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Correio Braziliense

Justiça ouve mais testemunhas de religiosos de Formosa nesta sexta

Esta é a quarta audiência de instrução e julgamento do caso. Mais 11 testemunhas de defesa devem comparecer à sessão desta sexta-feira (9/11)


postado em 08/11/2018 10:59 / atualizado em 08/11/2018 10:59

Os religiosos são suspeitos de desviar mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Os religiosos são suspeitos de desviar mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
A Justiça goiana interroga mais testemunhas de defesa dos religiosos acusados de desviar cerca de R$ 2 milhões das 33 paróquias vinculadas à Diocese de Formosa. A audiência está marcada para a manhã desta sexta-feira (9/11) e deve ouvir 13 pessoas. Deflagrada em 19 de março, a Operação Caifás, do Ministério Público de Goiás (MPGO), resultou na acusação de 11 pessoas, incluindo o bispo da região, dom José Ronaldo Ribeiro, que renunciou ao cargo em 12 de setembro.  

Na última audiência, em 11 de outubro, o juiz ouviu outras 13 testemunhas de defesa. Eles falaram sobre a conduta dos réus e afirmaram que eles são pessoas de confiança. A Justiça ouviu também o padre Romilson do Carmo, que, agora, após a denúncia, está à frente da contabilidade da Cúria de Formosa. Ele assumiu o cargo quando o bispo interventor, dom Paulo Mendes Peixoto, assumiu a Diocese. Ao juiz, ele explicou como os processos administrativos da casa funcionam.    

O promotor do MPGO à frente do caso, Douglas Chegury, explica que essa deve ser a última audiência que testemunhas devem ser ouvidas. Anteriormente, em 10 e 13 de setembro, três testemunhas de acusação compareceram ao julgamento dos sacerdotes. Eles reforçaram as acusações da investigação. "A nossa expectativa é de que os réus comecem a ser ouvidos em dezembro ou no início de janeiro. Eles ainda vão poder optar se vão se pronunciar ou se manterão silêncio", comentou Chegury em entrevista ao Correio.  

Além do bispo, são acusados: Thiago Wenseslau, juiz eclesiástico; Waldson José de Melo, pároco da Paróquia Sagrada Família, em Posse; Guilherme Frederico Magallhães, secretário da Cúria de Formosa; Darcivan da Conceição Serracena, funcionário da Diocese de Formosa; Edmundo da Silva Borges Junior, advogado da Diocese de Formosa; Pedro Henrique Costa Augusto e Antônio Rubens Ferreira, empresários apontados como laranjas do esquema; Mario Vieira de Brito, pároco da Paróquia São José Operário, em Formosa; Moacyr Santana, pároco da Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Formosa; Epitácio Cardozo Pereira, vigário-geral; e José Ronaldo Ribeiro, bispo de Formosa.      

Papa aceita renúncia    

Em 12 de setembro deste ano, o bispo dom José Ronaldo Ribeiro, acusado de ser mentor do esquema, renunciou ao cargo. A Nunciatura Apostólica no Brasil comunicou a decisão, acatada pelo papa Francisco. Em 9 de setembro, a defesa de dom José solicitou ao juiz permissão para ele se mudar para Brasília, já que o TJGO havia decidido que o bispo não poderia sair da comarca de Formosa. A Justiça concedeu o pedido, e o réu se mudou para Sobradinho, onde residem familiares dele.    

Com a saída de dom José, o bispo interventor dom Paulo Mendes Peixoto assumiu a Diocese de Formosa como administrador apostólico. De acordo com a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele acumulava duas funções e não deixará de realizar as pendências de Uberaba, onde atua como arcebispo.    

Mesmo com a renúncia, dom José permanece como bispo emérito. A Diocese de Formosa informou que a renúncia foi apenas do ofício de bispo e que ele ainda mantém o vínculo com a Igreja.   

Operação Caifás   

Deflagrada em 19 de março, a Operação Caifás, a cargo do Ministério Público do Estado de Goiás, investiga 11 pessoas por desvios de mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica. A suspeita é a de que eles tenham adquirido propriedades, veículos e joias com dinheiro pago pelos fiéis em casamentos, batizados e eventos promovidos pelas paróquias e cujos preços foram reajustados.    

Assim que a operação foi deflagrada, nove dos acusados permaneceram presos por quase 30 dias, mas, na terceira tentativa, conseguiram habeas corpus impetrado no TJGO. Eles respondem por apropriação indébita, associação criminosa e alguns por lavagem de dinheiro.   

Em 5 de setembro, advogados de seis dos réus encaminharam um pedido ao TJGO um pedido para cancelar a ação penal e impedir que o processo continue. A justificativa era de que a verba seria privada e os religiosos poderiam dar qualquer finalidade a elas. No entanto, em 11 de setembro, a desembargadora Carmecy Rosa Maria Alves de Oliveira indeferiu o pedido de forma preliminar. Agora, a liminar tramita na 2ª Vara Criminal de Formosa, onde o mérito será julgado.   

Entre as alegações dos advogados, está a afirmação de que a denúncia "é uma verdadeira peça de ficção produzida desde as investigações exclusivas realizadas pelo Ministério Público, como que buscando transformar atividades corriqueiras do exercício religioso e sua gestão interna em tipos penais alheios à atividade da Igreja Católica".

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