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Correio Braziliense

Carnaval de rua de Brasília terá metade dos blocos este ano

Organizadores reclamam do edital da Secretaria de Cultura que contemplou 55 agremiações para dividir cerca de R$ 1,6 milhão. No passado, 136 conjuntos animaram a festa. Depois de quatro anos fora, escolas de samba devem desfilar em abril


postado em 12/01/2019 07:00 / atualizado em 12/01/2019 14:02

Após levar mais de 100 mil à Praça do Cruzeiro em 2017, o Babydoll de Nylon deve se ausentar do carnaval brasiliense em 2019, assim como no ano passado(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 25/2/17)
Após levar mais de 100 mil à Praça do Cruzeiro em 2017, o Babydoll de Nylon deve se ausentar do carnaval brasiliense em 2019, assim como no ano passado (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 25/2/17)

Os brasilienses devem ficar sem o pré-carnaval de blocos em janeiro. Algumas agremiações sequer devem ir às ruas durante a folia, na primeira semana de março. Elas se queixam de burocracia e uma suposta falta de apoio do Governo do Distrito Federal. A maioria diz depender de verbas públicas para desfilar pelas ruas da capital.

Em 2018, 746 mil pessoas aproveitaram os 136 blocos cadastrados pela Secretaria de Cultura, segundo a pasta. Para este ano, 72 agremiações se inscreveram para captar recursos, mas só 55 foram habilitadas, após apresentar todos os documentos necessários. No edital, realizado no governo anterior, de Rodrigo Rollemberg, o GDF destinou R$ 3,6 milhões para a realização da festa. Cerca de R$ 1,6 milhão vai para os blocos.

No ano passado, o governo destinou R$ 5 milhões em verbas públicas para o carnaval. O pré-carnaval oficial, entre 19 de janeiro e 9 de fevereiro, foi garantido por meio de patrocínio de R$ 1,4 milhão, graças a uma parceria firmada entre a Secretaria de Cultura e a Ambev. Os R$ 6,4 milhões custearam a logística para as apresentações dos blocos de rua e das escolas de samba e eventos diversos promovidos nas regiões administrativas. A expectativa era de que 2,5 milhões de foliões participassem das festas nas ruas da capital — três vezes mais que o apurado oficialmente. Em 2017, a festa recebeu R$ 2,3 milhões e teve um público de 1,5 milhão de pessoas.

Incertezas

Multidão atrás dos Raparigueiros: tradicionais também reclamam(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 13/2/18 )
Multidão atrás dos Raparigueiros: tradicionais também reclamam (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 13/2/18 )

 
“Está tudo muito incerto para este ano. A Secretaria de Cultura divulgou um edital de captação de recursos tenebroso, com um prazo muito curto para apresentação de propostas, uma cláusula que impedia a gente de fazer uma contenção de público para revistar os foliões e um projeto que não contemplou nem metade dos blocos, por ter sido mal-elaborado”, reclama Dayse Hansa, produtora cultural e articuladora do Coletivo dos Blocos Alternativos.

Hansa diz que o investimento do GDF nos blocos traz retorno para a economia da capital. “O carnaval impulsiona cerca de R$ 4 milhões no DF, porque tem uma participação popular crescente e atrai pessoas de fora para cá, tanto de Goiás como de outros estados mais próximos. Então, a gente teria de ter ações pragmáticas durante o ano inteiro pensando no carnaval, não dois meses antes”, cobra a representante dos blocos.

Jorge Cimas, presidente da Liga dos Blocos Tradicionais de Brasília, formado por oito grupos — Asé Dúdú, Baratinha, Baratona, Bloco dos Raparigueiros, Galinho de Brasília, Mamãe Taguá, Menino de Ceilândia, Pacotão — também queixa-se de indefinições. “Não estamos pedindo (dinheiro) para um evento particular, porque o carnaval é uma questão cultural,” defendeu.

O Babydoll de Nylon foi um dos blocos que se ausentou do carnaval brasiliense no último ano, mas ainda não há confirmação sobre este ano. “Estão sendo realizadas diversas reuniões com a Secretaria de Cultura para definir as organizações”, comentou um dos organizadores Babydoll, Raphael Pontual. Entre as preocupações dos representantes do bloco, estão principalmente a segurança e a disponibilidade de transporte público.
 
Em 2017, o Babydoll de Nylon atraiu mais de 100 mil pessoas à Praça do Cruzeiro. Alegando que a burocracia imposta pelo GDF dificultou a busca por patrocínio, os organizadores do bloco não participaram da folia brasiliense em 2018. Eles afirmaram que não tinham a intenção de captar só recursos públicos, no entanto, consideraram “confuso” o edital de patrocínio elaborado pelo governo local. 


Escolas de samba

Desfile de escola deve ser retomado, mas só um mês depois da folia(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 4/3/14)
Desfile de escola deve ser retomado, mas só um mês depois da folia (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 4/3/14)
 
O desfile das escolas de samba também é cercado por incertezas. O evento, que não ocorre no DF há quatro anos, deve ficar de fora do calendário momesco oficial. Mesmo que o GDF defina a programação e libere recursos agora, o tempo é considerado curto para a organização das baterias, confecção de fantasias e construção de carros alegóricos.

O GDF trabalha com a possibilidade de o evento acontecer em abril. “É possível fazer um desfile de relançamento no aniversário da cidade (21 de abril). Para trazer mais visibilidade e apoio”, afirmou, ainda durante o governo de transição, o secretário de Cultura, Adão Cândido. Ele garante um desfile durante o carnaval do ano que vem. “Vamos montar uma grande agenda dos 60 anos e o desfile está na nossa programação.”

Enquanto isso, representantes das escolas temem passar o ano distante da população. “Não temos certeza do desfile. O que pode ter é um modelo parecido com o do ano passado, porque precisamos de verba suficiente”, afirmou o presidente da União das Escolas de Samba do Distrito Federal, Geomá Leite, se referindo às apresentações realizadas em 2018 na Funarte, no evento Brasília Samba Show. Na ocasião, também com o recurso financeiro público, foi realizado, em 2 de fevereiro, uma festa com seis escolas de samba do grupo especial e duas atrações nacionais — Mart’nália e Xande de Pilares. O evento gratuito ocorreu entre a Torre de TV e a Funarte.

O presidente da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), Moacir Oliveria Filho, é pessimista. “A volta do desfile em 2019 está inviabilizada, porque a preparação requer tempo. Tudo tem de ser feito com responsabilidade”, afirmou.

*Estagiária sob supervisão de Renato Alves 

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