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Correio Braziliense

Com confiança em alta, indústria aposta em melhora em 2019

O índice que mede a confiança de empresários brasilienses nas condições atuais e a expectativa para os próximos seis meses é o maior dos últimos oito anos, devido aos novos governos. Número cresceu 10,2 pontos em relação a outubro


postado em 08/12/2018 07:00

"É um índice de confiança, que se concretiza, após o momento de entusiasmo e otimismo, com as ações efetivas dos governos. A confiança é o primeiro elemento, mas é necessário que as medidas sejam postas em prática para se consolidar", afirma Jamal Bittar, presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 20/5/15 )
O empresariado brasiliense espera uma melhora na economia da capital com as posses de Ibaneis Rocha (MDB), no Governo do Distrito Federal e de Jair Bolsonaro (PSL), na Presidência da República. Detectado por meio de pequisa realizada pela Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), o Índice de Confiança do Empresário Industrial do Distrito Federal (ICEI-DF) de novembro é o maior desde maio de 2010. Com 65,3 pontos, o número representa aumento de 10,2 pontos em relação a outubro. Em comparação ao mesmo mês em 2017, o crescimento foi de 9,1 pontos. O levantamento, feito em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi realizado entre 1º a 14 de novembro, com 141 empresas.

Dois parâmetros são usados para medir o ICEI-DF: o Indicador de Condições Atuais, que leva em conta a análise dos empresários sobre o presente; e o Indicador de Expectativas, que considera a perspectiva para os próximos seis meses. O primeiro parâmetro chegou a 53,2 e cresceu 9,9 pontos em relação ao mês anterior. Com isso, ultrapassou os 50 pontos pela primeira vez nos últimos seis meses. Em novembro de 2017, o valor era de 48,9. De acordo com a metodologia utilizada, resultados acima de 50 (numa escala de 0 a 100) sinalizam confiança. Nas expectativas para os próximos seis meses, o índice subiu para 71,4 pontos, 10,2 a mais do que o mês anterior. Em novembro de 2017, o indicador era de 60.

A vitória de Ibaneis Rocha nas eleições é o principal fator para o aumento da confiança e da expectativa dos empresários, segundo economista Roberto Piscitelli, da Universidade de Brasília (UnB). Promessas de redução de impostos, melhoria salarial e diminuição da desburocratização influenciaram o setor e alimentaram o otimismo. “Ele (Ibaneis) tem um perfil mais empreendedor, falou muito em mais facilidade para abrir empresas e resolver problemas com o governo. Isso representa redução de custos para os empresários e rapidez para realização de projetos”, acredita o especialista.

A visão é referendada pelo presidente da Fibra, Jamal Bittar. Ele acredita que as mudanças de governos impulsionaram a confiança do empresariado, mas também destaca a perspectiva de aprovação da Lei de Uso e Ocupação do Solo e a mudança na legislação que permite equiparar incentivos fiscais do DF com os de Goiás para o crescimento do índice. “Tudo isso criou um ambiente de otimismo, que é o primeiro passo para avançarmos”, ressalta Bittar.


Cautela


Apesar de ser apenas um índice que avalia o posicionamento de empresários, Piscitelli destaca que o aumento no ICEI-DF pode representar avanços concretos para a população. “As expectativas em economia têm importância muito grande na consumação das ações. Se os empresários estão mais otimistas e mais confiantes, eles tendem a gastar mais, a assumir mais compromissos e a acreditar mais no futuro. Isso levaria a ampliar e lançar empreendimentos e a empregar mais gente”, avalia.

O otimismo, no entanto, precisa ser visto com cautela, para o especialista. O momento ainda é delicado e é difícil prever quais os próximos passos, diz. “O clima de incertezas e de indefinição permanece, pois há ainda incertezas sobre os rumos da economia. No curto prazo, é difícil prever perspectivas no emprego e na renda”, observa.

Jamal Bittar diz ser preciso efetivar medidas governamentais para a concretização. “É um índice de confiança, que se concretiza, após o momento de entusiasmo e otimismo, com as ações efetivas dos governos. A confiança é o primeiro elemento, mas é necessário que as medidas sejam postas em práticas para se consolidar.”

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