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Correio Braziliense

Três escolas do DF dispensam alunos após diagnóstico de H1N1

Colégios em Taguatinga, Ceilândia e Águas Claras dispensaram turmas após diagnósticos de alunos contaminados pelo vírus da Influenza A. Especialista diz que medida pode causar pânico. Desde janeiro, foram registrados 67 casos da doença no DF


postado em 02/10/2018 06:00 / atualizado em 02/10/2018 11:22

Campanha de vacinação este ano atingiu 97,8% do público-alvo (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Campanha de vacinação este ano atingiu 97,8% do público-alvo (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

 

O mês de outubro começou com aulas suspensas devido à gripe H1N1. Em Ceilândia, a escola EduSesc dispensou uma turma de educação infantil depois que três crianças de 3 anos foram diagnosticadas com a doença. A previsão é de que a classe retorne amanhã. Já em Taguatinga, todos os estudantes de uma unidade do colégio Ideal foram liberados após a confirmação de três casos e a suspeita de haver outros três. Desde janeiro, foram registrados 67 ocorrências de gripe H1N1 em todo o DF, seis delas levaram à morte do paciente.

A mãe de uma aluna do 4º ano do EduSesc estava preocupada. Segundo ela, a escola não comunicou os pais de crianças de outras turmas a respeito da circulação do vírus no colégio. “Os professores foram na turma dela e avisaram sobre os alunos doentes. Eu não sabia de nada, fui pega de surpresa”, disse a mulher, que preferiu não se identificar.

Por meio de nota, o Serviço Social do Comércio no DF (Sesc-DF) afirmou já ter tomado todas as providências necessárias para evitar a transmissão do vírus dentro da escola.

Na manhã de ontem, o colégio Ideal, em Taguatinga, acionou a Secretaria de Saúde comunicando sobre os casos de H1N1. Na unidade em que as aulas foram canceladas circulam cerca de 600 crianças, de 4 a 11 anos. Não foi informado, no entanto, de quais turmas são os alunos diagnosticados com a doença, apenas que eles têm entre 7 e 11 anos de idade.
A suspensão foi sugerida pela direção e aprovada pelos pais. Em nota, a instituição afirma que as aulas serão repostas posteriormente para que não haja prejuízo aos estudantes. “O colégio tem tomado as medidas necessárias de prevenção ao H1N1”, diz o texto.

Em uma escola de Samambaia, um aluno de 3 anos também foi diagnosticado com o vírus. Segundo o diretor Cleber Nascimento, não foi necessário cancelar nenhuma aula. A unidade também notificou a Secretaria de Saúde.

O Correio procurou a pasta que negou ter sido informada a respeito de casos da doença em Taguatinga e Ceilândia. “A Secretaria de Saúde esclarece que não existe uma epidemia de Influenza A H1N1 no Distrito Federal”, ressalta a nota. A campanha de vacinação este ano imunizou 97,8% do público-alvo, que inclui, entre outros, idosos, gestantes e crianças de 6 meses a 5 anos.

O pai do estudante do colégio em Samambaia esteve com o filho no Hospital Anchieta, na sexta-feira. O homem de 49 anos não quis se identificar, mas relata que  e viu alguns pais aflitos no local. “A pediatra que nos atendeu disse que outras nove crianças também estavam com o vírus. Vi um pai desesperado com a filha de 5 anos que tinha acabado de receber o exame positivo para a doença”, lamentou. O hospital não se pronunciou a respeito.

Cuidados

Ontem, em Águas Claras, uma escola de ensino infantil também avisou que vai suspender as aulas depois que duas crianças de 6 anos tiveram a confirmação da doença. Hoje e amanhã todos os alunos estão liberados. “Aos pais cujos filhos estejam sob suspeita clínica de gripe, pedimos que não encaminhe seu filho nos próximos dias”, diz uma circular distribuída aos responsáveis. Em outro comunicado oficial, a direção informa que acionou a Secretaria de Saúde para orientações e que estão em contato com as famílias dos estudantes que apresentaram sintomas.

A bancária Sandra Siebra Alencar, 46, disse que houve pânico entre os pais quando souberam das infecções. “Todos  ao longo do dia foram buscando os filhos mais cedo”, conta. A filha dela tem 5 anos e estuda na sala a lado da turma onde foi registrado um dos casos. A assessoria de comunicação do centro de ensino, que atende 720 crianças de até 6 anos, disse que a Secretaria de Saúde não considerou necessário fechar o prédio, mas a direção optou pela medida para higienizar local.

Para o médico Werciley Júnior, infectologista, chefe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Lúcia e membro titular da Sociedade Brasileira de Infectologia, a melhor forma de se previnir da gripe é ter cuidados básicos de higiene, como lavar as mãos, e evitar aglomerações. “Fechar as portas de uma escola é um pouco de exagero, não precisava. O que importa é educar sobre a higienização e nada mais. Suspender as aulas cria pânico e gera demanda desnecessária e sem benefícios. Quem já foi contaminado, já foi e ponto”, analisa o médico.

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