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Correio Braziliense

Reservatório do Descoberto atinge o maior nível da década

Governo garante que, após dois anos de problemas no abastecimento, a preocupação ficou no passado. Principal reservatório começou o mês com o maior volume para o período na década. Próxima gestão do Executivo local promete atenção com o setor


postado em 02/12/2018 07:00 / atualizado em 01/12/2018 21:58

Reservatório do Descoberto está com mais de 80% da capacidade, cenário bem diferente de um ano atrás(foto: Marilia Lima/CB/D.A Press)
Reservatório do Descoberto está com mais de 80% da capacidade, cenário bem diferente de um ano atrás (foto: Marilia Lima/CB/D.A Press)
Após mais de dois anos de escassez hídrica, o Governo do Distrito Federal garante que a crise de abastecimento está resolvida. O reservatório do Descoberto começou o mês de dezembro com o maior volume para o período nesta década. O aumento no índice de chuvas é o principal responsável e, com a expectativa de que as precipitações continuem a alcançar pelo menos a média histórica até fevereiro, o corpo d’água que abastece cerca de 60% do Distrito Federal pode chegar à capacidade máxima pela primeira vez desde abril de 2016.

Há um ano, a realidade do Descoberto era muito distante da atual. Em novembro de 2017, o reservatório chegou a 5,3%, o menor nível da história. À época, chegou-se a estudar aumento no corte de abastecimento para dois dias por semana, o que preocupou a população e os setores produtivos. Em medição esta semana, o Descoberto marcou 83,1% da capacidade máxima. A última vez que o reservatório teve volume maior que esse no período foi em 2009, quando marcou 97,7% (veja gráfico).

Para o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), o aumento é decorrente da temporada de chuvas intensas, combinado com a estratégia do governo de combate à crise hídrica. “É muito bom podermos comemorar a abundância das chuvas que levaram o Descoberto a ter o seu maior volume da década neste período”, afirma.

Rollemberg destaca também o esforço da população em economizar água, a construção de duas novas frentes de captação — Bananal e a emergencial, do Lago Paranoá — e o apoio do meio rural, que, segundo ele, dão certeza ao governo de que “a crise de abastecimento foi vencida”. “A situação do Descoberto, hoje, nos dá alegria e a certeza de que agimos de maneira correta, apesar de todas as críticas”, completa.

Futuro

Com a melhora, o próximo governo pegará uma situação menos crítica, mas garante que continuará investindo para que o DF não viva outra crise hídrica. A prioridade é colocar em pleno funcionamento o reservatório de Corumbá IV, que tem previsão de entrar em operação assistida até 31 de dezembro deste ano. O futuro presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Fernando Leite, participou do projeto inicial da obra, no começo dos anos 2000, quando comandava a companhia durante o governo de Joaquim Roriz.

Além disso, Leite afirmou, durante a primeira coletiva após a indicação para o cargo, que pretende retomar o projeto de captação permanente do Lago Paranoá. Em 2005, a Agência Nacional de Águas (ANA) concedeu outorga para retirada de até 2,5 mil litros de água por segundo do Lago Paranoá. A expectativa era que a obra custasse R$ 500 milhões, mas a verba não foi arrecadada.

Em março de 2017, no auge da crise hídrica, o Ministério da Integração Nacional liberou R$ 55 milhões para o GDF construir um sistema de captação e tratamento de água emergencial, com capacidade de retirar 700 litros de água por segundo — a obra foi inaugurada em outubro de 2017.

A ideia de Leite é viabilizar o projeto original, com captação de 2,5 mil litros por segundo — a mesma quantidade de água que o DF receberá de Corumbá IV quando o sistema estiver em plena operação, o que é esperado para meados de 2019.

Para o ecossociólogo Eugênio Giovenardi, especialista em recursos hídricos, o principal responsável pelo aumento do volume é o período chuvoso. “Não podemos contar que isso aconteça todos os anos. Acredito que é necessário investir em programas de incentivo ao cuidado a áreas de nascentes e de impermeabilização do solo, para assim ampliar a capacidade de reter água das chuvas”, opina.

Em novembro, choveu 370 milímetros por metro quadrado, 63% a mais do que a média histórica para o período, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A expectativa para dezembro e janeiro é de, respectivamente, 246.6 e 274,4 mm.



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