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Correio Braziliense

Colônias de férias são opção para os pais que precisam voltar ao trabalho

Especialistas explicam que essas iniciativas ajudam a combater o ócio, incentivam as atividades físicas e contribuem com a sociabilidade


postado em 07/01/2019 06:00

Os pais de Odin e Aurora matricularam o filho em uma colônia de férias(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Os pais de Odin e Aurora matricularam o filho em uma colônia de férias (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Os recessos de Natal e de ano-novo chegaram ao fim, e a rotina vai se restabelecendo. Exceto por um detalhe: as crianças estão de férias em casa. O que é motivo de alegria para os pequenos pode ser angustiante para os pais que voltam ao trabalho. Alguns não têm com quem deixá-los, outros se preocupam com a ociosidade dos filhos, vendo tevê, jogando videogame ou na frente do computador. As alternativas vão desde marcar programas em família pós-expediente às colônias de férias. A maioria delas começa nesta e na próxima semana, mas, por terem atividades mais livres, não há rigor na data em que a criança pode ser matriculada. Algumas dividem as programações por semana, facilitando a conveniência.

A psicopedagoga Ana Regina Caminha Braga, especialista em educação especial e em gestão escolar, explica que, dentro das condições familiares, é importante a criança sair um pouco do ambiente de casa e brincar ao ar livre. “Nem precisa elaborar muito. Coisas simples agradam, como jogar bola. Também existe um movimento interessante de resgatar brincadeiras antigas, como bolinha de gude. As férias são uma boa oportunidade para isso”, recomenda.

A principal vantagem das colônias de férias é o fato de toda a programação ter um objetivo prático e ser planejada por especialistas. “As atividades devem fazer sentido para o desenvolvimento da criança, mesmo que de forma lúdica. Elas não podem ser só ruídos, com movimentação excessiva. Se não, a criança vai para casa mais ansiosa e agitada. Deve ser um caos organizado”, explica Olzeni Ribeiro, especialista em comportamento infantil e diretora do colégio Ideaah.

Foi justamente essa vantagem que fez com que os pais de Anna, 4, e Laura, 2, Juliana Fagg Menicucci, 32, designer gráfico, e Giovani Fagg Menicucci, 34, advogado, decidissem colocar as filhas em colônias de férias tanto nas férias de julho do ano passado quanto nas de janeiro deste ano. “O estímulo que se tem é muito maior do que em casa com a babá. Elas ficam bem e seguras com a babá. Ela ajuda com o lanche, leva ao banheiro, mas, na colônia, tem a interação com outras crianças, instrumentos musicais”, justifica Giovani.

Olzeni explica, no entanto, que a colônia não pode substituir a atenção da família. “As crianças precisam sentir que estão de férias e que têm os pais ainda mais juntos”, alerta. No caso de Anna e de Laura, as atividades da colônia se estenderam à família. Depois de contarem aos pais sobre a experiência que tiveram com um telescópio e de terem visto a Lua e as estrelas, os pais tiveram a ideia de levá-las ao Planetário.

Tecnologia

A servidora pública Larissa Soares, 35, emendou o recesso de réveillon com as férias de janeiro para ficar com os dois filhos em casa, Odin, 5, e Aurora, 1. Em dezembro, ela tentou entreter as crianças ao máximo, no entanto, além de cansativo, as programações para ambos são diferentes por causa da idade. “Ela dorme à tarde; ele, não. Ele pode ir ao cinema; ela, não. Nicolândia com os dois, eu não aguentaria”, exemplifica.

A solução foi matricular só o filho mais velho na colônia de férias. Durante o ano, a escola dele é no período integral, mas, nas férias, as atividades serão só à tarde. “Acho cruel colocar integral, porque, no fim, ele ficaria sem férias. Assim, é bom que ele fica em casa pela manhã, aproveita a mãe e a irmã e, depois, vai”, explica o pai, o bibliotecário Pedro Paulo Madeira, 36.

Mas até quando a colônia é em uma academia, como é o caso de uma no Cruzeiro, a programação não é focada só na atividade física. “Além de tênis, circuitos com o tema selva, capoeira e brincadeiras na piscina, as crianças vão ter oficinas de arte, culinária e até o momento do videogame”, conta Renan Martins, educador físico e um dos responsáveis pela colônia. Segundo ele, muitos pais questionam o videogame como atividade. “Eles dizem: (se é) para jogar videogame, fica em casa”, conta. Ele garante, no entanto, que a experiência de jogar com outras crianças faz toda a diferença. “Tem a parte da competitividade com a qual eles aprendem a lidar de forma divertida. E parte do dividir, porque cada um vai ter a sua vez”, menciona.

Segundo a psicopedagoga Ana Regina, as tecnologias só são um problema quando usadas como mera distração, sem dar a devida importância ao que a criança está fazendo. “Elas chegam ao mundo e são apresentadas a uma enxurrada de inversão de valores. Muitos pais e responsáveis acabam deixando os filhos em frente à televisão, no tablet, no celular, sem se preocupar com o que está sendo transmitido e acabam usando aquele meio apenas como uma distração”, comenta. Para a especialista, é importante que os pequenos tenham acesso à tecnologia, desde que sejam bem orientados.

Sedentarismo

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), toda criança ou adolescente, entre 6 e 17 anos, que pratique menos de 300 minutos de atividade física por semana é considerado sedentário. Basta uma hora de atividade física por dia de segunda a sexta-feira para fugir dessa estatística.

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