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Correio Braziliense

Concorrentes ao GDF investem mais na televisão e no corpo a corpo

Métodos mais atuais, como o patrocínio de postagens nas redes sociais, ficam em segundo plano


postado em 16/09/2018 08:00 / atualizado em 15/09/2018 19:18

Eliana Pedrosa (Pros)(foto: Alisson Carvalho/Assessoria Eliana Pedrosa)
Eliana Pedrosa (Pros) (foto: Alisson Carvalho/Assessoria Eliana Pedrosa)
Mesmo com as novas possibilidades de propaganda na internet e nas redes sociais, os métodos tradicionais de fazer política ainda dominam as campanhas dos candidatos ao Governo do Distrito Federal. Programas de televisão e de rádio, caminhadas, corpo a corpo e panfletagem são o foco dos gastos e dos esforços dos concorrentes ao Buriti, para convencer o eleitor em um pleito com prazo e orçamento mais apertados.

Para o cientista político e especialista em políticas públicas pela Universidade de Brasília (UnB) Emerson Masullo, a preferência pelo modo tradicional de fazer campanha tem a ver com as experiências anteriores dos políticos. “Muitos desses candidatos ainda não estão acostumados com a dimensão e a amplitude das redes sociais, então, eles optam por privilegiar a maneira mais conhecida, como corpo a corpo, tevê e panfletagem”, explica. “Outra questão é que temos mais candidatos numa faixa etária com menos intimidade com as redes sociais. Naturalmente, eles vão pender para os meios tradicionais”, completa.

A opção, na visão do cientista político, é arriscada. Deixar em segundo plano o potencial da internet, segundo Masullo, significa perder oportunidades de economizar recursos e atingir mais eleitores. “Se eu tenho veículos que são mais baratos e têm grande penetração social, por que insistir principalmente em métodos que são mais caros e, às vezes, não têm tanto resultado?”, questiona.

As prestações de contas parciais das campanhas confirmam a tendência de investir mais em modos tradicionais de fazer política. Os custos com impressão de materiais gráficos, gravação de programas eleitorais e contratação de pessoal se destacam, sobretudo nas despesas dos candidatos que apresentaram números mais robustos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O patrocínio de postagens nas redes sociais (que era a aposta de muitos analistas para essas eleições) aparece, por enquanto, apenas nas contas de quatro dos 10 candidatos ao GDF.

O caminho do dinheiro

Nas contas do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), a televisão consome a maior fatia dos gastos: cerca de R$ 1,7 milhão usado para alavancar a campanha do socialista nos programas eleitorais. O número é o mais alto entre os concorrentes ao GDF. Para as redes sociais, o valor é bem mais baixo, são R$ 40 mil destinados para impulsionamento de posts.

O deputado federal Alberto Fraga (DEM) investiu, principalmente, nos métodos tradicionais de campanha. Com o maior tempo de televisão entre os concorrentes a governador, ele gastou R$ 600 mil para a produção dos programas eleitorais. Com “atividades de militância e mobilização de rua”, Fraga usou cerca de R$ 293 mil, além de R$ 205 mil para materiais impressos.

O ex-presidente da OAB-DF Ibaneis Rocha (MDB) também aposta na televisão para conquistar o eleitor e se fazer conhecido. O candidato ao GDF pelo MDB declarou ter gasto até agora R$ 1,8 milhão com a campanha. Do montante, R$ 500 mil foram destinados à produção dos programas para veiculação no horário eleitoral gratuito. O advogado usou R$ 248 mil para pagar cabos eleitorais. Ele foi o candidato que mais dedicou recursos, nas despesas declaradas, para a veiculação de conteúdo na internet. Foram R$ 125 mil para o impulsionamento de postagens.

Os gastos  declarados de Eliana Pedrosa (Pros) até o momento seguem o padrão de investimento nos modos consolidados de fazer campanha, mas a ex-distrital destinou a maior parte da “publicidade por materiais impressos”, com o total de R$ 570 mil para a confecção de adesivos e santinhos para panfletagem. A mobilização de rua também se destaca, Eliana usou R$ 323 mil com cabos eleitorais. Ela ainda não apresentou os números com televisão.

Com cerca de R$ 730 mil de receita, o deputado federal licenciado Rogério Rosso (PSD) utilizou cerca de R$ 43 mil para a produção de programas de tevê e R$ 133 mil para a impressão de material. Rosso dedicou R$ 10 mil para o impulsionamento de postagens nas redes sociais.

Alexandre Guerra (Novo) também declarou custos com propaganda nas redes sociais. O herdeiro da rede de restaurante Giraffas afirma ter despendido R$ 15 mil para o patrocínio de posts. A internet é um dos focos da campanha do empresário, mas, mesmo nesse caso, as despesas com propaganda na tevê e no rádio são maiores. Guerra destinou R$ 22,9 mil para a produção dos programas, ainda que tenha apenas quatro segundos de tempo. Ele desembolsou mais R$ 8,2 mil com materiais gráficos impressos e adesivos.

Parte considerável das despesas declaradas pela candidata do PSol, Fátima Sousa, também foi destinada à impressão de materiais. A professora universitária gastou R$ 5,5 mil com panfletos e adesivos. Para as produções audiovisuais, foram usados R$ 2 mil.

O petista Júlio Miragaya gastou R$ 81 mil com a propaganda na televisão e mais R$ 8 mil com a publicidade com panfletos e santinhos. Antônio Guillen (PSTU) declarou cerca de R$ 3 mil, gastos com locação de imóveis, impressão de materiais e produção de vídeos.

A prestação de contas parcial de Paulo Chagas (PRP) não constava no sistema do TSE até o fechamento desta edição.

O que diz a lei

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estipulou teto de gastos menor para as eleições deste ano, em que o financiamento privado está proibido. No caso dos candidatos ao GDF, o máximo permitido, no primeiro turno, é de R$ 5,6 milhões. O valor é o mesmo para todas as unidades da Federação que têm entre 2 e 4 milhões de eleitores. O DF tem 2.084.356 
pessoas aptas para votar.

Prazos

Confira as datas estipuladas para a prestação de contas final

Até 6 de novembro

Para candidatos que não participarem do segundo turno

Até 17 de novembro

Para os que disputarem o segundo turno

Duas  perguntas para

Creomar de Souza, 
cientista político da Universidade Católica de Brasília (UCB)

Por que, mesmo com as possibilidades da internet, os métodos tradicionais  (como a propaganda na tevê, o corpo a corpo e a panfletagem)  permanecem preferidos pelos candidatos?
Porque estamos falando de um eleitor que está se tornando mais moderno, mas de políticos que, como um todo, ainda estão com software atrasado. Enquanto o cidadão está cada vez mais conectado, a mentalidade da maioria dos políticos ainda está presa à ideia da panfletagem, das estruturas inchadas de dezenas de bandeiras nas ruas. Quando se usa mais a internet, é, em geral, mais pela escassez de recursos do que pela criatividade. Eu acredito que a própria dinâmica de construção do processo eleitoral tem favorecido esse modelo, porque parte dos candidatos ainda não sabe como lidar com esses novos meios.

Os candidatos ainda dão muito valor à propaganda na televisão e  apostam muito nesse modelo de fazer campanha. Por quê?
A tevê é um marcador tradicional das eleições brasileiras. Estamos em um país que se integrou via televisão. Então, ela tem força no inconsciente coletivo e no sentido prático por alcançar muita gente. Nessas eleições, porém, a duração menor do período de propaganda na tevê e esse formato de exibição mais difuso gera incerteza quanto ao impacto que esse meio terá nessas eleições, mas isso só poderá ser medido depois do pleito.
 

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