Publicidade

Correio Braziliense

Debate do Correio, último do primeiro turno, foi marcado pelo tudo ou nada

Colunista e editora de Opinião do Correio Braziliense analisa como os candidatos ao Palácio do Buriti se apresentaram ao eleitor e como trataram a língua portuguesa. Em mais de duas horas de debate, sobraram caras, bocas e derrapadas em concordâncias e regências


postado em 04/10/2018 06:00

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Debate tem vantagens. A melhor: o candidato se expõe sem maquiagens. É diferente dos programas eleitorais. Assessorados por marqueteiros, os postulantes a este ou àquele cargo apresentam-se editados nas telinhas da tevê. Cenário, falas, sorrisos e gestos são cuidadosamente estudados. Resultado: o eleitor tem a impressão de que assiste a filme de ficção. O mais do mesmo faz a festa.

Para o confronto cara a cara, os louquinhos pelo poder se preparam. Ensaiam perguntas, respostas, acusações e defesas. Mas o fator surpresa é a espada de Dâmocles sobre a cabeça de cada um. No caso de se concretizar, o rei fica nu. É a oportunidade de o eleitor fazer a leitura — sem interferências prévias — de palavras, caras e bocas.

O debate de ontem, promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, foi marcado pelo tudo ou nada. Era a última oportunidade de o candidato se vender embalado de tal forma que amealhasse o voto dos indecisos, dos descrentes ou dos não muito convictos da escolha feita. A tensão pairava em torno dos indicados como favoritos pelas pesquisas. Cada um queria desconstruir o outro para lhe puxar o tapete e derrubá-lo no ranking das preferências.

Ibaneis, a zebra do pleito, foi alvo dos ataques mais ferozes. A arma usada contra ele parecia o feitiço que se virava contra o feiticeiro. Dono de fortuna de R$ 94 milhões — valor do patrimônio declarado por ele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) —, disse que reconstruiria as casas derrubadas pelo governo Rollemberg e pagaria com recursos próprios. Ops! “É compra de votos”, acusaram os concorrentes. E insistiram no dedo em riste.

Eliana e Fraga também se tornaram vidraça. Ambos têm contas a acertar com a Justiça. O desconforto dos dois era visível ao serem confrontados com os fatos. Mas, treinados, mudaram de assunto. Como os demais, conjugaram o verbo prometer — esbanjam receitas milagrosas para o Distrito Federal rivalizar com Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia.


Batalha

Entre mortos e feridos, a maior vítima foi a língua. Não faltaram pancadas em concordâncias, regências, pronúncias. Eliana recorreu a pleonasmos: “A empresa foi vendida há 12 anos atrás”, disse ela. Desperdiçou o atrás. Rosso e Fraga fizeram dobradinha. Ambos falaram em “subzídio”. No rasga seda, esqueceram que o “s” de subsídio soa como o de subsolo. Fátima esbanjou sujeitos: “O hospital, ele tem de ser opção”. É isso. O português nosso de todos os dias perdeu a batalha. Quem ganhou? Ele mesmo — o eleitor.



Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade