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Correio Braziliense

PTB lidera total de candidaturas barradas no TRE do Distrito Federal

A Justiça Eleitoral negou 31 candidaturas da legenda, na última segunda-feira, por considerar que a sigla não comprovou, no prazo legal, a filiação dos candidatos


postado em 19/09/2018 06:00

Alírio Neto, presidente do PTB no Distrito Federal:
Alírio Neto, presidente do PTB no Distrito Federal: "Estamos confiantes" (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

O PTB é o partido com o maior número de candidaturas indeferidas — mas pendentes de recursos — deste pleito, conforme relatório do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Dos 83 registros enquadrados nessa condição, 36 são de aspirantes da legenda a vagas na Câmara Legislativa e na Câmara dos Deputados. A recusa provoca impactos financeiros e políticos na corrida eleitoral. Conforme o portal da Corte, 16 dos 36 concorrentes questionados declararam o recebimento de R$ 828,4 mil para as respectivas campanhas. Do total, investiram, até então, R$ 437,5 mil em itens, como a contratação de material publicitário e pagamento de pessoal. Caso o PTB não consiga reverter as decisões, o valor gasto dificilmente seria recuperado.

Presidido regionalmente por Alírio Neto, candidato à Vice-Governadoria na chapa encabeçada por Eliana Pedrosa (Pros), o PTB recorreu ao TSE para mudar o quadro. O TRE negou 31 candidaturas da legenda, na última segunda-feira, por considerar que a sigla não comprovou, no prazo legal, a filiação dos candidatos. Nos demais cinco casos, houve erros pontuais, como a ausência de requisitos para a requisição dos registros.

Entre as campeãs de arrecadação está a astrônoma e candidata a distrital Jaqueline Silva. A petebista, que concorreu em 2006, 2010 e 2014 a uma vaga na Câmara Legislativa, declarou o recebimento de R$ 218.660. Do montante, R$ 155 mil são provenientes de doação do empresário e aspirante a suplente de senador de Izalci Lucas (PSDB), Luis Felipe Belmonte, um dos principais financiadores de campanha deste pleito. A três meses da eleição, Jaqueline gastou R$ 161.794,20. A maior parte da verba foi investida em materiais publicitários impressos, gasolina, alimentação e confecção de bandeiras. Quem também recebeu dinheiro de Belmonte é o delegado Pablo Aguiar: R$ 80 mil.

Candidato a deputado federal, Juraci Tesoura de Ouro acumula R$ 300 mil, valor que investiu na própria campanha. Ele tem, em despesas contratadas, R$ 141.066. O empresário desembolsou R$ 106 mil com adesivos, santinhos, baners e afins. Outros R$ 6 mil foram aplicados à locação de carros e R$ 2.465 à alimentação. Na terceira tentativa por uma vaga na Câmara dos Deputados, Mauro Rogério também integra a lista dos maiores arrecadadores, por contar com R$ 100 mil, montante doado pelo PTB.

Eliana Pedrosa é a cabeça de chapa da coligação: à espera de liminar(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Eliana Pedrosa é a cabeça de chapa da coligação: à espera de liminar (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)


Reflexo político


Sob a ótica política, caso a decisão não seja revertida, o PTB perde 31 dos 48 candidatos a deputado distrital, registrados em uma chapa puro-sangue. Na disputa pela Câmara dos Deputados, a baixa é de quatro dos seis concorrentes da legenda na coalizão Renovar DF, formada, ainda, por PHS, PTC e Patriotas. Sem esses nomes, toda a coligação fica ameaçada. Embora nem todos os concorrentes estejam com os registros negados, o impedimento de tantos aliados inviabiliza a formação de coeficiente eleitoral para a eleição de deputados.

A perda também pode afetar a campanha de Eliana Pedrosa, candidata ao Buriti. “Não quero pensar na possibilidade de perder esses nomes. O PTB acionou o TSE e esperamos que, com a liminar, eles possam voltar às ruas até que o mérito da questão seja decidido”, afirmou. Entre os nomes vetados há políticos que concorreram em outros pleitos e, juntos, somaram mais de 34 mil votos. Ao realizar a campanha, eles pediam às bases apoio para a cabeça de chapa. Em uma das eleições mais concorridas da história do DF, cada voto pode fazer a diferença.

Ao Correio, Alírio Neto afirmou que acredita na reversão do quadro. “No TRE, o placar ficou apertado, em 4x3. Há exemplos que comprovam que a Corte não tem competência para barrar campanhas. Isso fica a cargo do TSE. Além disso, todo o problema se origina em uma falha do programa da Justiça Eleitoral. Estamos confiantes de que os candidatos poderão voltas às ruas”, disse.

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