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Correio Braziliense

Brasilienses distribuem doces para celebrar Dia de Cosme e Damião

Pelas ruas do Distrito Federal, vários devotos, pagando promessa ou não, distribuíram os doces às crianças


postado em 27/09/2018 22:00 / atualizado em 28/09/2018 00:10

Gilsimar do Carmo Souza, 34 anos, mãe da Nayelli Cristhina Souza Veras, 11 anos, levou a filha e os sobrinhos para pegar os doces no Varjão(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Gilsimar do Carmo Souza, 34 anos, mãe da Nayelli Cristhina Souza Veras, 11 anos, levou a filha e os sobrinhos para pegar os doces no Varjão (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Fé, cultura e tradição se encontram na celebração do Dia de Cosme e Damião, nesta quinta-feira (27/9). No Varjão, a diarista Gilsimar do Carmo Souza, 34 anos, mãe da Nayelli Cristhina Souza Veras, 11, levou a filha e os sobrinhos para pegar os doces na entrada da cidade. Ela mora em Valparaíso, mas sua irmã vive no Varjão e distribui os doces com a ajuda do marido.
 
“Volto a ser criança novamente quando vejo eles correndo atrás dos doces. Ver a alegria deles é a minha alegria. Minha irmã só distribui para manter a tradição, e eu trago as crianças aqui pelo mesmo motivo.”
 
Ela e os sobrinhos ganharam doces da advogada Taynara Paranhos, 26, que estava distribuindo os pacotinhos com o marido, Ricardo Paranhos, 50. Ela começou a entregar os doces na data há dois anos, após uma promessa, e garante que, a partir de agora, não vai mais parar. “Fiquei preparando tudo até de madrugada. Me cativa ver as crianças felizes”, afirma Taynara.

Tradicionalmente, os adeptos costumam distribuir doce em homenagem aos santos. No catolicismo, os santos eram gêmeos e médicos que pregavam a fé cristã. Uniam a ciência e a religião. Eles faziam atendimentos sem cobrar. São considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina. De acordo com a história, foram perseguidos pelo imperador romano Diocleciano, no ano 300 depois de Cristo. 
 
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
 
 
Na umbanda e no candomblé, segundo a confeiteira e umbandista Daniela da Silva Dantas Freire, 33, os irmãos não são a mesma figura representada pelos católicos, mas têm histórias de vida muito parecidas. Nesta tradição eles são Êres, são entidades alegres, festeiras e têm grande prestígio junto aos orixás. A confeiteira distribuiu doces pela primeira vez e estava animada.
 
“Comecei a fazer os saquinhos no começo da semana. Pedi ajuda para todo mundo da minha família. Conseguimos montar 50 saquinhos bem recheados. Colocamos pipoca, sorvetinho, jujuba, balinhas, guarda-chuva de chocolate, amendoim, paçoca e nem lembro mais o que.”
 
Ela decidiu distribuir os doces em agradecimento ao começo de sua carreira como confeiteira. “Eu comecei a fazer cursos profissionalizantes e, há dois anos, passei a vender bolos. Decidi então fazer a entrega de doces para as crianças como uma forma de agradecimento”, acrescenta.
 
Taynara Paranhos, 26 anos, que estava distribuindo os pacotinhos com o marido, Ricardo Paranhos, 50(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Taynara Paranhos, 26 anos, que estava distribuindo os pacotinhos com o marido, Ricardo Paranhos, 50 (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
 

Em Sobradinho, a aposentada Maria Madalena Barreto, 59, distribui doces há tanto tempo que nem se lembra quando começou. A tradição foi passada pela mãe, que era umbandista e morreu aos 87 anos. “Nós decidimos que íamos fazer isso ontem. Todos os anos, desde que eu me lembre, nós distribuímos”, conta Madalena. 

É para pagar uma promessa que a professora Mari Lucia Passeri, 52, distribui doces há 32 anos. Moradora do Guará, ela revela que a tradição passou de mãe para filha. Sua história começou quando sua mãe estava grávida. “A gravidez era de risco e o médico disse que não ia conseguir me salvar, apenas a minha mãe, mas que eles iam fazer de tudo para que eu fosse salva e aqui estou.”
 
* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer 

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