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Correio Braziliense

Praça na Vila Planalto reforça laços de amizade entre frequentadores

Amigos de longa data se reúnem em espaço comunitário para colocar a conversa em dia e também se exercitar


postado em 05/10/2018 06:00

Espaço de convivência: Ieda Coelho e Marco Antônio se encontram na PEC para uma boa prosa(foto: Sarah Paes/Esp. CB/D.A Press)
Espaço de convivência: Ieda Coelho e Marco Antônio se encontram na PEC para uma boa prosa (foto: Sarah Paes/Esp. CB/D.A Press)
Quando o sol vai dando o adeus por volta das 17h... Quando o dia começa a se acalmar.... O movimento no Ponto de Encontro Comunitário (PEC), na entrada da Vila Planalto, aumenta. O espaço é uma das opções de atividade para os idosos da região. Ieda Coelho Bezerra, 77 anos, aposentada da Secretaria de Saúde, e Marco Antônio Leal da Silva, 51 anos, militar da reserva, gostam de colocar o papo em dia sentados em um dos bancos da praça. A senhora simpática e comunicativa contou que a praça virou um point onde amigos e vizinhos se encontram quase todos os dias. No local, eles fazem exercícios físicos e compartilham um pouco do cotidiano de suas vidas. Ouvem e são ouvidos.

Alguns dos vizinhos se conhecem há mais de 40 anos. “A gente se reúne, faz uns exercícios, e também rola uma fofoca daqui e outra dali, ri. É sempre muito divertido. Venho aqui de três a quatro vezes na semana. Às vezes, eu tenho preguiça e não venho, mas aqui é ótimo para me movimentar e encontrar os amigos. Faço exercício nos aparelhos”, conta Ieda. Ela chegou, na Vila Planalto, na época da construção de Brasília. Morou primeiro na casa da irmã em Sobradinho. Em 1962, se mudou para a cidade para viver na casa de uma amiga, e não saiu mais da região.

Depois de tantos anos, caracteriza o local como uma cidade de idosos e aposentados. “Antes, a gente se encontrava em uma praça que fica dentro da Vila, mas lá começou a ser frequentado por moradores de rua. Depois que a PEC foi construída, passamos a nos reunir aqui. A Vila virou uma cidade de idosos. Temos até uma casa para esse perfil de pessoas, a Associação Renascer dos Pioneiros Vila Planalto. Eu já fui até a presidente”, conta a moradora que é popular entre os habitantes da cidade.

Maria de Lourdes e Ieda: exercícios e boa conversa(foto: Sarah Paes/Esp. CB/D.A Press)
Maria de Lourdes e Ieda: exercícios e boa conversa (foto: Sarah Paes/Esp. CB/D.A Press)


No grupo de amigos de Ieda, muitos deles fizeram parte da construção e estruturação da Vila Planalto e da própria capital. Alguns deles foram líderes comunitários e lutaram pela construção de locais, como o PEC e outros pontos de encontro da região.

Frequentador ativo do PEC, o aposentado Geraldo Alves Torres, de 69 anos, nascido em Mariana (MG), distante 116km de Belo Horizonte, veio para Brasília em 1969. Ele morou primeiro na quadra 315 Sul e em 1976 mudou-se para a Vila Planalto. A prática de exercícios físicos e os momentos de descontração com os vizinhos de longa data são rotina na vida do mineiro.

Além de se exercitar, ele também ajuda na manutenção dos aparelhos. “Fui um dos que lutou por essa praça. É muito bom aqui, não precisa mais que isso não. Eu até ajudo a preservar os equipamentos, mesmo sendo usuário eu aperto os parafusos sempre”, destaca.

A aposentada Maria de Lourdes Carvalho, 68 anos, costuma ir ao ponto de encontro pela manhã e à tarde. Às vezes, vai acompanhada das duas filhas. “Depois do meu problema no joelho, não consigo ir muito longe, mas, como a praça é aqui do lado de casa, é um ótimo lugar pra eu sair. Daí, eu chego aqui e encontro o pessoal e é essa festa que você está vendo. Acho apenas que tinha que criar pelo menos um parquinho ou uma quadra de esportes aqui para as crianças,” destaca.

Geraldo Alves:
Geraldo Alves: "Eu até ajudo a preservar os equipamentos" (foto: Sarah Paes/Esp. CB/D.A Press)
 

O que diz a especialista

Socialização e qualidade de vida
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) são considerados idosos pessoas acima dos 60 anos de idade. Segundo a geriatra Priscilla Mussi, as atividades em grupo são fundamentais para a qualidade de vida deles. “Eles têm dificuldade em fazer novos amigos e quando há a socialização é muito bom para eles poderem conversar sobre os mesmos assuntos, por terem a mesma cultura”, explica. Os benefícios da conveniência englobam pontos positivos tanto para a saúde física quanto para a mental. “Quando eles conversam com outros idosos, conseguem desfocar dos problemas e diminui o risco de demência. Os encontros em praças também são bons para aumentar a vitamina D do corpo”, destaca.

Como colaborar

A Associação Renascer dos Pioneiros da Vila Planalto recebe doações para o bazar, que é a única fonte de renda para o local. Para a biblioteca, livros podem ser entregues nos supermercados Armazém do Geraldo e no MM, todos na Vila Planalto.
 
Coral da Associação Renascer dos Pioneiros da Vila Planalto(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
Coral da Associação Renascer dos Pioneiros da Vila Planalto (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)

Cantinho dos idosos

Na Associação Renascer dos Pioneiros da Vila Planalto, que tem mais de 30 anos, os idosos se beneficiam de atividades coletivas e gratuitas oferecidas por voluntários, como aulas de canto, artesanato, costura, atendimento psicológico e biblioteca. O local de encontro da terceira idade proporciona ocupação e momentos de distração.

A produtora cultural Taiana Martins, 30 anos, colabora no coral da Associação desde março de 2016. Ela explica que, no começo, a aula era um único encontro por semana. “A adesão da comunidade foi tamanha, que a gente teve de passar para duas vezes. Toda terça e quinta-feira, das 17h30 às 18h30”, explica.

“Eu sinto emoção, porque eu aprendo muito, em todas as aulas, sobre tudo a maioria das participantes do coral são mulheres idosas pioneiras da construção de Brasília. Então, elas têm muitas histórias para contar”, destaca a voluntária.

O conjunto é formado por 16 pessoas e se apresentou em igrejas, escolas e praças do Distrito Federal. O projeto conta com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) até junho de 2019. De acordo com as participantes, nas quartas-feiras pela manhã ocorrem atendimentos relacionados à saúde oferecidos por uma homeopata e psicóloga.

Voluntária na associação, a administradora Rosangela Queiroz, 64 anos, destaca o companheirismo das frequentadoras do local. “Dar e receber é o que me motiva, porque as pessoas se alegram em estar juntas, na convivência. E essa convivência é importante para fortalecer umas as outras. Isso é saúde”, observa.

Francisca Ferreira Araújo, 74 anos, dona de casa, foi presidente durante quatro anos da associação. Ela e Maria de Lourdes Ferreira são algumas das participantes do coral. Maria começou a participar dos projetos por conta do bazar, uma das formas de arrecadação da iniciativa. “Vim pra cá pra comprar no bazar, daí, fiquei sabendo das atividades e comecei a participar,” conta a senhora de 64 anos.
 
*Estagiárias sob supervisão de José Carlos Vieira 

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