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Correio Braziliense

Deputado eleito Luis Miranda se diz arrependido de entrar na política

'Eu não disputaria se fosse hoje. Teria ficado em Miami, quietinho', disse o democrata em entrevista ao programa CB.Poder, do Correio e da TV Brasília


postado em 04/12/2018 14:25 / atualizado em 04/12/2018 15:04

Apesar do arrependimento, Miranda garante que não vai desistir do mandato e que lidará com a frustração 'trabalhando'(foto: TV Brasília/Reprodução)
Apesar do arrependimento, Miranda garante que não vai desistir do mandato e que lidará com a frustração 'trabalhando' (foto: TV Brasília/Reprodução)
Eleito deputado federal pelo Distrito Federal com 65.107 votos, o empresário e youtuber Luis Miranda (DEM) disse que se arrependeu de ter se candidatado ao cargo público. A declaração foi feita em entrevista no programa CB.Poder, parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília (assista a íntegra abaixo). 

"Eu não disputaria se fosse hoje. Teria ficado em Miami, quietinho. Depois da eleição, comecei a ter inimigos que nunca fiz nada contra eles", afirmou Miranda, que se tornou conhecido ao publicar na internet vídeos comparando o padrão de vida de Miami, onde morava, com o brasileiro.
 
O motivo do arrependimento, segundo o parlamentar eleito, é o excesso de críticas e supostas perseguições feitas por adversários. Miranda disse que recebeu ameaças e precisou contratar seguranças profissionais. "Eu já peguei carros me seguindo e pessoas com escutas apontadas para mim", afirmou. "Tem gente que quer tomar meu mandato no tapetão e que entrou com ação contra mim dizendo que dei iPhones para eleitores", acrescentou. 
 
Para Miranda, o estilo e a inovação incomodam. "Se eu quiser fazer algo, não poderei ser eu. Eu estou sendo extremamente atacado nas redes sociais." Ele preferiu não revelar qual a autoria e o teor das ameaças, mas disse que o caso já está sendo investigado pela polícia. 
 
Apesar do arrependimento, o deputado federal eleito garante que não vai desistir do mandato e que lidará com a frustração "trabalhando". "Tenho certeza absoluta de que, se fizesse isso, minha credibilidade despencaria. As pessoas que votaram em mim querem que eu trabalhe. Imagine a decepção deles. Vou lidar com isso gerando resultados”, assegurou. 
 

Ressalvas a Ibaneis e Bolsonaro

O parlamentar comentou as escolhas do governador eleito Ibaneis Rocha (MDB) para compor a equipe de governo. "Ele está indo contra o que a população mostrou que queria. Ele trouxe o velho para dentro de Brasília, mas a gente espera que esse velho venha com experiência", disse sobre nomeações de secretários que participaram de governos anteriores, muitos deles do govenro Temer. 

Mesmo com a crítica, Miranda pondera que a estratégia de Ibaneis pode dar certo ao trazer para o DF nomes com experiência em ministérios. "Ele pode estar acertando e nós estamos criticando por ser novidade. Temos de esperar. No entanto, de fato, não é isso que a população queria."

O presidente Jair Bolsonaro também tem ações reprovadas pelo futuro parlamentar, principalmente em relação à política externa. "O Brasil tem de tomar cuidado. A China vem galgando espaço e tentando fazer parceria com grandes celeiros. Se nós soubermos tratar desse tema, nós vamos ter essa oportunidade. É perigoso focar só nos EUA e deixar a China de lado", analisou. "É o mesmo caso de Israel. A comunidade árabe consome muita carne nossa. Bolsonaro precisa entender que não está mais em campanha. Política não é só escolher um lado, tem de negociar", completou. 

 
Defesa do empreendedorismo 

A bandeira de Miranda na Câmara dos Deputados será a defesa do empreendedorismo e a geração de empregos. Ele reclama da ausência de apoio para a inovação e para a criação de negócios. "O Brasil precisa mudar o conceito de que o empresário é o vilão. O bom empresário é o que gera emprego, que ajuda o governador. No nosso país, o empreendedorismo não é levado a sério a não ser quando se está no topo ou em conluio com políticos."

Questionado sobre qual seria o próximo passo na política, Miranda afirmou que haverá um clamor para que ele dispute a Presidência da República. "Não nas próximas, espero que Bolsonaro vá bem e quero reelegê-lo, mas, pelas minhas atitudes, acredito nisso."


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