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Correio Braziliense

Moradores reclamam de insegurança em área tradicional de Taguatinga

Falta de iluminação e de equipamentos de cultura são apontados como principais problemas


postado em 15/09/2018 07:00

Região conhecida por reunir bares e galerias de arte reúne queixas de assaltos, furtos, disparos de arma de fogo e tráfico de drogas (foto: Arthur Menescal/CB/D.A Press - 11/9/18 )
Região conhecida por reunir bares e galerias de arte reúne queixas de assaltos, furtos, disparos de arma de fogo e tráfico de drogas (foto: Arthur Menescal/CB/D.A Press - 11/9/18 )
Comerciantes da Praça da CNF, em Taguatinga Norte, reclamam que o espaço tradicional da cidade se transformou em um local inseguro para frequentadores e trabalhadores da região. Considerado um ponto de entretenimento por causa dos bares temáticos, das apresentações de música e das galerias de arte, a sensação de insegurança tem afastado a frequentadores. Moradores também se queixam de disparos de arma de fogo na rua, assaltos, furtos e até sexo ao ar livre.

Além da ausência de policiamento ostensivo, a população se queixa da falta de iluminação, principalmente à noite, e de pontos malcuidados, pichados e sujos. Proprietário da Galeria Olho de Águia, o fotógrafo Ivaldo Cavalcante Alves, 52 anos, observa que as drogas têm tomado conta do espaço. “Tornou-se uma questão comum nas praças em geral, porque elas se tornaram ambiente de venda de droga e essa é a realidade da Praça CNF. São necessárias políticas públicas para mudança desse cenário”, ressalta.

Para ele, faltam investimentos em espaços culturais. “É importante ter um ambiente onde a juventude possa se reunir, brincar com segurança. Se isso não acontece, o tráfico toma conta. Ao mesmo tempo, vemos traficantes muito novos, já com filhos, que veem nessa atividade uma forma de sustento”, avalia Ivaldo.

Dono do bar Kaixa d’Água, Jaile de Assis Ricardo, 64, conta que, principalmente na madrugada, ocorrem pequenos delitos, como roubos de celulares e venda de droga. “Vemos crianças de 12, 13 anos, comercializando entorpecente 3h, 4h. A polícia até passa, mas não sei como eles não conseguem deter essas pessoas. É um problema social que acaba afugentando as pessoas”, relata.

Jaile reforça que o local precisa de um acompanhamento mais efetivo das autoridades públicas. “A insegurança acaba com qualquer ambiente. Quem sai à noite quer se divertir. Era assim no centro de Taguatinga, mas hoje ninguém mais vai lá, porque se tornou um endereço tomado por usuários de droga, pela prostituição e que acabam sempre ocorrendo pequenos delitos”, lamenta.

Estatísticas criminais da Polícia Militar demonstram que o roubo e furto de veículos ou no interior dos carros são os crimes mais frequentes na Praça da CNF. Balanço realizado no local e na QNF mostra que, em agosto, houve quatro assaltos de carros, seguidos de três ocorrências em julho e uma em junho. Os furtos se mantiveram com três casos em agosto, em julho e em junho.

Apesar da sensação de insegurança, Francisco Ribeiro de Souza, 76 anos, conta que os veículos dos moradores não viram alvo dos ladrões. Ele vive com a família em um edifício de frente à praça desde a inauguração do prédio. Pela janela do apartamento, consegue ver o que acontece embaixo. “É uma baderna, porque a maioria desse pessoal é de fora. Mas carro de morador ninguém ataca. O que acho é que falta uma praça limpa e bem cuidada para isso acabar”, reforça.

Ele confirma que um dos principais problemas do local é o consumo de entorpecentes. “A droga corre solta. Há dois meses, um casal fazia sexo às 2h encostado no meu carro. Vi pela janela, mostrei um cabo de vassoura e os dois saíram correndo, pelados”, conta.

Desafios


Morador há mais de 30 anos de uma casa próximo à praça, Paulo Chagas Ribeiro, 57, destaca que, à noite, com pouca iluminação, ele não anda pela praça. “Quando amanhece, a gente só escuta falar de tiro, briga e assalto relâmpago. O policiamento é escasso. Tinha que passar uma patrulha por aqui ou retornar com a dupla Cosme e Damião”, opina.

Subcomandante do 2º Batalhão da PM (Taguatinga), o capitão Fagner de Oliveira Dias reforça os índices criminais na região é considerado baixo. “Tivemos 20 ocorrências na CNF e na QNF, de um total de 1.886 em toda região de Taguatinga. O único crime que teve um leve aumento foi de roubo de veículos. Vamos articular uma operação contra esse tipo de crime”, garante.

Uma das reclamações recorrentes entre moradores e comerciantes é a retirada de um posto da Polícia Militar do local, ocorrida em 2016. Na avaliação do subcomandante, no entanto, a sensação de insegurança passa por outros aspectos. “A sensação de segurança para as pessoas que conviviam com um posto policial pode ser até diferente, mas esse sentimento envolve outras áreas, como iluminação e limpeza”, explica.

Ele confirma que o atendimento policial da área é mantido conforme os resultados das manchas criminais. “Fazemos a patrulha na região com viaturas, motos e homens do Grupamento Tático Operacional (Gtop)”, detalha. Diz, ainda, que à época da idealização dos postos policiais, imaginou-se um efetivo de 18 a 20 mil militares. “Hoje, na última contagem, tínhamos menos de 11 mil. O posto se revelou ineficiente.”

Por e-mail, a Administração de Taguatinga informou que a Praça da CNF consta no cronograma para ser revitalizada. Na ação, está programada a instalação de iluminação LED. Não detalhou, porém, qual a previsão para isso acontecer.

Movimento em baixa

Silvio Abadia, dono de hamburgueria, teve 19 televisores furtados (foto: Silvio Abadia, dono de hamburgueria, teve 19 televisores furtados )
Silvio Abadia, dono de hamburgueria, teve 19 televisores furtados (foto: Silvio Abadia, dono de hamburgueria, teve 19 televisores furtados )
Matheus Ribeiro, 38 anos, avalia que a sensação de insegurança acaba diminuindo o movimento na praça. Dono do Isso aqui é DF Cozinha Bar há dois anos, o empresário percebe brigas e pequenos furtos como as principais ocorrências após a retirada do posto policial. “Quando tinha a estrutura aqui, inibia um pouco a atividade criminosa. A falta de policiamento é o principal fator para a sensação de violência, porque essas pessoas se sentem mais corajosas. Esse tipo de problema sempre existiu, mas tem aumentado e acaba que o local vai ficando esquecido”, lamenta.

Três meses após a retirada do posto policial da Praça CNF, ladrões furtaram a hamburgueria de Silvio Abadia, 49 anos. Os suspeitos levaram 19 televisores e diversos equipamentos eletroeletrônicos. “As câmeras mostraram que eles fizeram três viagens para colocar tudo no carro. Perdemos R$ 30 mil. Aqui, o comércio de droga é forte e acaba que uma coisa leva a outra. Antes, a presença da polícia intimidava. Hoje, a insegurança acabou. Fecho a loja por volta de 1h e todos os funcionários esperam para sair juntos, por medo.”

Nem o templo para celebração de cultos evangélicos escapa da violência. Por duas vezes, a igreja foi arrombada. Para evitar prejuízos, as pastoras da comunidade investiram em grades de ferro. A estrutura custou R$ 1,8 mil. Até o fim do ano, elas planejam instalar câmeras de segurança. “Tem assalto, briga de jovem, tiroteio à noite. Há meses retiraram as quatro rodas de um dos carros. Falta segurança”, reclama uma das pastoras de 60 anos que, por medo, prefere não ser identificada.

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