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Correio Braziliense

Prainha e Mané Garrincha receberão as maiores festas do réveillon 2019

Duas celebrações gratuitas agitam o réveillon em Brasília amanhã. Além da festa no estacionamento do Mané Garrincha, a Praça dos Orixás trará programação musical e destaque para rituais de religiões de matriz africana


postado em 30/12/2018 08:00 / atualizado em 30/12/2018 15:50

Novacap e SLU fizeram a limpeza da praça (foto acima) e das margens do Lago para receber o evento na virada. Estrutura do palco já foi montada(foto: Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Novacap e SLU fizeram a limpeza da praça (foto acima) e das margens do Lago para receber o evento na virada. Estrutura do palco já foi montada (foto: Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
As festividades para comemorar a chegada de 2019 prometem muita agitação. A tradicional festa de Iemanjá, na Praça dos Orixás, popularmente conhecida como Prainha — agora considerada patrimônio imaterial do Distrito Federal — oferecerá ao público uma programação diferenciada e cheia de alegria.

O evento terá início às 20h, com a apresentação do DJ Gab J. Logo em seguida, a banda Surdodum, formada por músicos surdos, entrará em cena. Depois, ocorrerá uma celebração religiosa e, para fechar a noite, o Ilê Aiyê, mais antigo bloco afro do carnaval de Salvador, vai agitar as primeiras horas de 2019 com músicas da cultura africana.

O presidente da Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, Rafael Moreira, explica que a importância da festa está diretamente ligada ao histórico de resistência da comunidade. “A tradicional festa de Iemanjá ocorre desde os anos 1950. Os sacerdotes se juntavam e faziam as oferendas na beira do Lago”, afirma. “Na década de 1980, conseguimos colocar a tradicional estátua de Iemanjá e o lugar ficou conhecido como a praça de Iemanjá.”

“Até os anos 2000, tivemos mudanças radicais, principalmente porque conseguimos trazer os 16 monumentos dos orixás para a pracinha, aí ela ficou conhecida como Praça dos Orixás”, completa Moreira. Ele comenta ainda que, na semana que antecede o ano-novo, fiéis fazem oferendas para Iemanjá e outros orixás no Lago.

Para o réveillon, a expectativa de público é de 30 mil pessoas. O evento contará com a participação de 72 terreiros de umbanda e candomblé. Os principais são o Mãe Bete, de Iansã, de Águas Lindas, que, neste ano, trará o balaio de Iemanjá; e o Mãe Teresinha, de Oxum, do Guará, trazendo o balaio de Oxum.

Os balaios são tradição na Prainha, onde, à meia-noite, são lançados na água. “Como não temos mar, fazemos a oferenda para Oxum, que é da água parada. Terão balaios para Iansã também, Ogum, Xangô e Oxóssi; homenagem para Oxalá, presentes e oferendas para todos os orixás da praça”, explica Rafael Moreira.

Conscientização

Ògan Luiz Alves, coordenador do Fórum Permanente das Religiões de Matrizes Africanas de Brasília e Entorno (Foafro-DF), participa da festa todos os anos. Para ele, o evento tem um papel fundamental na conscientização sobre as raízes das religiões de matriz africana. “A festa ocorre há mais de 40 anos. Ela contempla a comunidade afrorreligiosa, de matrizes afro, e faz com que a população reconheça a existência dessa comunidade”, afirma.

Ele lembra também que o evento, devido à tradição, se transformou em patrimônio imaterial do DF. “Durante todo o ano, essa comunidade vive na invisibilidade, motivada pelo racismo religioso. Essa festa tem como objetivo também retirar a invisibilidade e trazer à tona os nossos anseios, sonhos, problemas”, destaca.

Os preparativos para a festa na Praça dos Orixás começaram na quinta-feira, quando foi montada a estrutura do palco. Na sexta, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), com a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU),  fez uma limpeza geral em toda a área da praça, incluindo a beira do Lago Paranoá.

Cultura negra

O pedagogo Jonathan Dutra, 24 anos, também escolheu a Praça dos Orixás para celebrar a chegada de 2019. “É uma festividade muito singular, porque caracteriza não só uma expressividade de matriz africana, mas também uma diversidade e uma festividade política”, acredita. “Perceber um espaço aberto e voltado para o público do DF que proporcione um estande de celebração voltada a essas expressividades negras, é maravilhoso”, comemora.

“Escolher ir para lá, para além de todo momento de diversão, que será incrível, é também uma escolha política de estar junto aos guerreiros e guerreiras que lutam cotidianamente em busca de igualdade e da quebra do preconceito, e evidenciar a perspectiva da cultura negra”, completa.


Programação


Palco Praça dos Orixás (Prainha)
20h às 20h40 — DJ Gabi J
20h40 às 21h20 — Surdodum
21h à 0h — Programação religiosa (chegada do cortejo, toques das nações e entrega dos balaios nas águas)
0h à 0h10 — Queima de fogos no lago, com DJ Gabi J no palco
0h10 à 0h30 — Programação religiosa (toques de Exu)
0h30 à 1h30 — Banda Ilê Ayê
Local: Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2

Palco Estacionamento Mané Garrincha
18h às 18h40 — Babi Ceresa
19h às 19h40 — Rapadura Xique Chico
20h10 às 21h30 — Emicida
21h50 às 22h30 — Danilo e Daniel
23h às 00h00 — Naiara Azevedo
0h às 0h10 — Queima de fogos
0h10 às 0h30 — Naiara Azevedo
DJ Pequi — Nos intervalos dos shows

 

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