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Correio Braziliense

'Pôs minha mão na calça dele', diz mulher sobre sessão com João de Deus

Moradora de Valparaíso de 41 anos acusa o médium João de Deus de a ter molestado em 1999. À época, ela se tratava de uma depressão


postado em 09/12/2018 11:41 / atualizado em 09/12/2018 13:21

João de Deus: acusações de abuso sexual aumentam(foto: Pedro Ladeira/AFP)
João de Deus: acusações de abuso sexual aumentam (foto: Pedro Ladeira/AFP)
Com a repercussão das denúncias de abusos sexuais contra o médium João Deus, diversas mulheres têm passado a dizer que também foram vítimas do religioso. Após uma moradora do Noroeste dizer ao Correio que foi assediada por João de Deus em 2006, uma segunda mulher relatou ao jornal ter tido uma experiência semelhante, em 1999.

Moradora de Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Fereral, a mulher, de 41 anos, diz que procurou o médium em Abadiânia (GO) para tratar de uma depressão. Segundo ela, numa das consultas espirituais, o religioso pegou a mão dela e colocou dentro de sua calça. 

"Quando saímos do salão de orações coletivas, onde recebemos passes, ele já estava na sala reservada. Um dos ajudantes permitiu que eu ficasse sozinha com ele. Eu ia sentar no sofá, mas ele não deixou. Pediu para que eu ficasse de pé", diz. Neste momento, a mulher prossegue, João de Deus teria "incorporado uma entidade".

"Ele começou a me apalpar, tremendo e gemendo. Dizia no meu ouvido que era oração. Ele pegou minha mão e a colocou dentro da calça dele. Eu fechei a mão. E ele dizia para eu abrir a mão. Ele reclamou: 'Filha, você não quer ficar curada?'. E pedia para eu segurar (o pênis dele)", relata. 

Mesmo com a negativa, as investidas teriam continuado, segundo a moradora de Valparaíso. "Fiquei num estado catatônico. Fui surpreendida com essa situação asquerosa. Eu só queria me livrar daquilo. Ele colocou as duas mãos no meu ombro e pediu que eu me abaixasse para fazer sexo oral, mas não fiz. Afastei ele e disse que não queria mais", completa. 

"Perdi a fé" 

Com medo de represálias, ela pede para não quer ser identificada. Na segunda-feira (10/12), ela pretende procurar um advogado e fazer uma denúncia à polícia ou ao Ministério Público. "Durante muito tempo, eu tive medo, pela importância que ele tem no país. Como acreditariam em mim? Esperei muito tempo, fiquei com muita vergonha, medo. Eu me senti humilhada. É um trauma que nunca será esquecido, mas agora vamos evitar que outras mulheres passem por isso", desabafa. 

Hoje, casada e mãe de duas filhas, de 14 e de 6 anos, ela diz que segue em frente, mas com a religiosidade abalada. "Perdi a fé. Não frequento mais lugar nenhum. Criei minhas filhas com muita cautela. Só pensava que elas poderiam ser vítimas de uma atrocidade dessas. Fico mais aliviada que a verdade tenha aparecido. É como tirar um peso das minhas costas", conclui.

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