Cidades

Rodrigo Rollemberg afirma que fará oposição a Ibaneis e Bolsonaro em 2019

Em entrevista ao CB.Poder, o governador criticou a redução da jornada de trabalho de servidores da saúde e os altos salários de algumas categorias

Mariana Machado
postado em 17/12/2018 15:05
Rollemberg disse que no ano que vem voltará ao cargo de servidor do Senado, onde vai trabalhar na liderança do PSB
O governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB) fez um balanço do mandato e expectativas para o próximo ano em entrevista ao CB.Poder, uma parceria do Correio com a TV Brasília. Mais uma vez, ele reforçou a declaração de que o governador eleito, Ibaneis Rocha (MDB), vai encontrar em caixa mais de R$ 600 milhões para administrar a capital, além de afirmar que todos os servidores estão com o salário em dia. Ele relembrou da dívida de R$ 3 bilhões que herdou do governo do petista Agnelo Queiroz e completou dizendo que o próximo governo terá pela frente obras já aptas e com licenciamento ambiental, como creches, escolas técnicas e infraestrutura em Vicente Pires.
Questionado sobre as dificuldades orçamentárias enfrentadas pelo DF ao longo dos últimos anos, Rollemberg culpou a irresponsabilidade fiscal, mas não citou nomes. "Brasília viveu um tempo em que se imaginava que os recursos eram infinitos. Foram dados aumentos muito acima da realidade, foram feitas redução da jornada de trabalho fora da realidade. Hoje, todos os servidores da saúde têm jornada de 20 horas e isso só acontece no Distrito Federal. Claro que isso tem impacto muito grande."
A redução da jornada de trabalho dos servidores da saúde foi inclusive criticada pelo atual governador. "Perdemos do dia para noite 17% da mão de obra. Como repõe em período de crise, com dificuldades de contratar porque já estava com os limites ultrapassados pela Lei de Responsabilidade Fiscal? Isso trouxe um impacto enorme na saúde porque a grande dificuldade de fechar escala é por causa disso. Quem perde com isso é a população", criticou.
Outro alvo de Rollemberg foi os altos salários de algumas categorias. "Defendo que os servidores ganhem bem e tenham bom salário, mas a gente tem que saber que não pode ter 81% do orçamento comprometido com pagamento de salário e benefícios. Isso torna o estado insustentável", concluiu.

Oposição

O socialista reforçou que, em 2019, voltará ao cargo de analista legislativo que ocupa no Senado, de onde pretende fazer oposição com o PSL, tanto ao governo Ibaneis quanto ao governo federal de Jair Bolsonaro (PSL). "Tenho defendido no partido que se faça uma oposição qualificada, ou seja, que se estude com profundidade os temas que vão ser agenda nacional e para poder oferecer alternativas que sejam boas à população."
Apesar de ter entrado com uma ação judicial contra Ibaneis antes do segundo turno das eleições por suposta compra de votos, Rollemberg afirmou que respeitará a decisão das urnas e desejou sucesso ao emedebista. "Não vou tentar um terceiro turno." Ele mencionou ainda que, durante os quatro anos que ocupou o Palácio do Buriti, recebeu ajuda de deputados da oposição em muitos casos.


Esquerda


Sobre as derrotas que os partidos de esquerda sofreram na maioria dos estados, Rollemberg avaliou que isso partiu de um sentimento de renovação da população. Segundo ele, o futuro das legendas vai depender da atuação nos próximos anos. "Se atuar de forma responsável com o país, certamente vai crescer e recuperar muito espaço." Além disso, o governador acredita que o desempenho do presidente eleito terá interferência direta no crescimento ou não da esquerda no país. "Se ele conseguir reaquecer a economia e gerar empregos, vai ficar mais difícil para a esquerda recuperar espaço. O que é importante é o respeito à democracia, um valor que não podemos abrir mão de forma alguma", concluiu.
Rollemberg disse ainda que Bolsonaro precisará ter uma boa interlocução com o Congresso Nacional para fazer um bom governo. "Nenhum governante consegue trabalhar sem o Congresso. As reformas importantes que o Brasil precisa enfrentar, como política, previdenciária e tributária, dependem do Congresso e são essas que podem construir um Brasil mais moderno, um Estado mais eficiente que cumpra seu papel de ser indutor do desenvolvimento e redutor das desigualdades sociais."

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