Publicidade

Correio Braziliense

Rafael Ribeiro e Raphael Aragão: voz e harpa para difundir a música erudita

Rafael é tenor, enquanto Raphael é craque no instrumento. Juntos, eles tocam por todo o Distrito Federal canções napolitanas, francesas e brasileiras


postado em 05/10/2018 17:00 / atualizado em 05/10/2018 19:39

Rafael Ribeiro descobriu o dom ouvindo CDs em uma chácara em que morava na infância(foto: Arquivo pessoal)
Rafael Ribeiro descobriu o dom ouvindo CDs em uma chácara em que morava na infância (foto: Arquivo pessoal)

A música tem caminhos misteriosos. Como unir duas pessoas com experiências completamente diferentes de vida em torno de uma paixão em comum. Assim foi com Rafael Ribeiro e Raphael Aragão, que formam um duo de voz e harpa e decidiram ganhar a vida cantando e tocando para o público. Até chegarem ao desafio de levar a música erudita para ouvintes em geral, o caminho foi longo. Os dois começaram a trilha de forma bem diversa.
 
Para Rafael Ribeiro, as memórias ainda são marcantes. Foi em uma chácara na qual morou durante a infância que, aos 7 anos, teve o primeiro contato com a música erudita. Sentado no chão, o tenor costumava ouvir um CD com músicas de mestres como Beethoven, Vivaldi e Mozart. “Eu ficava me balançando, ouvindo e cantarolando, enquanto meus primos brincavam. De tanto ouvir, eu já sabia as notinhas”, relembra o cantor, hoje com 31 anos. Sua mãe, Dona Dina, ao ver a paixão do filho pela música, o levou à apresentação de um coral cujo repertório eram canções que Rafael escutava na sala de casa. “Aquilo mexeu comigo. Eu me senti muito emocionado. Lembro, até hoje, da sensação. Desde então, comecei a cantar”, recorda. 
 
Raphael Aragão contou com a
Raphael Aragão contou com a "linha do destino" para aprender harpa na Escola de Música (foto: Arquivo pessoal)
 
 
Para Raphael Aragão, harpista do duo, o contato com a música foi mais tardio. O jovem de 26 anos não costumava ser muito ligado a melodias. O interesse veio somente aos 14 anos, após a mãe, Nathalia Aragão, entrar para a Escola de Música de Brasília (EMB). Seguindo a onda da matriarca, seis meses depois, o jovem se inscreveu também. Durante o sorteio para as vagas, aconteceu o que Raphael chama de “linha do destino”. “Chamaram uma pessoa, mas ela não estava presente. Então, chamaram outra, que também não estava. Aí, veio o meu nome. Depois que recebi a vaga, as duas pessoas voltaram do banheiro, mas não tinha mais jeito”, lembra. O curso era harpa.
 
O ano era 2008. Nas primeiras aulas, o harpista sentiu uma ligação forte com o instrumento. Entretanto, um dos maiores desafios era o custo. No Brasil, uma harpa só pode ser adquirida por importação. Quando nova, pode custar R$ 150 mil. Mas não seria o preço que impediria Raphael lde evar o estudo a sério. Hoje, ele aluga a harpa para tocar em suas apresentações.

Culpa da mãe

As mães dos dois instrumentistas tiveram influência significativa na carreira dos filhos. Rafael fazia canto lírico com a mãe de Raphael na EMB. Eram, portanto, conhecidos por conta da escola, mas a “afinação” para tocarem juntos não foi instantânea. “A gente sempre marcava de fazer dueto, mas nunca dava na agenda”, brinca Rafael Ribeiro. O mais importante é que a amizade estava feita. E as datas se encontraram em 2017, quando a dupla se tornou, de fato, harpa e voz. 

Tudo começou quando uma amiga, ao ver a harpa de Raphael Aragão, pediu que ele tocasse para ela. Ao se apaixonar pelo dom do jovem, ela o convidou para se apresentar no aniversário de um amigo. “Foi quando a gente resolveu se juntar de fato. O Raphael fez uma música instrumental e cantamos duas peças. O aniversariante gostou muito e nos convidou para se apresentar na casa dele, em Fortaleza”, conta o tenor. 

Com o amadurecimento da ideia, o duo fortaleceu a proposta. Hoje, a dupla se apresenta em casamentos, shoppings e festivais de ópera. O repertório conta com música napolitana, canções francesas e música popular brasileira. Para o futuro, a dupla tem o projeto de levar a combinação de harpa e voz para embaixadas de Brasília. “Desejamos também que os amantes da música erudita e os empresários que gostam e querem perpetuar isso possam olhar para esse lado da música”, afirma Rafael. 

Siga os músicos!

Rafael Ribeiro: (61) 99425-8282
Raphael Aragão: (61) 98221 9892
 
* Estagiária sob a supervisão de Leonardo Meireles 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade