Jornal Correio Braziliense

Cidades

Fraude no DFTrans: polícia busca novas provas de desvio no vale transporte

Nessa etapa, uma servidora do órgão e um ex-funcionário de um dos investigados anteriormente são o alvo


A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou mais uma fase da Operação Trickster, que investiga desvio bilionário no Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans). Por volta das 6h desta segunda-feira (12/11), equipes da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Ordem Tributária e a Fraudes (Corf) cumpriram três mandados de busca e apreensão no DF e no Entorno.

Os agentes apreenderam documentos, computadores e smartphones em Brazlândia e em Águas Lindas de Goiás. Nessa etapa, os alvos foram uma servidora do DFTrans e o ex-funcionário de um dos investigados na primeira fase.

O homem é suspeito de cometer crimes de corrupção ativa, associação criminosa e estelionato. No caso da servidora, ela é investigada por corrupção passiva e ativa e peculato. O delegado responsável por essa fase da ação policial, Jonatas Silva, explicou que o objetivo do mandado de busca e apreensão cumprido é reforçar o conjunto de provas para próximas fases da operação.

;Pelo menos da forma com que o esquema funcionava, desde a primeira fase da operação verificamos que a ação cessou, mas existem mais pessoas envolvidas e outros tipos de prova;, informou.

Delegado assessor da Corf, Jonatas relembrou que a fraude gerou prejuízo de aproximadamente R$ 1 bilhão aos cofres públicos. ;Apontamos para uma fraude no início, mas existem outros tipos de ações envolvendo o Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) e novas modalidades de crime sendo efetuadas;, ressaltou.

Agora, a Polícia Civil concentra em apurar outras fraudes. ;Descobrimos que criminosos retiam cartões de passe estudantil e descarregavam nos validadores dos ônibus e, também, compravam os cartões de pessoas que revendiam o benefício para também praticar o crime;, destacou.

Entenda o caso

A primeira fase da operação Trickster foi deflagrada em 15 de março para desmantelar um esquema que pode ter desviado pelo menos R$ 500 mil por semana. A suspeita é de que os criminosos usavam empresas fictícias, sem registro na Receita Federal, e com CNPJ falso, para a emissão de créditos para vale-transporte que seriam usados por seus empregados. Esses pedidos de crédito inseridos no sistema de bilhetagem geravam boletos de cobrança.
As empresas deveriam pagar ao DFTrans como parte do benefício para o transporte dos passageiros isentos da passagem, mas o valor nunca era pago e, mesmo assim, a fatura era registrada como quitada. A transação falsa e virtual criava créditos reais em cartões de transporte que, depois, eram descarregados nas catracas dos permissionários. Toda essa operação ocorria para que o GDF liberasse outra parte do montante correspondente à tarifa para o ressarcimento pelo transporte de passageiros que não existem.