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Correio Braziliense

Organização leva luz a comunidade quilombola no Entorno do DF

A ação acontece em outubro e mobilizará 50 voluntários, além de fomentar a participação da comunidade.


postado em 08/10/2018 17:00 / atualizado em 10/10/2018 11:34

(foto: Divulgação/ Facebook)
(foto: Divulgação/ Facebook)
 
É com sustentabilidade e empoderamento da comunidade que a organização Litro de Luz leva iluminação a localidade onde a escuridão é uma velha amiga. A iniciativa já beneficiou populações carentes nos quatro cantos do país, de quilombos a comunidades ribeirinhas na Amazônia. Agora, é a vez de iluminar a comunidade Kalunga de São Domingos, no Goiás. A ação, programada para acontecer entre os dias 15 e 21 de outubro, levará 180 lampiões e 10 postes de iluminação solar sustentável à comunidade.

Esta é a segunda vez que a organização ilumina a região: em setembro de 2017, o Litro de Luz levou 70 postes e 90 lampiões para a comunidade Kalunga do Prata, que fica a 200 km da cidade goiana de Cavalcante. Cerca de 80 famílias da região que dependiam de lampiões de querosene para conseguir seguir sua rotina durante a noite foram beneficiadas. Na ação de outubro participarão 50 voluntários, incluindo Alfredo Moser, o criador da solução de iluminação.

O primeiro poste já foi instalado na comunidade para que os moradores aprendam o funcionamento da lâmpada. É que, além dos voluntários, o projeto contará com a ajuda dos próprios moradores de Kalunga de São Domingos para a confecção e instalação das luzes. Camila Amui, representante de desenvolvimento social da organização, explica que mais que a iluminação, o projeto pretende trazer capacitação e interação da comunidade. “Quando o morador confecciona a própria iluminação, existe a construção também do senso de pertencimento, ou seja, ele entende que aquilo é pra ele. Além disso, eles aprendem técnicas que, às vezes, nunca teriam acesso e estão capacitados para fazer a manutenção”, conta.

A representante destaca ainda que a iluminação é o primeiro passo para diminuir as desigualdades sociais do local. “Existem escolas na comunidade que só dão aula durante o dia mas, à noite, quando os professores vão planejar as atividades do dia seguinte, é complicado, pois está escuro. Sem contar os problemas de saúde que a população desenvolve por conta das lamparinas de querosene. Ou seja, levar iluminação para o local é diminuir as barreiras que impedem essa comunidade de se desenvolver”, aponta. 
 
Sustentabilidade
 
(foto: Divulgação/ Facebook)
(foto: Divulgação/ Facebook)

Para iluminar as ruas e residências da comunidade quilombola, a organização trabalha basicamente com materiais que não agridem o meio ambiente e que são de fácil acesso. Ao todo, o projeto oferece duas soluções que utilizam em sua composição garrafa pet, cano pvc, lâmpadas de LED, baterias e placas solares. "Um dos nossos pilares é a sustentabilidade, então levamos isso para a comunidade também", comenta Camila.
 
A tecnologia usada na confecção das lâmpadas funciona de forma simples e tem um custo barato quando comparado a instalação de postes de energia tradicional. A luz do poste é captada durante o dia pela placa de energia solar, que é armazenada e convertida. A lâmpada de LED acende automaticamente durante a noite. Além do poste, a organização também ensina o morador a confeccionar uma luz portátil, que permite ao morador se locomover com iluminação dentro de casa para realizar suas tarefas. 


Onde tudo começou
 
(foto: Divulgação/ Litro de Luz)
(foto: Divulgação/ Litro de Luz)
 
A ideia surgiu quando o mecânico Alfredo Moser desenvolveu uma lâmpada artesanal para iluminar sua oficina durante os apagões de 2002. Para tal, ele utilizou apenas uma garrafa pet e solução de água e alvejante. A invenção viralizou e logo começou a ser adotada por seus vizinhos. 

A organização Litro de Luz foi fundada em 2012, dez anos depois, quando o filipino Illac Diaz viu na solução criada por Moser a oportunidade de ajudar famílias carentes em seu país. O projeto, hoje, está presente em mais de vinte países como Quênia, Colômbia e Honduras. No total, a organização soma mais 300 mil voluntários, um milhão de lâmpadas diurnas instaladas, além das 25 mil lâmpadas noturnas e três mil postes. 

Sem fins lucrativos, a organização é mantida por meio de patrocínio e doações, que podem ser realizadas durante todo o ano. A Litro de Luz também conta com o trabalho voluntário, que pode atuar tanto nas ações de iluminação como nas áreas de finanças, desenvolvimento social e marketing.

Doações e inscrições para voluntariado podem ser realizadas no site
 
* Estagiária sob supervisão de Humberto Rezende e Nahima Maciel.

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