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Correio Braziliense

Comerciantes reclamam das visitas de presidenciáveis na Feira de Ceilândia

Segundo os feirantes, candidatos fazem promessas e, depois, desaparecem. Além disso, visitas geram tumulto e não ajudam as vendas


postado em 15/09/2018 13:40 / atualizado em 15/09/2018 13:47

Verônica vende frutas há 33 anos na feira: 'Na hora de pedir votos, é uma coisa linda'(foto: Marcelo Ferreira/CB)
Verônica vende frutas há 33 anos na feira: 'Na hora de pedir votos, é uma coisa linda' (foto: Marcelo Ferreira/CB)
A presença constante dos candidatos à Presidência da República na Feira da Ceilândia tem gerado revolta entre os comerciantes do lugar. Segundo os feirantes, os políticos só aparecem na época da eleição e, depois, somem e pouco fazem para melhorar a situação do tradicional centro de vendas do Distrito Federal. 

"Na hora de pedir votos, é uma coisa linda. Fazem promessas, escutam nossos pedidos, mas nada muda nessa história. Depois, nem os de Brasília vêm à feira, quanto mais os de fora", diz Verônica Cavalvante, 54 anos, expressando o que muitos de seus colegas pensam. Ela trabalha vendendo frutas no local há 33 anos. "Isso sempre foi assim. Candidatos vêm nas áreas pobres, conseguem apoio, não cumprem as promessas e somem."

Alguns dos principais nomes que disputam o Planalto já usaram a feira como palco de comícios e passeatas este ano. Já estiveram no local Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). Neste sábado (15/9), foi a vez de Guilherme Boulos (Psol). O candidato, que tem dois outros compromissos na agenda, fez panfletagem no fim da manhã e aproveitou para falar com eleitores. Ouviu as demandas e fez uma espécie de caminhada em volta da feira.

Segundo as últimas pesquisas, Boulos tem 1% das intenções de voto, muito distante dos três mais bem colocados, segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (14/9), segundo a qual Jair Bolsonaro (PSL) tem 26% e Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT) têm 13%.

"É chato"
 
'Só causa tumulto', diz Alex(foto: Marcelo Ferreira/CB)
'Só causa tumulto', diz Alex (foto: Marcelo Ferreira/CB)
Além do fato de os candidatos não voltarem à feira depois da campanha, os comerciantes reclamam que as visitas atrapalham a dinâmica do local. "Essas visitas não resolvem nada. Não refletem nem nas vendas. Quando os caras vêm aqui, só causa mais tumulto mesmo", protesta Alex de Macedo, 18 anos. Segundo o jovem, quando os candidatos chegam, os corredores ficam abarrotados de gente e bandeiras. "É muito chato", diz.

A Feira de Ceilândia é um dos pontos de maior aglomeração de gente em um dos maiores colégios eleitorais do DF. Além disso, a região administrativa concentra um grande índice de pessoas oriundas do Nordeste. Muitos candidatos que tentam crescer na região passam pela feira na esperança de conquistar eleitores que, depois, farão campanha entre os parentes.

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