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Correio Braziliense

Chuvas turbinam faturamento de mecânicos e derrubam ganhos de lava a jatos

Oficinas mecânicas comemoram aumento de até 20% no faturamento. Shoppings, clínicas médicas e até o ramo da construção civil fatura mais no tempo das águas . Já os lava a jatos têm queda de 40% na procura pelo serviço


postado em 01/12/2018 07:00

Na época da chuva, o arquiteto Raizzer Pachelli reforça lubrificação da corrente e troca de óleo da moto(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Na época da chuva, o arquiteto Raizzer Pachelli reforça lubrificação da corrente e troca de óleo da moto (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
A temporada de chuva chegou para ficar e alguns segmentos do comércio não têm do que reclamar. Donos de oficinas mecânicas, restaurantes, lojas de calçados e de material de construção, além de ambulantes, comemoram o aumento do faturamento. E se depender do clima, o lucro desses setores tendem a  aumentar ainda mais. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é a de que o período chuvoso se estenda até o fim do ano.

Na AGM Pneus, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), o mecânico João Batista comemora o crescimento de 20% no faturamento. “Em setembro e novembro sempre mais clientes procuram a loja para fazer a revisão nos carros. O cuidado prévio de um carro popular custa cerca de R$ 3 mil”, revelou.  E quando a temporada das águas finalmente chega, é hora de consertar os danos provocados por buracos no asfalto. “São sempre as mesmas ocorrências: pneu cortado, roda amassada, balanceamento, alinhamento e suspensão dos veículos. Pelo menos um carro por dia chega com alguma dessas demandas”, conta João.

Na Honda, loja de revenda de motos, o gerente de vendas, Pablo Marra  conta que o estoque de proteção para a chuva como capas, luvas e botas precisa ser reforçado nesta época do ano. A lubrificação da corrente e a troca de óleo é o que leva o arquiteto, Raizzer Pachelli, 32, a autorizada da Honda no período chuvoso. “Preciso trazer minha moto para fazer a manutenção e evitar acidentes. As chuvas prejudicam a locomoção sobre duas rodas. Sofremos com os buracos e a falta de visibilidade”, disse.

Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Adelmir Santana, diz que vários setores lucram com a chuva. “Pneus furam, rodas amassam. Por isso, a venda de pneus sobem. A partir daí é necessário fazer regulação e enquadramentos dos carros, regular a direção. O setor fatura com isso. Tem ainda as clínicas de saúde. Muita gente gripa neste período”, ressaltou Adelmir.

Ao contrário do que muitos podem pensar, o setor da construção civil também fatura neste período. Se por um lado as grandes obras param, por outro, cresce a procura por produtos para fazer pequenos reparos nas residências. O comerciante Celso Cirtulo, 65, foi até a loja São Jorge comprar manta de alumínio para impermeabilizar o telhado da churrasqueira da casa dele. “Tem alguns dias que começou a pingar no meio da churrasqueira, por isso tive que antecipar a compra da manta de alumínio”, contou. O gerente de operações da  São Jorge, Rogelino Vilaça diz que a procura por este tipo de produto aumenta consideravalmente. “Normalmente temos um crescimento de até 30% desses artigos. As infiltrações fazem com que os clientes comprem bastante esses produtos”, revelou o gerente.

Na AC Coelho, a realidade é a bem parecida. No período de seca e calor a loja vende cerca de 6 mil telhas, com a chuva esse número chega a 12 mil telhas. “Tivemos ano que esse aumento representou até 80% mais do que já vendíamos. Temos que pedir esforços dos fabricantes para conseguir atender a demanda”, disse. O construtor Alex Goumide, 43, explicou que faz atendimentos vários casos de infiltrações e boa parte delas é na Asa Sul. “Os brasilienses têm o péssimo hábito de só fazer quando a situação aperta”.

Shoppings

Outro setor que tem faturado com a chuva, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do DF (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto, é o de shoppings que, além de um centro para compras, são também um espaço de lazer e convivência. O gerente da loja Luart Calçados, no Shopping Conjunto Nacional, Claudemir Xavier, 44, comemora a procura por sapatos fechados e botas. “As botas são destaque entre o público feminino. Em dois momentos as mulheres procuram mais por ela, em época de chuva e quando tem eventos sertanejos na cidade. A vendas chegam a 200%”, afirmou. Ainda segundo Claudemir, os homens costumam procurar mais sapatos fechados, como sapatênis, isso em qualquer época do ano, independente do clima. “No geral, é um bom momento para a loja”, completou.

Gerente da loja Baratão dos Calçados, na Rodoviária do Plano Piloto, André Rodrigues, 38, também está satisfeito com as vendas. As botas no estabelecimento, por exemplo, já acabaram. No entanto, ele não pretende repor, porque seus clientes tem procurado mais sapatos para as festas de fim de ano, como scarpin. “Até o início de novembro as buscas eram por botas e sapatos fechados de plástico. Agora o foco está mudando”, ressaltou.

Próximo a Rodoviária do Plano Piloto, o autônomo Rodrigo Carvalho, 31, vende uma variedade de produtos, mas nas últimas semanas a demanda é por guarda-chuvas e capas de chuvas. Para ele, os demais objetos não trazem tantos lucros no período, por isso deixa a mostra aquilo que mais sai na época chuvosa. “Também vendo acessórios para celulares, mas ninguém sai de casa para comprar coisas de celular na chuva. Apesar da concorrência, aqui tem lugar para todos”, disse o autônomo.

Quando a reportagem conversava com Rodrigo, a funcionária pública Cláudia Lúcia, 50, chegou para comprar guarda-chuva para todos da família.  “Nessa época do ano é o que mais compro e penso logo em todos da minha casa. Não tem como andar sem”, afirmou. Ela aproveitou a promoção do ambulante para encomendar capas de chuvas para ela e também os familiares.

Mas nem todo mundo lucra com o período chuvoso.  O gerente-geral do lava-jato Trancar, no SIA, Bruno Lima revelou que a procura por lavagem, higienização, proteção de pintura, polimento caem em até 40% quando comparado com o período de seca e calor. “Os clientes alegam que lavar carro no período chuvoso é jogar dinheiro no lixo. Estou nesse ramo há 15 anos e sempre foi assim, nos preparamos para o período de baixa procura”.

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