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Correio Braziliense

Os lugares pouco conhecidos de Brasília que você precisa visitar

Descubra os cantos de Brasília que têm muita arte e história, mas que nem todo mundo conhece; locais ideais para fazer turismo


postado em 07/10/2018 05:00 / atualizado em 06/10/2018 22:26

Inaugurado em 7 de setembro de 1986, o Panteão da Pátria foi criado por Oscar Niemeyer(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Inaugurado em 7 de setembro de 1986, o Panteão da Pátria foi criado por Oscar Niemeyer (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Em Brasília, o que não falta são espaços turísticos. Cada canto tem um museu ou monumento que conte a história da cidade. O Congresso Nacional, a Catedral e o Museu da República compõem o cartão-postal da cidade e são exemplos da vocação brasiliense para o turismo. Mas isso não significa que outros lugares não estejam impregnados de arte, cultura e acervos históricos, muitas vezes, ignorados pela própria população do Distrito Federal.

Projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1970, o Palácio Itamaraty é um exemplo de monumento cheio de potencial turístico. Sede do Ministério das Relações Exteriores, foi concebido com o propósito de apresentar o Brasil aos visitantes estrangeiros. Inteiramente construído com materiais nacionais, possui um conjunto de salões que abrigam obras de artistas brasileiros. O acervo é composto por grandes nomes da arte nacional, como Athos Bulcão, Alfredo Volpi, Bruno Giorgi, Frans Krajcberg, Franz Weissmann, Maria Martins, Mary Vieira, Iberê Camargo, Ione Saldanha, Rubem Valentim, Sérgio de Camargo e Tomie Ohtake.

O palácio é um verdadeiro museu, com coleções que vão do barroco ao período contemporâneo. “A coleção do Itamaraty representa o que havia de mais importante no país na época em que foi construído”, conta Heitor Granafei, curador e organizador da exposição Desenhando para um palácio, em cartaz no Itamaraty. “A ideia de Brasília era de modernidade; então, a coleção tem muitas coisas modernas e peças especialmente encomendadas para artistas que expunham na bienal de São Paulo e um certo número de peças imobiliário antigo.”

O curador afirma que Ministério das Relações Exteriores quer promover e compartilhar esse acervo que pertence à população. “A ideia é justamente de que o palácio se insira cada vez mais na vida cultural da cidade. O brasiliense vai ter um panorama muito completo da criatividade nacional, além de poder encontrar arte brasileira do século 20 e um vasto acervo mobiliário desde o século 18”.

Granafei acredita que não visitar o monumento histórico é uma coisa comum na maioria das cidades do país e do mundo. “Como aquilo está sempre à mão, as pessoas adiam a ida para quando vier um parente, por exemplo, e pode acabar não indo a esses lugares. E isso é típico quando os pontos culturais são permanentes, como o palácio”, diz.

A fisioterapeuta Leopoldina Moreira visitou o palácio quando criança. Agora, retornou ao Itamaraty para acompanhar o filho, Pedro Arthur, em sua primeira visita no local. “Me surpreendi muito com as obras de arte e os significados por trás delas. A representatividade das coisas é muito interessante. Acho fundamental para a nossa autoestima como brasileiro, porque a gente pode ver a capacidade que os artistas tinham naquela época, com tanta falta de recurso. Acho muito importante manter e valorizar isso”, comenta a fisioterapeuta.

A servidora pública Manu Ribeiro Leite veio do Rio de Janeiro para visitar Brasília e o Itamaraty foi um dos pontos que queria conhecer da cidade. “Achei tudo muito bacana. Aqui a gente entra e, a cada passo, toda a perspectiva muda. A nossa visita não é turística, a gente veio como cidadão”, comenta.
 
Outro que veio peregrinar por Brasília foi o engenheiro civil Tarcisio Xavier. Ele veio de Recife para conhecer o palácio do Itamaraty. “Eu fiquei admirado quando me explicaram que esse vão [no saguão de entrada] é um dos maiores da América Latina. Aqui em Brasília, boa parte dos prédios têm mais de 50 anos, mas, ainda assim, é tudo muito moderno e o palácio é um exemplo disso”, afirma.

Monumento a céu aberto

Outro local pouco aproveitado pela população do DF não fica muito longe do Itamaraty: o Panteão da Pátria. Localizado nas proximidades da Praça dos Três Poderes, o memorial cívico homenageia pessoas brasileiras que, de algum modo, serviram para a maturidade e engrandecimento do país.

Inaugurado em 7 de setembro de 1986, ele foi criado por Oscar Niemeyer e apresenta uma arquitetura modernista simbolizando uma pomba. A área externa é a mais freqüentada pela população. No alto de uma torre erguida em diagonal, arde uma tocha com “a chama eterna”, que representa a liberdade do povo e a independência do país. Mas a pira foi apagada em 2016 por falta de verba do Governo do Distrito Federal (GDF).

O estudante de arquitetura Felipe José trabalha no Senado Federal e conta que gosta de passar pelo Panteão após o expediente e subir as escadarias para olhar Brasília de uma perspectiva diferente. “Acho interessante como tudo foi construído, isso acaba por impactar na minha vida profissional também. Gosto de ir à tocha para ter inspiração, mas isso acaba sendo transformado num momento de lazer”, garante.

O Panteão possui três pavimentos e tem área total de 2.105 m². Em seu interior, no salão Vermelho, encontra-se o mural Liberdade, do artista plástico Athos Bulcão. No terceiro andar está o vitral de autoria de Marianne Peretti, responsável pelos vitrais da Catedral.

Outros charmes

A cultura e a história de Brasília pode ser revelada em diversos locais. O Correio selecionou alguns espaços que abrigam a vida artística da capital e podem ser explorados pelos brasilienses.

» Espaço Cena

Criado em 2005 pela organização do Cena Contemporânea — Festival Internacional de Teatro de Brasília, o Espaço Cena é um centro cultural situado na 205 Norte, quadra conhecida por suas características arquitetônicas diferenciadas e que conta com iniciativas culturais e artísticas diversas. O espaço abriga temporadas de espetáculos, oficinas de arte, exposições fotográficas, shows e degustações gastronômicas. Os ambientes intimistas, confortáveis e descontraídos reafirmam o conceito de ponto de encontro e de celebração da cultura e das artes produzidas em Brasília e no Brasil.

» Galeria Olhos de Águia

Localizada na Praça da CNF de Taguatinga Norte, a galeria do fotojornalista Ivaldo Cavalcante foi idealizada para abrigar o acervo do seu criador. Pouco a pouco, tomou forma e se tornou um local ideal para trocas de experiências sobre o mundo da fotografia. O espaço, que também abriga um bar, recebe diversas atividades culturais, como exposições, mostras de filmes, feiras fotográficas e pocket shows.

» A pilastra

A pilastra é um apartamento no Guará que foi transformado em galeria de arte, estúdio de produção audiovisual e ateliê aberto aos artistas. A proposta é lutar pela presença e democratização da arte fora do centro. A galeria também comercializa obras de arte nacionais e internacionais, produz conteúdo audiovisual e recebe artistas e visitantes que queiram espaço e contato com expressões artísticas descentralizadas.

» Jardim Botânico

O Jardim Botânico de Brasília é um respiro de ar puro no contrafluxo dos espaços fechados. É um espaço dedicado a uma coleção de plantas, mas também ao cultivo e à exposição. Entre as atividades destinadas aos visitantes estão educação ambiental e lazer orientado para a conservação da biodiversidade do cerrado, que pode ser apreciado nas “trilhas interpretativas”. Além disso, o jardim conta com museus e jardins temáticos, como o jardim evolutivo, o jardim de cheiros, o jardim japonês e o jardim de contemplação. Memorial dos povos indígenas Construído em 1987, o Memorial foi projetado por Oscar Niemeyer em forma de espiral que remete a uma maloca dos índios Yanomami. O espaço abriga uma coleção destinada a apresentar a diversidade e a riqueza da cultura indígena, que se revela de forma dinâmica e viva. Com esse propósito, o memorial promove eventos com a presença e a participação de representantes indígenas de diferentes regiões do país. No acervo, há peças de diversas tribos e objetos que fazem parte da coleção de Darcy-Berta-Galvão.

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