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Correio Braziliense

Grupo criminoso faturou R$ 500 mil com cargas roubadas de caminhões

Operação Pullum foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (12/9) e cumpriu 13 mandados de prisão. Criminosos aliciavam funcionários das empresas para receber informações como a rota dos caminhões, o valor da carga e o horário de entrega


postado em 12/09/2018 16:11 / atualizado em 12/09/2018 16:11

Marco Aurélio Vergilio de Souza foi o responsável pela investigação(foto: Erika Manhatys/CB/D.A Press)
Marco Aurélio Vergilio de Souza foi o responsável pela investigação (foto: Erika Manhatys/CB/D.A Press)
Articulado e organizado, um grupo criminoso especializado em roubo de cargas foi alvo do cumprimento de 13 mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão na Operação Pullum, conduzida pela Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), da Polícia Civil (PCDF).
 
Os criminosos eram liderados, segundo a polícia, por Bruno Alessandro Soares, que teve prisão preventiva decretada. Ele é o responsável pelo planejamento dos roubos, pela negociação dos produtos roubados e também é o proprietário das armas de fogo utilizadas durante as abordagens.  

Entre os outros 12 investigados, destacam-se Isaac Lincoln Evangelista, considerado o braço-direito de Bruno, responsável pelo aliciamento dos funcionários das empresas vítimas dos roubos, e Erinaldon dos Santos, que atuava diretamente na execução dos roubos e na venda das cargas. Na hierarquia, ambos ficam abaixo do líder e acima dos demais integrantes, uma vez que obtém vantagens patrimoniais com as práticas ilícitas. 

Segundo as investigações da PCDF, o grupo aliciava funcionários das empresas vítimas para receber informações que facilitavam a ação criminosa, como a rota dos caminhões, o valor da carga, o horário de entrega e se o veículo tinha sistema de rastreamento.
 
Esse é o caso de Pedro Gabriel Souza Galdino, conhecido como "Montanha", ele trabalhava na empresa Souza Cruz e informava o restante do grupo sobre as cargas que seriam entregues. Ele foi preso na manhã de hoje, em seu local de trabalho. Outros dois funcionários da empresa também estão envolvidos. Os três foram responsáveis pela informação de três ocorrências de roubo da carga de cigarros da Souza Cruz.

De posse dessas informações, os participantes ativos na ação utilizavam carros frutos de roubo, máscaras, luvas cirúrgicas e óculos escuros para não serem identificados. Na linha de frente atuavam, além de Erinaldon, Francisco Ubiratan Maia Chaves, conhecido como "Ben 10", Thiago da Silva Nunes, vulgo "Smigle", Pedro Henrique Souza de Oliveira, Márcio Dias do Nascimento, Daniel Pereira Marques e Alexandre Ferreira Lima. 

Em quatro meses de investigação, o grupo atuou em seis roubos, três contra a empresa de cigarros, dois na Asa Norte e um no Gama, um contra um carregamento de pneus, em Santa Maria, e um contra uma empresa agropecuária, receptando o dinheiro da venda da mercadoria entregue. Hoje, foram cumpridas 11 ordens de prisão - 10 integrantes do grupo e um funcionário da agropecuária que facilitou a ação da organização.
 
Criminosos já tinham uma agenda de distribuição das mercadorias(foto: Erika Manhatys/CB/D.A Press)
Criminosos já tinham uma agenda de distribuição das mercadorias (foto: Erika Manhatys/CB/D.A Press)
 
Além dos participantes ativos, a PCDF investiga outras pessoas envolvidas nos crimes. Existem atravessadores que auxiliavam na negociação dos produtos roubados junto a pequenos comerciantes. A mercadoria era repassada entre 50% e 60% do valor real declarado em nota fiscal.

O responsável pela investigação, Marco Aurélio Vergilio de Souza, coordenador da Corpatri, estima que o valor obtido com os roubos supere R$ 500 mil. "Hoje, apreendemos uma parte da carga de cigarros em uma distribuidora de bebidas, em Planaltina. Eles já tinham uma agenda certa de distribuição da mercadoria, por isso não precisavam estocar as cargas roubadas."

O coordenador ressalta que o Distrito Federal tem sido frequentemente vítima de grupos criminosos. "A prática criminosa de organizações está se espalhando pelo DF e Entorno. Somente neste ano, a Polícia Civil desarticulou quatro grupos que atuavam ativamente na capital, fato que representa uma grave ameaça à população", afirma Marco.

Os investigados responderão por integrar organização criminosa, com penas que variam de 4 a 10 anos de reclusão, podendo ser aumentadas em dois terços pelo uso de armas de fogo. 

A operação recebeu o nome "pullum", por se tratar de uma gíria utilizada pelos membros da organização. A expressão é original do latim e significa "frango".
 
* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer 

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