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Correio Braziliense

Polícia prende estelionatários por golpes contra pelo menos 30 mulheres

Integrantes do grupo se passavam por representantes de associações de servidores federais para enganar, principalmente, mulheres. Os valores repassados pelas vítimas variavam de R$ 3,8 mil até R$ 96 mi


postado em 07/12/2018 15:49 / atualizado em 07/12/2018 17:08

Grupo pedia valores que variavam de R$ 3,8 mil a R$ 96 mil às vítimas(foto: Augusto Fernandes/Esp. CB/D. A. Press)
Grupo pedia valores que variavam de R$ 3,8 mil a R$ 96 mil às vítimas (foto: Augusto Fernandes/Esp. CB/D. A. Press)
 
A Polícia Civil do Distrito Federal, por meio da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), prendeu cinco pessoas nesta sexta-feira (7/12) acusadas de aplicar estelionatos em servidoras públicas aposentadas de associações federais. A organização criminosa enganava as vítimas com a notícia de que elas haviam ganhado ações judiciais. Para receber o suposto dinheiro, elas tinham que transferir um valor referente a encargos federais para a quadrilha. Em Brasília, pelo menos 30 mulheres caíram no golpe.
 
Delegada-chefe da Deam, Sandra Melo explicou que os integrantes do grupo se passavam por representantes das associações federais e entravam em contato com as vítimas por telefone. A associação optava por mulheres aposentadas, especialmente idosas. O valor das ações judiciais que cada uma das vítimas teria ganho variava de R$ 40 mil a mais de R$ 100 mil. 

“É um golpe conhecido como Golpe do Precatório. Os criminosos dividiam as tarefas no grupo. Muitos se passavam por auditores e procuradores federais das associações às quais as mulheres estavam ligadas, para convencê-las sobre a decisão da Justiça. Após isso, eles pediam os depósitos. Os valores repassados pelas vítimas também variavam. Até o momento, descobrimos que as transferências iam de R$ 3,8 mil até R$ 96 mil”, contou Sandra. Com o dinheiro arrecadado dos golpes, o grupo comprou carros de luxo, eletrodomésticos e outros itens.

Os cinco integrantes capturados hoje estavam em Goiânia (GO), onde moravam. Quatro deles foram apreendidos de forma preventiva e o último, em flagrante. “Trata-se de uma organização criminosa que atua em várias unidades da Federação. A quantidade de vítimas pode chegar à casa dos milhares. Agora, vamos depurar tudo o que foi apreendido e fortalecer as diligências”, apontou Sandra.

De acordo com a delegada, a investigação foi minuciosa. A Polícia Civil teve autorização judicial para fazer escutas telefônicas e quebrar sigilos bancários e fiscais. As próprias associações federais e alguns bancos também auxiliaram a corporação. “Foi uma operação muito exitosa e estamos orgulhosos de desmantelar a organização. Quatro dos “cabeças” da quadrilha foram presos. Mas a nossa ação não se encerra aqui. Vamos dar continuidade para localizar mais envolvidos”, garantiu Sandra.

Grupo responderá por oito crimes

Se condenados, os criminosos podem responder por estelionato consumado, estelionato tentado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, porte ilegal de arma, porte ilegal de munições, porte ilegal de droga e falsa documentação.

A Polícia Civil investigará se pessoas ligadas às associações federais facilitaram as ações do grupo, disse Sandra. “Recolhemos materiais importantíssimos, como computadores, celulares e cadernos de anotações, que indicam os nomes de algumas pessoas dessas associações. Não vamos descartar nenhuma hipótese.”

Com esta prisão, a Polícia Civil espera que mais vítimas se encorajem a denunciar o golpe. “Tenho certeza de que outras pessoas que tenham sido enganadas se sentirão mais confiantes para procurar a polícia. Além disso, esperamos que as associações envolvidas nos procurem. Estamos imbuídos no sentido de ajudar as vítimas”, frisou Sandra.

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