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Correio Braziliense

Saiba quem são os deputados reeleitos para a Câmara Legislativa do DF

Apenas um terço dos 24 deputados distritais da atual legislatura seguirá na Câmara Legislativa nos próximos quatro anos. Seis deles são apresentados hoje pelo Correio Braziliense, que detalha os perfis dos novos parlamentares até amanhã


postado em 11/10/2018 06:00

Plenário da Câmara Legislativa: renovação marcada pela diversidade de ideias e partidos(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Plenário da Câmara Legislativa: renovação marcada pela diversidade de ideias e partidos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Apenas oito deputados distritais conseguiram manter as vagas na Câmara Legislativa pelos próximos quatro anos. A renovação segue tendência nacional de buscar nova cara para a política. Entre os que conseguiram se reeleger, a promessa é de mudanças na atuação e de focar em pautas que reflitam diretamente na vida da população, como saúde, educação e segurança.
 
Há também nomes, como Roosevelt Vilela (PSB), que ficaram como suplentes em 2014, assumindo vaga na Câmara Legislativa por curto período, e que agora garantiram uma cadeira fixa. Enquanto os novatos veem a futura composição da Câmara com entusiasmo, alguns veteranos enxergam com desconfiança grande número de futuros parlamentares sem experiência política.

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press )
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press )

Chico Vigilante (PT)

Total de votos: 20.975
Onde recebeu mais votos: Gama, com 1.897 ou 9% do total

Deputado federal duas vezes consecutivas, entre 1990 e 1998, Chico Vigilante conquistou o quarto mandato na Câmara Legislativa. Em seu novo período na Casa, o petista pretende continuar na defesa dos servidores terceirizados do GDF, além de saúde, segurança e educação.
 
Para a próxima legislatura, ele prevê reapresentar o projeto de eleição dos administradores regionais pelo voto popular. “As administrações não podem continuar sendo capitanias de deputados, que ganham as cidades dos governadores”, critica. Outra iniciativa que quer colocar em discussão é a da necessidade de plebiscito para privatização de estatais. “Temos uma onda conservadora e neoliberal no país. Nesse contexto, CEB, Caesb, BRB e Terracap estão em perigo”, avalia.
 
Chico Vigilante encara a renovação da CLDF com ceticismo. “Ouvi no rádio um dos novos deputados dizendo que foi eleito gastando R$ 11 mil na campanha. Ou seja, estão começando mentindo”, lamenta o deputado, que prevê dificuldades para o próximo governador diante de uma Câmara Legislativa pulverizada. Quanto ao apoio na disputa pelo Buriti, Chico é taxativo. “Eu vou apoiar quem apoiar (Fernando) Haddad (candidato à Presidência pelo PT). Isso é condição básica para mim”, declara o deputado.

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press )
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press )

Delmasso (PRB)

Total de votos: 23.227
Onde recebeu mais votos: Guará 1 e 2, Estrutural, Park Sul, SIA e SOF Sul, com 3.706 ou 15,9% do total

Um dos reeleitos para a nova legislatura da Câmara Legislativa, o pastor evangélico e deputado distrital Rodrigo Delmasso seguirá com a bandeira de defesa da família e dos valores cristãos. Mas também investirá na discussão de uma reforma tributária no Distrito Federal. Segundo ele, o setor produtivo necessita de uma desoneração de impostos, que gere empregos e impacte em um custo de vida menor para o brasiliense. “Enquanto nós pagamos 18% de ICMS no arroz, no pão francês, no macarrão e no leite, o estado de Goiás paga 12%. A ideia é equiparar os impostos, que são mais caros aqui, aos de lá e tornar o DF mais competitivo para, assim, não perdermos empresas”, explica.
 
Para Delmasso, a mudança de dois terços dos parlamentares da Casa atende ao apelo popular. “O novo desenho da Câmara foi uma expressão do que a sociedade estava alertando. Ela clamava por renovação. E é saudável. A alternância de poder é muito boa”, avalia o distrital do PRB.
 
Quanto à disputa pelo GDF, o distrital ainda definiu um favorito. Ontem, ele reuniu-se com os colegas de partido Júlio César (eleito deputado federal) e Martins Machado (distrital mais bem votado nas eleições). A sigla fazia composição na chapa de Rogério Rosso (PSD) e declarou apoio ao candidato ao Buriti Ibaneis Rocha (MDB).

(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )

Rafael Prudente (MDB)

Total de votos: 26.373
Onde recebeu mais votos: Arapoanga, em Planaltina, com 4.986 ou 18,9% do total.

O deputado distrital de 34 anos, que encara o segundo mandato na Câmara Legislativa, espera que os grandes investimentos voltem para a cidade no próximo período. Ele pretende manter o desempenho e o diálogo propositivo da primeira passagem pela Casa. “Muitos dos meus projetos que se tornaram leis nasceram da minha parceria com a população, colhendo sugestões e ideias”, reforça Rafael Prudente.
 
A preocupação para os próximos quatro anos será a saúde e a geração de empregos. “O que eu mais vi nessa eleição foi gente pedindo para que livre o DF do desemprego. O próximo governo vai precisar de políticas públicas para mudar esse quadro”, alerta o distrital. Outra frente que pretende continuar à frente é a da fiscalização das atividades do governo e da própria Câmara Legislativa, da qual atuou como corregedor.
 
Diante da renovação da Casa, Rafael Prudente considera que a população fez a sua escolha, avaliou os projetos de cada candidato, e seguiu o desejo de transformar o Legislativo local. Partidário do candidato ao GDF Ibaneis Rocha (MDB), ele acredita que o desempenho do novato na disputa pelo GDF é um exemplo dos anseios da população. “O Legislativo mudou. Quem pode representar essa mudança no Executivo é o Ibaneis”, avalia.

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )

Robério Negreiros (PSD)

Total de votos: 18.819
Onde recebeu mais votos: Gama, com 1.777 ou 9,4% do total de votos

Robério Negreiros dá atenção especial à mudança de políticas para o setor produtivo, com investimento e segurança jurídico-tributária. “As empresas estão saindo (do DF), porque não existe compromisso. As regras mudam de acordo com a conveniência dos governadores”, analisa. “Estamos perdendo as poucas empresas que temos Minas Gerais e Goiás”, lamenta o parlamentar do PSD.
 
Dessa forma, uma das questões abordadas por Robério passa pela gestão e eficiência do Estado. “Dinheiro tem. O que não tem é uma legislação séria para aplicação e destinação dos recursos”, aponta. Dessa forma, para ele, os benefícios concedidos a empresas também devem ser fiscalizados. “Tem empresa que recebe a isenção e, depois de cinco anos, para de gerar emprego. Isso desvirtua completamente o sentido do incentivo”, critica. Por fim, ele buscará, ainda, a criação de uma secretaria dedicada aos deficientes.
 
Para Robério, as mudanças na Câmara Legislativa começaram na atual legislatura. “Nós aumentamos a transparência da Casa, mudamos o sistema de compras, otimizamos processos e instituímos normas. Em 2017, tivemos uma economia de R$ 117 milhões”, ressalta o deputado, que espera da nova turma uma demonstração da importância do Legislativo para a sociedade. Para ele, o candidato ao Buriti Ibaneis Rocha (MDB) tem capacidade para chefiar o GDF, apesar de estreante na política. “Ibaneis foi presidente da OAB. Tem experiência como gestor e ordenador de despesa, é um quadro técnico”, elogia.

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Roosevelt Vilela (PSB) 

Total de votos: 12.257
Onde recebeu mais votos: Núcleo Bandeirante, Candangolândia e Riacho Fundo 1 e 2, com 3.398 ou 27,7% do total

Após ser suplente do distrital Joe Valle (PDT), e assumir uma vaga na Câmara Legislativa em 2017, enquanto o pedetista chefiou a Secretaria de Trabalho, o militar do Corpo de Bombeiros Roosevelt Vilela (PSB) garantiu mandato na gestão 2019-2022. O socialista adianta que, na futura gestão, não atuará por apenas uma bandeira. “A sociedade é muito complexa, e as pessoas estão cercadas por diversos problemas. Não quero apenas mais um cara especializado em segurança e que não sabe discutir sobre saúde”, explica.
 
Roosevelt quer também desenvolver mecanismos para que a população ajude na fiscalização dos gastos públicos. “Vamos criar um 0800 para o gabinete do parlamentar, no qual o cidadão pode ligar sempre que se deparar com uma situação de corrupção ou um malfeito na máquina pública”, afirma. Representante do partido do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), Roosevelt aponta que a atual dificuldade de diálogo entre o Legislativo e o Executivo no DF ocorreu devido à postura da Câmara Legislativa. “Tínhamos muitos deputados fazendo a velha política, o que explica essa renovação”, avalia.
 
Caso Ibaneis Rocha (MDB) seja eleito no segundo turno, Roosevelt afirma que trabalhará na defesa do legado de Rollemberg. “Vamos manter a honestidade e a dedicação com a população”, conclui.

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

Telma Rufino (Pros)

Total de votos: 11.715
Onde recebeu mais votos: Taguatinga e Águas Claras, com 3.203 ou 27,3% do total

A deputada distrital reeleita quer dar continuidade à legalização fundiária. “A regularização combate a grilagem e dá dignidade para as pessoas”, explica Talma Rufino. Diante disso, a parlamentar dará atenção às discussões sobre a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) e o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).
 
Segundo a distrital do Pros, o mandato dela se baseou nos anseios da população. Por meio desse contato, ela tem atuado, por exemplo, na destinação de emendas orçamentárias para reformas de escolas. Agora, ela pretende diversificar a atuação na Câmara Legislativa e alcançar temas, como a geração de emprego e o apoio ao setor produtivo.
 
Para ela, a renovação é positiva, e a mudança precisa ser encarada de forma razoável. “A população deu uma resposta para os políticos. É muito difícil julgar e analisar, mas é a resposta que o povo deu para nós”, reconhece.
 
No 1º turno, Telma apoiou o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), apesar de ela pertencer ao Pros, partido de Eliana Pedrosa — a ex-distrital disputou o Palácio do Buriti no primeiro turno. Agora, ela espera a definição da sigla para definir quem apoiará na reta final para o Executivo local.

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