Thiago Melo*
postado em 27/11/2018 16:36
Uma detenta de Luziânia (GO) morreu, na segunda-feira (26/11), após sentir falta de ar e perder os sentidos. A morte ocorreu por volta das 11h. A vítima, identificada como Divina Raimunda Soares, tinha cerca de 50 anos.
Em nota, a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) confirmou o óbito, informando que os agentes de plantão foram chamados por volta das 9h para atender a detenta na cela. Logo depois, acionaram o serviço de emergência e a escoltaram até uma Unidade de Pronto Atendimento fora do presídio.
Mas, segundo o texto, a mulher teria perdido os sentidos ainda no caminho da unidade de saúde. Chegou a receber atendimento emergencial, mas não resistiu. A DGAP acrescentou que "aguarda mais providências legais para informar o motivo do óbito".
Testemunhas
Duas pessoas que trabalham no presídio e que não quiseram se identificar contrariaram a versão dada pela DGAP, pois segundo, elas, depois que a mulher começou a passar mal, o atendimento médico foi negado. Elas afirmaram que a detenta tinha asma e precisava usar o inalador.
Elas afirmaram que uma carta foi enviada ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) denunciando a suposta negligência. No entanto, quando representantes do MPGO chegaram ao presídio, a mulher havia falecido. Elas disseram ainda que é comum detentas passarem mal dentro do presídio e serem negligenciadas pelos agentes. "Isso acontece sempre por lá, mas sempre abafam", disse uma delas.
Segundo o relato das testemunhas, a presidiária chegou a ajoelhar-se na frente da chefe de plantão da equipe de saúde e pedir que lhe dessem uma bombinha de ar, mas o pedido da mulher foi negado.
As testemunhas reforçaram que nenhum dos funcionários da equipe de saúde ajudaram a vítima, pois a ordem de ignorar a situação partiu da chefe da equipe de plantão médico. Ao serem trocadas as equipes de plantão, por volta das 8h30, a chefe da segunda equipe também teria ignorado a situação da detenta.
Após a chegada do MPGO, as testemunhas disseram que as chefes de plantão negaram que tivesse havido negligência e afirmaram que a detenta havia utilizado a bombinha de uma colega de cela.
Estagiário sob a supervisão de Guilherme Goulart