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Correio Braziliense

Capital recebe a 51ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

51ª edição do mais tradicional evento do cinema brasileiro começa com a marca da contemporaneidade e reafirma a vocação cultural da capital do país


postado em 15/09/2018 07:00 / atualizado em 15/09/2018 09:20

Festival traz curadoria refinada e contemporaneidade nos mais de 140 títulos exibidos nos próximos 10 dias (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Festival traz curadoria refinada e contemporaneidade nos mais de 140 títulos exibidos nos próximos 10 dias (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Sem grandes celebridades, mas com uma curadoria refinada e contemporânea, o 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro mantém a pegada como o mais tradicional evento de audiovisual do país.

“A expectativa é a melhor possível para todo o festival, conseguimos reunir uma praça (de convivência) que agrega. É um grande ponto de encontro da sociedade. Estamos reafirmando nosso compromisso com a cultura. Forças conservadoras dizem que não é nossa prioridade, mas, aqui reafirmamos que estamos no caminho certo. Que a cultura melhora e revela sempre o melhor da gente”, disse o governador Rodrigo Rollemberg.
 
Para o cineasta Vladimir Carvalho, o festival mantém a tradição de estar conectado com a realidade política brasileira. “Essa inciativa de selecionar filmes é saudável, pois tem a ver com o momento do país. A gente tem de se felicitar por ter um festival desse porte”, celebrou o diretor de Meteorango Kid – O herói intergaláctico, vencedor do prêmio concedido pelo público no Festival de Brasília em 1969.
 
O diretor André Luiz Oliveira também elogiou a estrutura do evento, principalmente a nova praça de convivência. "O festival vem mudando de paradigma nos últimos anos. Não tem mais aquele glamour do tapete vermelho e isso tudo é muito bom, pois dá uma arejada, com a nova praça de convivência, assim como a curadoria do festival, que está mais atual", avaliou.
 
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
 
Mais de 140 títulos serão exibidos nos 10 dias de programação. O filme de abertura foi a ficção política Domingo. Dirigido por Clara Linhart e Fellipe Barbosa, a obra foi elogiadíssima no recente Festival de Veneza. Antes do longa, houve projeção do curta-documentário Imaginário, de Cristiano Burlan.

Apesar da confusão causada pelas obras no metrô, próximas ao Cine Brasília, os 607 lugares da sala estavam tomados para assistir à cerimônia comandada por Letícia Sabatella e Chico Diaz. Durante o evento, a medalha Paulo Emílio Salles Gomes, destinada a figuras que de alguma forma marcaram o cinema nacional, foi concedida a duas personalidades do audiovisual: os pesquisadores de cinema Ismail Xavier e Walter Mello. Criada em 2016, o crítico e ator Jean-Claude Bernardet foi o primeiro a recebê-la, no ano seguinte. O diretor Nelson Pereira dos Santos, também foi homenageado.

O Prêmio Leila Diniz, criado este ano, ficou para Íttala Nandi e Cristina Amaral. O troféu foi lançado para homenagear mulheres importantes da história do cinema brasileiro. Íttala Nandi também aprensentou o filme de abertura, Domingo, ao lado dos realizadores. O longa rendeu a centelha inicial de abordagem política esperada pelo festival, uma vez que a narrativa aborda indiretamente o primeiro ano do governo Lula, em 2003, centrando o mote nos bastidores de família gaúcha.

140 filmes em 10 dias

A mostra competitiva começa hoje, além das paralelas. Destaque também para a Mostra Brasília. Além da sala do Cine Brasília, haverá exibição simultânea dos longas que disputam os troféus Candango em São Sebastião, Riacho Fundo, Sobradinho e Taguatinga.

Este ano, o festival sofreu leve recuo no número de inscrições: foram submetidas 724 para a mostra competitiva, contra 778 no ano passado — número recorde. Ao todo, 21 obras foram selecionadas — nove longas e 12 curtas.

Assim como no ano anterior, todos os filmes escolhidos para a mostra competitiva dividirão montante de R$ 340 mil. Longas-metragens recebem R$ 15 mil, os curtas-metragens recebem R$ 5 mil, filmes hors concours, projetados na abertura e no encerramento, ficam com R$ 10 mil. No próximo dia 23, o júri oficial definirá os vencedores de 22 categorias entre curtas e longas-metragens, incluindo vencedor do Troféu Candango para melhor filme. A produção escolhida pelo júri popular conquistará R$ 200 mil em contratos de distribuição.


Prêmio Saruê

Desde 1996, a editoria de Cultura do Correio Braziliense premia o melhor momento do festival com o Saruê. Diferente a cada ano, a honraria é produzida pelo artista plástico Francisco Galeno, que confecciona esculturas originais. Na última edição o curta-documentário Afronte, dirigido pelos então universitários Bruno Victor e Marcus Azevedo, foi eleito vencedor. O filme apresenta o processo de empoderamento de jovens negros, homossexuais e periféricos.

Uma revolucionária

(foto: Arquivo CB/D.A Press)
(foto: Arquivo CB/D.A Press)
 
Com posições consideradas ousadas e à frente de seu tempo, Leila Diniz contestava o machismo e o empoderamento da mulher nas entrevistas que concedia. A atriz marcou presença nas primeiras edições do festival. Esteve na 2ª Semana do Cinema Brasileiro, em 1966 (como era chamado o festival até 1967), ocasião em que recebeu menção honrosa pela participação no longa Todas as mulheres do mundo, dirigido por Domingos de Oliveira. Morreu em 1972, num acidente de avião em Nova Déli.

Espaço para interação com o Correio

O stand do Correio conta com um lounge. Um espaço de convivência e entrevistas com as estrelas da festa. É nele que atrizes, atores e diretores revelam bastidores das produções exibidas nas telas. 
 
*Estagiário sob supervisão de José Carlos Vieira 
 

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