Publicidade

Correio Braziliense

Advogado de religiosos manda promotor calar a boca em Formosa

A segunda audiência de instrução e julgamento ocorreu nesta quinta-feira (13/9). Onze réus são acusados de faturar mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica


postado em 13/09/2018 15:58 / atualizado em 13/09/2018 15:58

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 

A segunda audiência dos réus acusados de desviar mais de R$ 2 milhões dos cofres da Diocese de Formosa foi marcada por discussões entre os defensores e os promotores do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO). Em um momento da audiência, o advogado Bruno Espineira Lemos, à frente da defesa de cinco réus, gritou para que o promotor do MPGO, Douglas Chegury, à frente das investigações, calasse a boca quando ele tentou contestar uma colocação do advogado à testemunha de acusação. Em seguida, o clima esquentou e as partes discutiram. 

 

Douglas pediu respeito e educação ao defensor, que o acusou de ser midiático. Em resposta, o promotor alegou que “conhecia a reputação do advogado”. A discussão se desencadeou quando Bruno comunicou ao juiz, Fernando Oliveira Samuel, que a conduta do MPGO estaria às margens da lei e afirmou ter sido professor da própria testemunha. Em contestação, Douglas afirmou que a audiência não seria sala de aula, irritando o advogado. Por fim, ele falou que “faltava fé” ao promotor. 

 

Nesta quinta-feira (13/9), a Justiça recebeu o advogado Vilton Gonzaga, testemunha de acusação do caso. Ele foi contratado por fiéis da igreja para levar a denúncia ao Ministério Público goiano e assim desencadear a operação. Inicialmente, o padre Darci Neres da Rocha também seria interrogado. No entanto, os defensores solicitaram ao juiz que ele não fosse escutado por falta de material apresentado pelo MPGO. Fernando acatou o pedido dos defensores e dispensou Darci. 

 

A audiência começou por volta das 8h30 e terminou após cinco horas. A próxima sessão está marcada para 11 de outubro e receberá as testemunhas de defesa. 

 

Ameaças de morte e mais desvios 

 

O advogado Vilton Gonzaga contou durante audiência que, quando foi procurado pelos leigos para elaborar a denúncia ao Ministério Público, eles temiam pela própria vida. De acordo com ele, o bispo dom José Ronaldo Ribeiro, um dos investigados por participar do esquema, tinha “filhos” envolvidos em crimes, como tráfico de drogas e homicídio, que estariam ameaçando pessoas contrárias à suposta organização criminosa. 

 

Vilton também revelou que a taxa de crisma, paga pelos jovens e encaminhada à Mitra Diocesana também estaria sendo desviada. “Antigamente, o dinheiro era aplicado em ações sociais na Diocese. Porém, no conselho dos padres, o bispo (dom José) disse que ficaria com o dinheiro”, contou. De acordo com ele, o lucro seria de R$ 70 mil a R$ 80 mil por ano. 

 

Outro ponto destacado pela testemunha foi o livro contábil da Cúria de Formosa. De acordo com ele, o responsável pelas finanças do local o teria procurado para informar que havia gastos não justificados. “Eu falei para ele que isso era crime, que toda entrada e saída de dinheiro precisa ser justificada”, disse. 

 

Operação Caifás 

 

Deflagrada em 19 de março, a Operação Caifás, a cargo do Ministério Público do Estado de Goiás, investiga 11 pessoas por desvios de mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica. A suspeita é de que eles tenham adquirido propriedades, veículos e joias com dinheiro faturado de casamentos, batizados e eventos promovidos pelas paróquias. 

 

Assim que a operação foi deflagrada, nove dos acusados permaneceram presos por quase 30 dias, mas, na terceira tentativa, conseguiram habeas corpus impetrado no TJGO. Eles respondem por apropriação indébita, associação criminosa e alguns por lavagem de dinheiro. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade