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Correio Braziliense

Moradora do Gama, pequena bailarina ganha bolsa para estudar em NY

Com 12 anos, Júlia Carneiro Bezerra é uma das cerca de 40 bailarinas do mundo inteiro a participar do curso de verão da American Academy of Ballet


postado em 13/01/2019 08:00 / atualizado em 12/01/2019 19:47

Os treinamentos de Júlia eram de seis horas semanais, divididas entre balé e jazz(foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press)
Os treinamentos de Júlia eram de seis horas semanais, divididas entre balé e jazz (foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press)
Tutus, sapatilhas e collants. Tudo isso faz parte do universo da bailarina Júlia Carneiro Bezerra, 12 anos. A brasiliense, moradora do Gama, conquistou, com muito esforço e treino, o que poucas da idade dela conseguiram: uma das cerca de 40 vagas para o curso de verão da American Academy of Ballet de Nova York. A partir de julho, ela passará 15 dias praticando com bailarinas do mundo inteiro.

O caminho na dança clássica começou cedo. Desde os 3 anos, Júlia participava de aulas, primeiro nas escolas e mais recentemente no Sesc do Gama, onde treina desde 2013. De olho no talento dela, a professora Leila Costa, 39, incentivou a menina a se inscrever para as audições, que ocorreram em novembro do ano passado. “Todos os anos representantes da academia vêm ao Brasil selecionar dançarinos para o curso. Eu soube que estariam em Taguatinga e perguntei se a Júlia não queria participar”, recorda a professora.

A princípio, a menina ficou insegura, achando que teria de mudar de país se fosse aprovada. “Meus pais nem deixaram, mas, depois que a Leila explicou que era só por um tempo, eles concordaram”, comenta Júlia. O problema foi que ela decidiu em cima da hora. Faltavam apenas 15 dias para as audições e precisou correr contra o tempo. “Treinamos bastante e eu peguei pesado mesmo. Focamos em condicionamento físico, resistência e flexibilidade”, declara a professora.

Os treinamentos eram de seis horas semanais, divididas entre balé e jazz, e todo o esforço valeu a pena. Passaram-se dois meses até que a resposta da academia chegasse, por e-mail. “Assim que ela soube, me ligou eufórica para contar tudo. Como demorou muito, ela estava pessimista, mas deu tudo certo”, disse Leila. “A Júlia me deu um novo gás. Para mim, fica uma sensação de dever cumprido, de ter feito o trabalho direito”, disse a professora, que agora espera aprovar mais alunas para cursos internacionais, como o famoso Ballet Bolshoi.

Apoio dos pais

Bruno Bezerra e Lucirene Carneiro não perdem uma apresentação da filha(foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press)
Bruno Bezerra e Lucirene Carneiro não perdem uma apresentação da filha (foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press)
Orgulho, alegria e preocupação se misturam nos corações dos professores Lucirene Carneiro, 49, e Bruno Bezerra, 44, pais de Júlia. A dupla não perde uma apresentação da filha e coleciona um grande acervo de fotos e vídeos da menina em apresentações. A mãe conta que a aprovação para o curso nos Estados Unidos foi uma surpresa e eles, agora, têm de decidir quem vai acompanhá-la na viagem. “Na família, muita gente já se voluntariou, mas ainda vamos ver como vai ser”, comenta.

De olho em cada detalhe, a mãe se certifica de que a meia-calça não está rasgada, que o tutu está no lugar e que o collant não está torto. “A gente faz com amor. Sabemos o quanto é importante apoiar o filho no que ele gosta”, declara. Ver a menina brilhando nos palcos é, para Lucirene, um sonho realizado.

Parte do apoio é viver com Júlia os mesmos sentimentos. “É um estresse muito grande, ela deixa a gente louco. Ela se preocupa demais em fazer as coreografias direito e isso contagia”, comenta a mãe. Nos espetáculos, a família quer gritar e comemorar cada acerto, mas a menina não permite. “Eles me matam de rir e eu perco a concentração”, explica a bailarina.

Os dois acompanham de perto o desempenho da filha, preocupados com a segurança da menina e com o desempenho escolar. “Mantemos um diálogo aberto sempre. Ela é muito boa aluna, tira notas excelentes e, no balé, nunca falta. Ela é dessa área da arte e a gente vai dando corda”, orgulha-se o pai. Bruno admite que é gratificante ver os resultados que Júlia tem conquistado. “Ela é resolvida. Isso que está acontecendo é uma consequência de quem ela é mesmo. Não é apegada, ela é do mundo”, resume.

Por enquanto, o balé é apenas um hobby para a garota, que pensa em ser veterinária. “Está longe para decidir, mas não penso em viver da dança. É muito difícil. Hoje, é uma diversão. Até na escola, entre uma aula e outra, treino os passos na sala”, conta. Mas, até chegar a hora de escolher uma profissão, ela e os pais vão aproveitando.

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