidatos tentam conquistar categorias específicas

Em discurso, no entanto, arriscam estratégias para não comprometer os concorrentes do mesmo setor


postado em 11/09/2018 06:00 / atualizado em 10/09/2018 23:53

Palácio do Buriti(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Palácio do Buriti (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Em um cenário político em que os quatro primeiros colocados na corrida pelo Palácio do Buriti aparecem com pouca diferença nas pesquisas de intenção de voto, cada eleitor conta. Por isso, os postulantes ao Governo do Distrito Federal passam a dialogar não só com as multidões, mas também com categorias específicas. A dificuldade, no entanto, é fazer promessas para um determinado grupo sem comprometer o diálogo com outros parecidos.

O deputado federal licenciado Alberto Fraga (DEM), por exemplo, encontrou-se ontem com taxistas e ouviu pedidos de uma regulamentação mais rígida para os aplicativos de transporte, como Uber e 99. O democrata tentou não comprar lados, prometeu cumprir a solicitação dos permissionários, mas afirmou que os taxistas têm de entender que os aplicativos de transporte são uma realidade. “Nós vamos estabelecer concorrência justa entre táxi e aplicativos. Não podemos ter 25 mil carros de aplicativo na cidade. Vamos criar regras para que todos possam conviver”, explicou. Fraga sinalizou que, caso seja eleito, está aberto a utilizar táxis no lugar de carros da frota oficial do GDF em uma tentativa para ajudar a melhorar a situação.

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) fez campanha com uma categoria que tem boa relação: os catadores de lixo. Foi recebido com aplausos em uma reunião com cinco cooperativas, na qual afirmou ter sido “o primeiro governador a olhar pelos catadores”. O candidato à reeleição defendeu que toda coleta seletiva do DF seja feita por catadores de cooperativas. Segundo ele, pesquisa da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) mostra que, para a população, a limpeza urbana é mais benfeita pela cooperativa do que pelas empresas contratadas pelo Executivo local.

Para Rollemberg, a mudança ajudaria a distribuir melhor a renda no Distrito Federal. “Isso vai garantir uma cidade limpa, um meio ambiente equilibrado e que os catadores tenham uma vida digna, condições de educarem seus filhos de forma adequada e possam, cada vez mais, assumir um protagonismo em nossas cidades”, concluiu.

Promessas

O postulante ao Buriti pelo PSD, Rogério Rosso, focou a agenda em encontros com os servidores públicos, aos quais prometeu reajuste para mais de 30 categorias. O deputado federal licenciado assinou um termo de compromisso e disse aos servidores que vai triplicar o valor pago mensalmente para a quitação do débito, que alcança, nas contas do GDF, R$ 500 milhões. Mesmo assim, Rosso prometeu que não haverá ônus e que espera fazer os pagamentos sem aumentar impostos.

A ex-distrital Eliana Pedrosa também reafirmou propostas. Em caminhada pela comércio da 715 Norte, a concorrente ao Buriti pelo Pros comprometeu-se a ampliar o número e a frequência de linhas de ônibus na região, além de levar o sistema de metrô à Asa Norte até o terceiro ano de governo.

O candidato do PT, Júlio Miragaya, participou de evento no Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias (Sindpen-DF), onde criticou o tamanho da população carcerária do Brasil. “A criminalidade é resultado de uma sociedade desigual, e nós precisamos trabalhar muito para diminuirmos essas condições”. Fátima Sousa (PSol) não teve agenda pública ontem.

* Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer

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