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Correio Braziliense

Réu por desvio em igreja, advogado é preso por ligação com outro esquema

Edimundo da Silva Borges Júnior também é réu na operação Caifás, que descobriu um esquema de desvio de verbas na Igreja Católica Apostólica Romana em Formosa (GO)


postado em 07/12/2018 20:49 / atualizado em 07/12/2018 20:55

O Ministério Público de Goiás deflagrou a quarta fase da Operação Mãos à Obra na madrugada desta sexta-feira(foto: Fagner Pinho/Assessoria de Comunicação Social do MP-GO)
O Ministério Público de Goiás deflagrou a quarta fase da Operação Mãos à Obra na madrugada desta sexta-feira (foto: Fagner Pinho/Assessoria de Comunicação Social do MP-GO)
 

O advogado Edimundo da Silva Borges Júnior, está foragido. Ele é réu na operação Caifás, que descobriu um esquema de desvio de verbas de R$ 2 milhões na Igreja Católica Apostólica Romana em Formosa (GO) e também é investigado na Operação Mãos à Obra, que apura irregularidades detectadas em contratos na Câmara Municipal de Planaltina de Goiás. O defensor é ex-procurador jurídico do órgão.

Os municípios goianos de Planaltina de Goiás e Formosa ficam, respectivamente, a 59,7km e 80,9km de Brasília. O Ministério Público de Goiás deflagrou a quarta fase da Operação Mãos à Obra na madrugada desta sexta-feira (7/12). O caso está a cargo da 4ª Promotoria de Planaltina de Goiás, coordenada pelo promotor Rafael Simonetti.

O MPGO e a Polícia Civil de Goiás cumpriram, na manhã de hoje, um mandado de prisão temporária contra Edimundo, e outro preventivo contra Fábio José de Souza Rodrigues, ex-gestor de Contratos da Câmara Municipal de Planaltina de Goiás. As forças de segurança também cumpriram outros dois mandados de busca e apreensão.

Segundo informações da comunicação do MPGO, Fábio já tinha sido alvo de um mandado de prisão temporária na última semana, em Formosa, na terceira fase da Mãos à Obra. Na casa do suspeito, promotores e policiais encontraram mais de 100 cheques guardados em diversos cômodos. Ele também é  investigado por outras infrações cometidas na Câmara Municipal de Planaltina.

Fábio é suspeito de aquisição de bens e contratação de serviços de forma fraudulenta. Investigadores acreditam que ele  e não poderia ter cometido as irregularidades sem a ajuda de Edimundo, que seria o responsável pela adulteração de procedimentos ilegais para evitar processos administrativos ou judiciais.

Trabalhos intensos

Nas investigações, o promotor Rafael Simonetti tem ajuda do Centro de Inteligência do MP-GO. Participam dos trabalhos, ainda outros três promotores de Justiça, dois delegados e de 11 agentes da Polícia Civil de Goiás.

Simonetti deflagrou a Operação Mãos À Obra no começo de novembro. A primeira fase culminou na prisão do então prefeito da cidade, André Luiz Magalhães (PRB), mais conhecido como Pastor André, que, na época dos crimes, era presidente da Câmara de Planaltina. O político e religioso é suspeito de fraudar contratações de empresas e superfaturar obras, além de desviar recursos do erário. Empresários e servidores da Câmara de Planaltina também foram presos.

A segunda fase da ação aconteceu na última semana, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na sede da Câmara Municipal. Na terceira fase, o MP detectou que o ex-gestor de Contratos da Câmara de Planaltina utilizou-se de ligações com o servidor do Banco do Brasil para descontar cheques da Câmara, com fraude no endosso para sacar dinheiro em espécie e repasse de uma porcentagem para o gerente.

Operação Caifás

Deflagrada em 19 de março, a Operação Caifás, a cargo do Ministério Público do Estado de Goiás, investiga 11 pessoas por desvios de mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica. A suspeita é de que eles tenham adquirido propriedades, veículos e joias com dinheiro faturado de casamentos, batizados e eventos promovidos pelas paróquias. O então bispo de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro, é apontado como líder do esquema. Ele renunciou ao cargo meses após o início das investigações.

Edimundo era advogado da Diocese de Formosa e a suspeita é de que ele participasse do esquema criminoso. Ele responde por falsidade ideológica e associação criminosa.

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