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Correio Braziliense

Reitora da UnB publica carta à comunidade em defesa da democracia

No documento, a reitora ressaltou a importância da democracia no contexto de eleições e de celebração dos 30 anos da Constituição Cidadã


postado em 05/10/2018 20:44 / atualizado em 05/10/2018 20:44

Reitora da UnB Márcia Abrahão(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Reitora da UnB Márcia Abrahão (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 
A reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, manifestou em carta à comunidade, divulgada nesta sexta-feira (5/10), repúdio ao episódio em que cinco livros sobre direitos humanos do acervo da Biblioteca Central (BCE) foram propositalmente danificados. No documento, a reitora ressaltou a importância da defesa da democracia no contexto de eleições e de celebração dos 30 anos da Constituição Cidadã.

"Estamos diante de um novo momento histórico, sendo convocados a reafirmar a liberdade, a dignidade humana, a democracia e a justiça social, como fundamentos do Estado e da sociedade brasileira. [...] A Universidade de Brasília sofreu a violência e o horror da ditadura [...], em uma escalada repressiva contra seu projeto de vanguarda para a educação superior e às mobilizações estudantis pela democracia", relembra Márcia. 

Ela diz também que a UnB nasceu "sobre os ideais libertários e humanistas de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro" e que deve "continuar firme na defesa dos princípios e valores constitucionais e atuando para honrar seus fundadores". No fim, a reitora conclama por uma democracia mais forte em defesa dos direitos humanos. 

Veja na íntegra a "Carta à comunidade": 

"Hoje, quando celebramos o 30o aniversário da promulgação da Constituição Cidadã, estamos a exatos dois dias de uma eleição crucial para os destinos da jovem democracia brasileira. Estamos diante de um novo momento histórico, sendo convocados a reafirmar a liberdade, a dignidade humana, a democracia e a justiça social, como fundamentos do Estado e da sociedade brasileira.

A Constituição Federal de 1988 encerrou 21 anos de ditadura, um passado doloroso que não podemos esquecer, sob pena de retrocedermos na história. A Universidade de Brasília sofreu a violência e o horror da ditadura, tendo sido palco de invasões policiais, prisões de estudantes, demissões arbitrárias de professores e intervenções constantes, em uma escalada repressiva contra seu projeto de vanguarda para a educação superior e às mobilizações estudantis pela democracia. Perdemos 238 docentes brilhantes, dos 305 que a UnB tinha em 1965, e, entre outros, Honestino Guimarães, estudante de Geologia da UnB, líder do movimento estudantil e desaparecido político desde outubro de 1973.

Embora difícil e doloroso, é de extrema importância que nós nos recordemos do horror vivido. Nosso Estado demorou muito para olhar para essa ferida e para buscar meios de repará-la – que, sob alguns aspectos, não foi e jamais será passível de remissão.

Quando hoje nos deparamos com manifestações públicas que atentam contra a democracia brasileira ou com atos que contrariam os valores estabelecidos em um Estado democrático de direito, não podemos ignorar. Não podemos aceitar a negação de nosso passado autoritário. Tampouco podemos relativizar tais declarações e atos, que, em sua essência, ameaçam direitos tão duramente conquistados pela sociedade brasileira.

A Universidade de Brasília, que nasceu alicerçada sobre os ideais libertários e humanistas de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, e que tem como um dos seus princípios estatutários o compromisso com a paz e com a defesa dos direitos humanos, deve continuar firme na defesa dos princípios e valores constitucionais e atuando para honrar seus fundadores. Anísio e Darcy conceberam uma universidade única, na qual um projeto pedagógico inovador se aliou à missão de formar cidadãos conscientes e comprometidos com a transformação da sociedade brasileira.

Por isso, conclamamos docentes, estudantes, técnicos e terceirizados a fazer valer o direito de voto por nós conquistado e não poupar esforços para fazer emergir das urnas neste domingo uma democracia mais forte, voltada para a emancipação social e alinhada com a defesa dos direitos humanos.

Márcia Abrahão
Reitora

Enrique Huelva
Vice-reitor "

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