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Correio Braziliense

GDF promete investimento milionário para revitalizar calçadas

Calçadas em más condições atrapalham a circulação de pedestres em diversos pontos do DF. Governo promete resolver problemas com R$ 33,1 milhões para a Novacap e R$ 45,3 milhões para a Secretaria de Obras


postado em 11/01/2019 06:00 / atualizado em 11/01/2019 16:27

"Preciso desviar dos buracos e de caixas de telefonia ou tampas de esgoto. Nos lugares onde não existem rampas, o Lucas me ajuda a levantar o carrinho. É difícil encontrar uma calçada que não tenha problemas", Camila Cunha, moradora de Taguatinga (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Em muitas localidades de Taguatinga, caminhar não é uma tarefa fácil. Quem sai de casa a pé precisa estar atento em onde pisa, pois qualquer distração pode resultar em acidente. Os espaços para o trânsito de pedestres, principalmente as calçadas, acumulam uma série de falhas, como buracos, desníveis no piso, rachaduras e sujeira. Alguns problemas são antigos na terceira mais populosa cidade do Distrito Federal, com mais de 220 mil moradores — fica atrás de Ceilândia e Samambaia.

Ruas vizinhas ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT), por exemplo, estão com calçadas bastante depredadas. Em alguns pontos, os pedestres têm de pisar sobre pedras, terra ou raízes de árvores. “Dificulta demais. Quando ando pela rua, tenho que ficar escolhendo o melhor lugar para passar. Além disso, caminho olhando para o chão. Isso não deveria ser assim. A qualquer momento, estamos sujeitos a tropeçar e a cair”, reclamou a professora Camila Cunha, 36 anos, moradora da cidade.

Camila procura ser ainda mais cautelosa quando está com os filhos Lucas, 5, e Júlia, de 7 meses. “Empurrar o carrinho da Júlia é quase impossível. Preciso desviar dos buracos e de caixas de telefonia ou tampas de esgoto. Nos lugares onde não existem rampas, o Lucas me ajuda a levantar o carrinho. É difícil encontrar uma calçada que não tenha problemas”, comentou a professora.

Além das más condições das calçadas, é comum encontrar locais onde carros invadem o espaço destinado para pedestres. A presença de vendedores ambulantes também dificulta a locomoção. Dessa forma, não há escolha a não ser caminhar nas pistas. “É uma situação incômoda. Muito motorista não respeita o pedestre”, reclamou o autônomo Raimundo Pereira, 60, também morador de Taguatinga. “O problema é que eu não percebo nenhuma ação das autoridades no sentido de reparar esses locais. Cuidar de todas as cidades deve ser difícil, mas o que a gente espera é o mínimo de atenção. Todos os dias vejo alguém tropeçando, principalmente idosos”, acrescentou Raimundo.

Valdenor Soares tem de contar com a ajuda de desconhecidos (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Valdenor Soares tem de contar com a ajuda de desconhecidos (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Ações

Administradora regional de Taguatinga recém-empossada, Karolyne Guimarães disse que o órgão atende demandas pontuais na cidade. “Com os recursos que temos, fazemos algumas obras nos pontos mais críticos de Taguatinga, como nos arredores de escolas e hospitais e em espaços onde circulam muitos idosos e cadeirantes”, comentou.

De acordo com Guimarães, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) está responsável por um projeto maior de reconstrução de calçadas, que abrigará todo o DF. “Nos próximos dias, vou buscar saber do órgão se já há um cronograma para Taguatinga. Precisamos intensificar as ações de manutenção”, afirmou.

De acordo com a Novacap, o projeto de execução e reforma de calçadas com acessibilidade está em execução em todo o DF. O serviço vai custar R$ 33,1 milhões. A Secretaria de Obras e Infraestrutura diz terem sido destinados R$ 45,3 milhões desde o ano passado para a construção de mais de 1,1 mil quilômetros de calçadas. De acordo com a pasta, a verba será dividida para obras em Vicente Pires, Sol Nascente e Bernardo Sayão.

Raimundo Pereira:
Raimundo Pereira: "Todos os dias vejo alguém tropeçando" (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Sofrimento maior para os cadeirantes 

Quem tem limitações físicas encontra mais percalços para se locomover. O jardineiro Valdenor Soares, 43 anos, por exemplo, sofre todos os dias ao passar pela Rodoviária do Plano Piloto. Cadeirante, ele constantemente precisa de ajuda de outros pedestres. “Já perdi as contas de quantas vezes a minha cadeira ficou travada no meio das pedras. Em algumas situações, aconteceu de ela virar quando eu subia o meio-fio, e caí de costas. Acho um desrespeito”, reclamou.

Para Valdenor, toda a sociedade precisa cobrar soluções. “Além de calçadas, rampas são essenciais para um cadeirante. A cidade está péssima. Mesmo quem não está na mesma situação que eu, tem de se solidarizar com a causa”, pediu.

Integrante da Associação Andar a Pé, movimento em defesa da humanização das ruas do Distrito Federal, Wilde Cardoso concorda com o apelo. “A sociedade tem de pressionar o governo para transformar a cidade mais acessível para as pessoas. Brasília é uma cidade moderna para a década de 1960, quando o automóvel era o modo de transporte preferencial. Temos de quebrar esse paradigma. As pessoas não têm incentivo para caminhar e se submetem a condições horrorosas, como falta de sinalização e acessibilidade para idosos ou pessoas de menor capacidade física”, destacou.

Professor do Centro de Formação em Transportes e Recursos Humanos da Universidade de Brasília (UnB), Flávio Augusto de Oliveira concorda com Wilde. “A falta de prioridade ao pedestre é um descaso. Todos nós somos pedestres em algum momento, isso precisa ser enfatizado. O que vemos em Brasília, no entanto, é o contrário. Não temos as condições ideais para o deslocamento a pé. Isso precisa mudar”, frisou. 

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