Publicidade

Correio Braziliense

Internados na UTI, bebês prematuros do HRC são fotografados de fantasia

E a terceira edição do projeto, que começou em 2016, em alusão ao Dia Mundial da Prematuridade, celebrado em 17 de novembro


postado em 31/10/2018 18:31 / atualizado em 31/10/2018 21:27

'Para mim, as fotos foram emocionantes. A gente fica preocupada sempre, por isso foi um momento descontraído,' diz Kátia Conseudra da Silva, mãe do Emanuel, que nasceu na 29ª semana de gravidez (foto: Daniel Santiago)
'Para mim, as fotos foram emocionantes. A gente fica preocupada sempre, por isso foi um momento descontraído,' diz Kátia Conseudra da Silva, mãe do Emanuel, que nasceu na 29ª semana de gravidez (foto: Daniel Santiago)
 
Aflição e choro são marcas dos dias difíceis vividos pelos pais que têm filhos prematuros internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Regional de Ceilândia (HRC). Para tentar amenizar essa triste realidade, os pais desses bebês tiveram a oportunidade de participar de oficinas de fantasias para ensaios fotográficos. Com a ajuda de uma terapeuta e uma psicóloga, o tempo de espera pela alta foi preenchido com sorrisos. As fotos foram tiradas em 29 e 30 de outubro com 25 bebês.

Essa é terceira edição do projeto, que começou em 2016, em alusão ao Dia Mundial da Prematuridade, celebrado em 17 de novembro. A terapeuta ocupacional Hellen Delchova Rabelo trabalha na Unidade Neonatal do HRC há 2 anos. “É uma atitude muito significativa e humanizada. Além de aproveitar a oportunidade para usufruir o tempo dessas mães que estão aqui acompanhando os bebês”, explicou.

O tema deste ano é 'circo' e Rabello foi a responsável por desenhar e fazer os moldes das fantasias, após as mães escolherem os personagens para os bebês representarem. Dentre as opções, mágico, palhaço, coelhinho e bailarina. As roupas foram confeccionadas com EVA e cola quente e foram higienizadas com álcool depois de prontas.

Fotos e fantasias com amor 

A dona de casa Simone Barbosa Rodrigues Costa, 19 anos, é mãe de Eloá Vitória, de apenas cinco dias. A bebê nasceu prematura, no último sábado (27/10), quando a mãe começou a perder sangue e precisou fazer o parto emergencial, na 29ª semana de gestão, o que equivale a cerca de 6 meses.

A fantasia escolhida por Simone foi a de “palhacinha rosa com azul”, como a própria matriarca definiu. Para ela, o ensaio foi especial. “Ver minha filha lá tirando umas fotinhas, fiquei emocionada. Foi muito fofo e ela estava muito bonitinha”, contou.
 
Outra mãe que participou da oficina foi a comerciante Kátia Conseudra da Silva, 32 anos. Moradora de Vicente Pires, ela fica 24 horas por dia no HRC, depois que o filho Emanuel nasceu prematuro, também na 29ª semana de gravidez. O bebê está internado há um mês e seis dias, depois de sofrer uma infecção urinária logo após o parto. “A oficina foi boa, porque a gente fica tensa e preocupada com filho, mas ela conseguiu tirar o foco. A gente fica mais aliviada,” afirmou. O personagem escolhido para Emanuel participar do ensaio fotográfico foi 'o coelho saindo da cartola'. “Para mim, as fotos foram emocionantes. A gente fica preocupada sempre fica do mesmo jeito, por isso foi um momento descontraído.”
 
O personagem escolhido para Emanuel participar do ensaio fotográfico foi o Coelho saindo da cartola(foto: Daniel Santiago)
O personagem escolhido para Emanuel participar do ensaio fotográfico foi o Coelho saindo da cartola (foto: Daniel Santiago)

Cliques carinhosos 

O fotógrafo de eventos Daniel Lima Santiago Martins, 37 anos, trabalha na área há quatro anos.  Ao conhecer o projeto e ser convidado para participar, o fotógrafo se sentiu entusiasmado. “A gente realiza outros trabalhos, mas esse em especial, tinha algo a mais por se tratar de bebês que estão lutando para viver. Além disso, é uma forma de levar alegria para os pais naquele momento sofrido que eles estão passando,” afirmou. Ele ainda ressalta a motivação para o trabalho. “É um sentimento de muita emoção. É difícil até segurar o choro, porque você sente o amor dos pais.”

Marcos Bontempo dos Santos, 40 anos, também é fotógrafo voluntário no projeto desde o início. Ele é especialista em ensaio de gestantes. Para ele, a experiência é enriquecedora e faltam palavras para definir o momento. “É difícil a gente explicar né, porque os bebês estão ali debilitados e a gente dá uma esperança uma recordação. A gente se emociona muito e as mães ficam muito felizes.”
 

*Sob supervisão de Anderson Costolli

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade