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Correio Braziliense

Com campanha pulverizada, segundo turno no DF é quase certo

Cientistas políticos avaliam que, para crescer, candidatos devem focar em questões sensíveis, como saúde e segurança pública


postado em 13/09/2018 06:00 / atualizado em 13/09/2018 00:54

Eliana Pedrosa (Pros): 19,1%(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
Eliana Pedrosa (Pros): 19,1% (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
 
A pesquisa de intenção de votos para o Palácio do Buriti publicada ontem pelo Correio revela um jogo embolado e ainda aberto para alterações, na visão de especialistas. Cientistas políticos avaliam que, para crescer, candidatos devem focar em questões sensíveis, sobre as quais a população almeje mudanças e melhorias, como saúde e segurança pública. Para eles, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) tem o grande desafio de superar a rejeição, que chega a 64,2%.

Alberto Fraga (DEM): 13,2%(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Alberto Fraga (DEM): 13,2% (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
 
Conforme os especialistas, os números do levantamento do Instituto Opinião Política mostram a tendência de que deve haver segundo turno nas eleições do DF, mas é difícil precisar quem estaria nele. Eliana Pedrosa (Pros) lidera a disputa com 19,1% dos votos. Em segundo lugar, está Alberto Fraga (DEM) com 13,2%, seguido por Rollemberg, com 12,1%. Rogério Rosso (PSD) ocupa a quarta colocação, com 10,1%.

Rodrigo Rollemberg (PSB): 12,1%(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Rodrigo Rollemberg (PSB): 12,1% (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 
Segundo o cientista político e especialista em políticas públicas pela Universidade de Brasília (UnB) Emerson Masullo, os candidatos que lideram a pesquisa estão apostando nas áreas em que o eleitorado demonstra interesse. A estratégia, para ele, tende a ser eficaz para a ascensão entre os eleitores. “São concorrentes que estão falando o que a população quer ouvir. Muitos focam na questão da segurança pública, que é um problema sério hoje; outros adotam o discurso da família tradicional, já que o eleitorado tende a ser mais conservador”, avalia. “O que vai decidir são as estratégias de campanha e a capacidade que cada um vai ter para afinar o discurso”, ressalta.
 
Rogério Rosso (PSD): 10,1%(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Rogério Rosso (PSD): 10,1% (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
 

Desafio

O cenário não é positivo para o atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB), na avaliação do cientista político Creomar de Souza, da Universidade Católica de Brasília (UCB). “O crescimento dele está estagnado”, observa. Se, apesar disso, o socialista conseguir chegar ao segundo turno, terá dificuldades. “Quem desse grupo ligado ao Roriz — Eliana, Rosso e Fraga — entrar no segundo turno vai ter uma grande vantagem estratégica, porque a tendência é de que os outros candidatos venham juntos”, analisa.
 
Ibaneis Rocha (MDB): 7%(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Ibaneis Rocha (MDB): 7% (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Para o cientista político e professor da UnB Ricardo Caldas, o governador terá um grande desafio pela frente. “Há um desejo do eleitor do DF em ver mudança. Isso explica porque os dois primeiros colocados na pesquisa são oposição. Ele precisa fazer um trabalho de convencimento, que é difícil de dar certo em três semanas.”
 
Alexandre Guerra (Novo): 3%(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Alexandre Guerra (Novo): 3% (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )

 
Caldas avalia ainda o crescimento de Eliana Pedrosa. Ela, para o professor, absorveu de maneira mais direta o eleitorado de Jofran Frejat (PR), que liderava as pesquisas quando desistiu da candidatura. Fraga também se aproveitou da rejeição de Rollemberg, de acordo com Caldas. “Muita gente dava como uma candidatura sem perspectiva, lançada de última hora, mas ele soube reverter isso.”
 
Júlio Miragaya (PT): 3%(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Júlio Miragaya (PT): 3% (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
 

Indefinição

Apesar do descolamento da líder Eliana Pedrosa (Pros) dos outros candidatos, Creomar de Souza avalia que até a liderança pode mudar. “Mesmo a Eliana, que é líder, não chega a 20% do eleitorado. Todos os candidatos têm uma rejeição consideravelmente alta”, afirma. O fato de três dos quatro primeiros colocados — Eliana Pedrosa, Rosso e Alberto Fraga — terem raízes políticas no grupo dos ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda (PR) complica ainda mais a questão, para Creomar. O crescimento de qualquer um deles pode ter impacto negativo para os outros.
 
Fátima Sousa (PSol): 2,9%(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Fátima Sousa (PSol): 2,9% (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
 
 
A subida de Fraga, para o cientista político, também está relacionada com o desempenho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), a quem Fraga declarou apoio mesmo sendo da coligação de Geraldo Alckmin (PSDB). O democrata aparece na segunda colocação, com 13,2%. No primeiro levantamento, divulgado em 16 de agosto, ele estava na quarta colocação. A pesquisa mostra que Bolsonaro lidera com folga no Distrito Federal. O candidato ao Planalto aparece com 34,8% das intenções de voto. O índice é mais do que o dobro do segundo colocado, Ciro Gomes (PDT), que teve 14,9% das menções no levantamento.
 
Paulo Chagas (PRP): 2,5%(foto: Arthur Menescal/CB/D.A Press)
Paulo Chagas (PRP): 2,5% (foto: Arthur Menescal/CB/D.A Press)
 
Antônio Guillen (PSTU): 0,2%(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
Antônio Guillen (PSTU): 0,2% (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
 

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