Cidades

7% dos eleitores não sabem quem eleger para o GDF, diz pesquisa do Correio

Pesquisa encomendada pelo Correio mostra que, de forma estimulada, 7% dos eleitores ouvidos não sabem em quem votar para o GDF. Em uma disputa pulverizada, são quase 148 mil votos capazes de determinar o vencedor

Ana Viriato
postado em 15/09/2018 07:00
 (foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
Ilustração de homem pensativo sentado em cima de urna eletrônica
Em uma das mais imprevisíveis eleições do Distrito Federal, cada voto pode ser decisivo. Para alavancar as candidaturas, os 10 concorrentes ao Palácio do Buriti têm um campo a explorar nas próximas três semanas. Encomendada pelo Correio Braziliense e realizada pelo Instituto Opinião Política entre 7 e 10 de setembro, pesquisa estimulada mostra que 7,1% dos entrevistados não decidiram quem apoiar. Dada a projeção da amostra, pelo menos 147.990 mil eleitores mostram-se indecisos e abertos ao convencimento ; no total, há 2,08 milhões de pessoas aptas a votar no pleito. Com a disputa acirrada, a definição do posicionamento desse grupo pode modificar o quadro atual, desempatar o jogo e determinar quais candidatos vão para o segundo turno, dado como certo por cientistas políticos.

Conforme a pesquisa, divulgada na última quarta-feira, Eliana Pedrosa (Pros) lidera a corrida ao GDF, com 19,1% das intenções de voto. Empatados tecnicamente, disputam a segunda colocação Alberto Fraga (DEM), que alcançou 13,2%; Rodrigo Rollemberg (PSB); com 12,1%; e Rogério Rosso (PSD), com 10,1%. O advogado Ibaneis Rocha (MDB) corre por fora, graças à preferência de 7% do eleitorado. O cenário nunca foi tão embolado na capital.


Conexão

Apesar do alto número de indecisos, o índice caiu desde a pesquisa espontânea do Instituto Opinião Política, realizada entre 10 e 13 de agosto, e divulgada pelo Correio no dia 16 daquele mês, quando 12,8% dos entrevistados não sabiam em quem votar. Outro dado chama a atenção: o percentual de eleitores que declararam voto branco ou nulo despencou de 32,9% para 19,1% ; a condição mostra que esse grupo também pode ser convencido a repensar a decisão e escolher uma candidatura.

Também caiu de 51,3% para 41,7% o número de eleitores com pouco ou nenhum interesse nas eleições. O percentual dos brasilienses com médio ou muito interesse saltou de 46,6% para 57,2%. Conforme especialistas, o índice de atenção deve subir nas próximas semanas e, consequentemente, o de indecisão cair. ;Haverá um gatilho. A tendência é de que os concorrentes à Câmara Legislativa passem a fazer uma conexão mais forte entre as bases eleitorais e os candidatos ao GDF da coligação. Estima-se, ainda, ativação em grupos fortes, como de igrejas e sindicatos. Com isso, a campanha ganha corpo e envolve a população;, projeta o cientista político Leonardo Barreto.


Espontânea

Na pesquisa espontânea ; em que os entrevistados mencionam nomes voluntariamente ;, o nível de indecisos é maior: 39,3%. Nesse formato, Pedrosa lidera com 9,2%. No segundo lugar, estão Fraga, com 8,8%; Rollemberg, que atingiu 8,6%; e Rosso, com 8,5%. O número de votos brancos e nulos ficou em 21,1%.

De acordo com especialistas, o encurtamento do período de campanha contribuiu para a dúvida da população. Devido à reforma eleitoral, os candidatos têm 45 dias, em vez de 90, para investir no corpo a corpo. A peregrinação nas ruas, portanto, começou 40 dias mais tarde do que o usual. ;É uma questão de agendamento. Em comparação com o calendário dos pleitos anteriores, demorou mais tempo para que as pessoas tivessem contato com material publicitário, candidatos nas ruas e propaganda eleitoral na tevê e no rádio. Logo, o momento de decidir também é adiado;, pontua Barreto.

O estudioso lembra, ainda, que a escassez de verba impacta o conhecimento do eleitor acerca dos concorrentes. Com a proibição das doações de empresas, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015, as principais fontes de recursos das legendas passaram a ser os fundos Partidário e Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) ; os valores desses caixas são divididos entre os postulantes de todo o país. Além disso, a reforma eleitoral impôs limites legais de gastos às campanhas. As duas condições contribuíram para o barateamento.

No caso dos candidatos ao Palácio do Buriti, o teto de despesas é de R$ 5,6 milhões. Contudo, poucos são aqueles que se aproximam da cifra. Apenas quatro dos 10 concorrentes chegaram à casa do milhão ; concorrente à reeleição, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) é o que mais arrecadou, com R$ 3,04 milhões (veja Arrecadação). ;A falta de recursos diminuiu muito a presença de material publicitário nas ruas. Estamos a 23 dias das eleições e há poucos vestígios. Mal vemos bandeiras, santinhos e adesivos com os rostos de quem disputa o GDF;, avalia Barreto.

Lideranças

O pleito deste ano é atípico, também, em razão da ausência de lideranças. Sem um nome capaz de unir integrantes do mesmo campo político, a capital enfrentará a eleição com o maior número de candidaturas ao Executivo local desde a conquista da autonomia política pelo Distrito Federal, em 1990 ; metade dos concorrentes testará as urnas pela primeira vez. A característica, de acordo com o cientista político Everaldo Moraes, retarda a escolha do eleitorado. ;Brasília sempre viveu do PT versus Joaquim Roriz (sem partido) ou José Roberto Arruda (PR). Portanto, não havia muita dúvida. Com o fim dessa era, temos muitos nomes novos ou de pouca expressão. Não vemos grupos com boa vantagem. Os concorrentes farão um trabalho de formiguinha, conquistando votos aqui e ali;, disse o especialista.

Para os estudiosos, apesar de candidatos do primeiro pelotão terem raízes nas principais escolas políticas da capital, não conseguiram se consolidar como herdeiros dos caciques políticos. Outro ponto a ser levado em consideração é o foco do eleitorado na corrida presidencial, segundo Moraes. ;Com um cenário tão embolado e polêmico como o nacional, poucas são as pessoas que têm dado atenção à disputa local. A tendência é de que, nas próximas semanas, despertem para isso. Mesmo porque os candidatos intensificarão a campanha;, analisou.

Renan Rosa


Por falta de prestação de contas nas últimas eleições, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negou o registro de candidatura do Partido da Causa Operária (PCO), do candidato ao Palácio do Buriti Renan Rosa, na segunda-feira. Com isso, nenhum representante da legenda poderá disputar o pleito no DF. Cabe recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Arrecadação


Confira quanto receberam para a campanha os candidatos ao Buriti

Rodrigo Rollemberg (PSB)

R$ 3.048.188.31

Alberto Fraga (DEM)

R$ 2,020 milhões

Ibaneis (MDB)

R$ 1,8 milhão

Eliana Pedrosa (Pros)

R$ 1.624.940

Rogério Rosso (PSD)

R$ 874.012,84

Miragaya do PT

R$ 390.405

Alexandre Guerra (Novo)

R$ 123.474

Fátima Sousa (PSol)

R$ 80.374,05

General Paulo Chagas (PRP)

R$ 47.750

Guillen (PSTU)

R$ 3.246,93


Quatro perguntas para Carlos André Almeida Machado, diretor de Negócios do Instituto Opinião Política


Carlos André Almeida Machado, diretor de Negócios do Instituto Opinião Política

Há um alto índice de indecisão do eleitorado quanto aos candidatos ao Palácio do Buriti. O percentual pode ser considerado normal?

Já foi maior. É natural que, à medida que o pleito se aproxime, o percentual da resposta ;não sabe avaliar; caia. Na pesquisa espontânea, é normal que as pessoas não lembrem os nomes dos candidatos. A 15 dias da votação, os eleitores passam a prestar mais atenção. Na pesquisa estimulada anterior (divulgada em 16 de agosto), a soma de votos nulos, brancos e indecisos dava em torno de 45%. Agora, caiu para 31%. A redução foi considerável em menos de 30 dias.


A pesquisa divulgada nesta semana indica a formação do segundo turno?

A pesquisa quantitativa é uma fotografia. Temos de tentar olhar para a tendência. Eliana Pedrosa veio numa crescente de 12,1% para 19,1%. Se continuar assim, pode ser que se garanta o segundo turno. Mas não há certeza.
É uma campanha atípica e embolada. Há um quinto candidato aproximando-se do bloco, que cresceu muito: Ibaneis Rocha (MDB) (passou de 1,4% para 7%). Com a continuidade desse ritmo, pode ser que tenhamos Eliana e mais quatro disputando as vagas do segundo turno. A partir de agora, muitas coisas podem ter impacto no quadro: fato novo, desempenho ruim em debate...

O que os candidatos empatados tecnicamente podem fazer para despontar?

Os muito conhecidos e com a maior rejeição terão dificuldade para resolver a equação. É o caso de Rodrigo Rollemberg (PSB). Apesar da diminuição da rejeição, o potencial de votos dele é difícil. Alberto Fraga (DEM), Eliana Pedrosa (Pros) e Rogério Rosso (PSD) têm de 15% a 25% a menos de conhecimento que Rollemberg e uma rejeição menor. Ou seja, detêm melhor potencial de votos. Por fim, Ibaneis é conhecido por duas a cada 10 pessoas; portanto, pode crescer muito. É difícil cravar quem estará no segundo turno.

O índice de interesse da população no pleito tende a aumentar?

É absolutamente normal crescer. Na rodada passada, tínhamos 47% das pessoas com grande ou médio interesse, e esse índice pulou para 58%. Saiu resultado da Datafolha, que mostra que a audiência do horário político foi 15% maior do que em 2014.

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