Publicidade

Correio Braziliense

Polícia Civil do DF fecha megafábrica de ecstasy em Santa Catarina

Operação deflagrada pela Cord apreendeu duas máquinas com capacidade de produzir 4 mil comprimidos por hora. Esquema enviava drogas pelos Correios


postado em 25/12/2018 19:35 / atualizado em 25/12/2018 19:37

Traficantes produziam as drogas em Santa Catarina e enviavam para todo o Brasil(foto: PCDF/Divulgação)
Traficantes produziam as drogas em Santa Catarina e enviavam para todo o Brasil (foto: PCDF/Divulgação)
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou laboratório de drogas sintéticas em Santa Catarina. Segundo a corporação, as duas máquinas instaladas no local tinham capacidade para produzir 4 mil comprimidos por hora. Os entorpecentes eram distribuídos para diversos locais do Brasil. Além de desativar a fábrica, os policiais prenderam um homem de 29 anos que é considerado um dos grandes produtores de drogas da região.

A PCDF chegou ao laboratório catarinense por meio de informações descobertas em operações anteriores contra substâncias sintéticas dirigidas pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) em Brasília. A investigação que levou ao laboratório, por exemplo, começou com a prisão de um usuário na Asa Norte. Por meio dele, os agentes chegaram até intermediários que atuavam em São Paulo e na Bahia. O ponto alto da operação foi na última terça-feira (18/12), quando os agentes desarticularam a produção no laboratório de Santa Catarina.

No local, que funcionava em um sítio alugado pelo traficante apenas para esta finalidade, a Cord encontrou duas máquinas de produção em grande escala e material que poderia ser transformado em 50 mil comprimidos. A sofisticação e organização do laboratório causaram surpresa nos agentes. “A produção era grande. O traficante entrava no sítio e ficava 72 horas fabricando comprimidos que depois eram revendidos”, detalhou Erick Sallum, delegado responsável pelo caso.

Além da capacidade de produção, o “modelo de trabalho” dos envolvidos - homens de classe média - também chamou a atenção dos policiais brasilienses. De acordo com informações da corporação, toda a comunicação entre eles era realizada através de aplicativos de mensagens de celular. Para o envio dos entorpecentes, os criminosos usavam os Correios na tentativa de evitar chamar a atenção das autoridades catarinenses. “Era o meio logístico deles”, explicou Sallum. 

Além dos milhares de comprimidos prontos, a PCDF apreendeu moldes de diversos formatos, produtos químicos, 1kg de MDA puro, anabolizantes e R$ 5 mil em espécie. Todo o material chegou à sede da Cord nesta quarta-feira (26/12). O traficante preso também foi encaminhado ao Distrito Federal e está à disposição da 3ª Vara de Entorpecentes do DF, onde será julgado por tráfico de drogas.

Ao todo, oito agentes da PCDF participaram da Operação Merry Christmas, que recebeu esse nome devido ao fato do alto poder de lucro que o traficante teria no período de festas natalinas. Segundo Sallum, não há dúvida de que se trata do maior e mais bem elaborado laboratório de drogas sintéticas já desarticulado pela Polícia Civil do DF na história da corporação.

Cord acredita em mais laboratórios pelo país

Com base nas primeiras diligências apuradas com o homem preso, o delegado Erick Sallum acredita que esta pode ser apenas a porta de entrada de um esquema maior de produção de drogas sintéticas no Brasil. A corporação acredita, inclusive, na existência de outros laboratórios de produção espalhados pelo país. Para Sallum, a fabricação em território nacional já se equivale ao número de comprimidos importado. 

“O traficante disse se considerar médio e conhecer outros que produzem ainda mais. É um mundo à parte do narcotráfico, já que os envolvidos não atuam por organizações criminosas. Está muito maior do que achávamos”, pontuou o delegado. “As polícias acreditavam que as drogas sintéticas vinham da Europa e da Ásia, mas essa realidade está mudando”, continuou Sallum. 

As investigações da Cord para combater drogas sintéticas estão em andamento desde agosto. Durante as diligências, agentes da corporação se infiltraram em grupos de WhatsApp de traficantes, onde observaram um “controle” sobre usuários do DF conforme as prisões eram executadas. “Eles passaram a ter medo de enviar a droga e excluíram quem tinha DDD 61. A Cord não vai permitir que traficantes de outros estados mandem entorpecentes para cá”, frisou Sallum.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade