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Correio Braziliense

"Se não voltar, vou te matar", dizia acusado de assassinar mulher no Natal

Ricardo Rodrigues é indicado como autor do feminicídio de Natacha Cristina Rocha dos Santos e está foragido. Crime aconteceu na Estrutural


postado em 25/12/2018 19:17 / atualizado em 26/12/2018 09:18

Ricardo Rodrigues, 21 anos, acusado de matar a facadas a ex-companheira(foto: Arquivo pessoal)
Ricardo Rodrigues, 21 anos, acusado de matar a facadas a ex-companheira (foto: Arquivo pessoal)
 A polícia procura Ricardo Rodrigues, 21 anos, acusado de matar a facadas a ex-companheira e ferir a irmã dela, na madrugada desta terça-feira (25/12). O crime aconteceu no Setor Norte da Cidade Estrutural, após confraternização do feriado de Natal. De acordo com familiares e testemunha, o suspeito chegou alterado ao local. Após discussão com a ex-mulher, Natacha Cristina Rocha dos Santos, 22 anos, ele cometeu o assassinato. A vítima deixa um filho de 5 meses, fruto do relacionamento com o homem. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e tentativa de homicídio.

 

Natacha Cristina Rocha dos Santos, 22, não resistiu aos ferimentos(foto: Arquivo pessoal)
Natacha Cristina Rocha dos Santos, 22, não resistiu aos ferimentos (foto: Arquivo pessoal)
Segundo familiares de Natacha, a jovem e a irmã, de 21 anos, estavam em frente ao prédio onde moram quando Ricardo apareceu no local de carro. “Ele estava louco, atrás de drogas. Tinha uma arma caseira e a faca. De repente, atacou primeiro a (irmã). Só que Natacha tentou intervir. Nesse momento, Ricardo deu uma facada no coração dela. Depois de fazer isso, entrou no carro e saiu desesperado. Desde então, ninguém sabe dele”, contou uma parente, que não quis se identificar.

 

Moradores que viram a agressão pediram ajuda a um homem de 26 anos, que passava de carro pela rua acompanhado da mulher. Ele parou o veículo e levou as duas para o Hospital Regional do Guará (HRGU). Segundo a Comunicação da Polícia Militar, não havia médico na unidade para prestar atendimento, informação confirmado pela irmã das jovens. 

 

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o homem realmente procurou o hospital para atendimento, questionando se havia cirurgião no local. Um servidor informou que não há essa especialidade na unidade, mas que "havia um clínico geral e que a referência da região para cirurgia é o Hran (Hospital Regional da Asa Norte)". O casal, então, retornou ao veículo e saiu em disparada. A pasta explicou que o quadro de médicos estava completo e que se solidariza com a família das vítimas.

 

O homem tentava levar as irmãs para o Hran quando passou em frente ao grupamento do Corpo de Bombeiros, também no Guará. Ele parou no quartel, onde ocorreu o atendimento. Natacha estava quase sem pulso e com as pupilas dilatadas. Por isso, os militares realizaram manobras para reanimação por cerca de 20 minutos, auxiliados por socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Contudo, ela não resistiu. A irmã está internada numa unidade de saúde, fora de risco. 


Relacionamento conturbado

Natacha estava separada do ex-marido há um mês, após outro episódio de agressão. À época, ele teria jogado uma garrafa de alumínio na cabeça da vítima, que sofreu um corte fundo. Ela pegou os pertences e se mudou para a casa do pai, também na Estrutural. Familiares informaram que o acusado não aceitava o fim do relacionamento. A mulher tinha uma medida protetiva contra Ricardo.

 

Os dois ficaram juntos por quatro anos e tiveram um filho, que vivia com a mãe. Atualmente, a vítima morava com três irmãs — incluindo a ferida —, o pai e a mãe. 

 

“Ele sempre aparecia na casa, muitas das vezes usava o filho como desculpa para persegui-la. Em várias ocasiões, quando ele estava 'doidão', fazia ameaças. Dizia coisas como: ‘se você sair, vai acabar morta’; ‘se não voltar, vou te matar’”, relatou um familiar.

 

Enquanto a reportagem estava no local do crime para conversar com testemunhas e familiares, houve ameaças. A região é considerada perigosa.


29 feminicídios

De janeiro a novembro deste ano, houve 27 casos de feminicídio no Distrito Federal, segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP/DF). Em 2017, foram 18 registros, o que significa um aumento de quase 50%. Em dezembro, este é o segundo caso noticiado pelo Correio, totalizando 29 feminicídios.

 

Em 10 de dezembro, Mônica Benvindo da Costa, 26, foi esfaqueada pelo marido, Wdson Luiz Santos de Souza, 23. O caso ocorreu na QNM 20, em Ceilândia. Eles bebiam com amigos em casa. O suspeito pegou celular da vítima e viu mensagens que o irritaram. Quando as visitas saíram para ir à distribuidora, o homem partiu para a violência. 

 

À época, Wdson fugiu logo após golpear a mulher. Testemunhas relataram que, quando os amigos voltaram para a residência, tentaram ajudar Mônica. Socorristas do Samu chegaram a ir até o local, contudo, ela estava morta. O casal tinha um relacionamento conturbado, com brigas frequentes. Eles passaram por uma separação e reataram o relacionamento cinco meses antes do feminicídio. 

 

Wdson Luiz foi preso em 12 de dezembro, por agentes da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro). Ele estava na rodoviária de Águas Lindas (GO), se preparando para fugir para o seu estado natal, a Bahia.

 

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