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Correio Braziliense

Brasilienses dão exemplo de solidariedade ao resgatar e abrigar animais

Tem muitas opções também para quem quer ajudar de alguma forma o tratamento dos cães resgatados, como doar ração ou participar de rifas.


postado em 15/01/2019 06:00

(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A Press)

Comida, lar e acolhimento. O resgate de animais nas ruas virou parte da vida de muitos brasilienses. “Parece que eles entendem que você salvou a vida deles”, conta uma das defensoras dos bichos, a advogada Ana Paula Vasconcelos, de 40 anos.

Trazer para casa alguém desconhecido não é uma tarefa muito simples, principalmente quando quem estava sem lar precisa de um tratamento especial. Muitos dos animais abandonados são encontrados com ferimentos ou doenças, mas isso não afasta quem tem paixão por cuidar deles. “Hoje, tenho oito cachorros comigo, a maioria vítimas de maus-tratos. Mas é incrível, porque os cães resgatados são eternamente gratos. Apesar de trazerem sequelas, eles são muito adaptáveis, só precisam de amor e paixão”, diz Ana Paula.

Um dos animais que marcou  vida da advogada foi o Edu, um cão sem raça definida que foi espancado por um caseiro com um cabo de enxada. Ana se revoltou com a história, buscou punições ao agressor e começou um longo trabalho de recuperação da saúde e da confiança do cachorro. “Foi tudo muito difícil, o levei ao veterinário e ele acabou tendo que fazer uma cirurgia, porque estava muito debilitado. Para ele voltar a confiar no ser humano, foi uma luta, demorou muito. Mas hoje, com muito amor que recebeu, ele é outro animal, muito carinhoso”.

(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A Press)


Calor humano


Pessoas que tiram os animais das ruas geralmente começam resgatando um bichinho de uma situação difícil, e não param mais. Foi assim com o casal de servidores públicos Ana Carolina Quemel, 28 anos, e Ayslan Menez, 36. O primeiro cachorro que eles encontraram sem lar foi a Lola, em 2017. “Era uma época de muito frio. Aí, o meu marido a encontrou debaixo do nosso prédio, tremendo. Nós morávamos em um apartamento de um quarto em Águas Claras, ele disse que só ia dar comida e água para ela, e, depois, a gente encontrava uma casa”, lembra a esposa.

Mas não foi exatamente isso o que aconteceu. O carinho de Lola encantou o casal e não deu mais para levá-la para outro lugar após os primeiros cuidados: passou a fazer parte da família. “Ser protetor não é um emprego que você tem, é um trabalho voluntariado, que fazemos por amor e recebemos em troca a gratidão deles. Não é fácil. Nós temos nossos afazeres do dia a dia, mas, mesmo assim, ainda cuidamos com muito carinho”, conta Ana Carolina.

Apesar de toda a beleza das atitudes de resgate, Ayslan lembra que é preciso ter muitos cuidados. Ele lembra que existe uma grande rede de apoio de pessoas que lutam pela causa dos animais, ajudando até financeiramente quem não tem condições de pagar vacinas, tratamentos no veterinário ou boas rações. Porém, isso atrai pessoas que nem sempre têm as melhores intenções: “É importante ver a transparência de quem pede auxílio, porque tem gente que age de má-fé pedindo recursos e acaba ficando com aquele dinheiro das doações”, alerta. Outro cuidado que ele recomenda é sempre ter cautela antes de doar os animais resgatados, para que eles não sejam levados para lares ruins ou sem condições de dar atenção.

(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A Press)


Ajuda


Um dia após perder o primeiro cachorro que teve, há 10 anos, a dona de casa Milene Almeida, 42, resgatou a primeira cadela. Parada em um semáforo em Águas Claras, ela viu o animal quase caindo em um bueiro.  “Não pensei duas vezes. Desci do carro a peguei. Levei para a casa de uma amiga que morava perto de onde eu trabalhava, em Taguatinga Norte. No trabalho, comecei a procurar um lar para a cadelinha. Como não usava o Facebook na época, procurei na internet e encontrei uma moça da Asa Sul que quis adotar”, contou Milene.

A partir de então, ela não parou mais. Sempre que vê um cachorro na rua, ajuda do jeito que pode. A dona de casa contou que cerca de 90% dos animais que resgatou estavam doentes e o gasto é sempre grande. Como foi o caso da penúltima cadela acolhida, que sofria de peritonite, uma inflamação abdominal. “Ela ficou oito dias internada, depois voltou para casa e ficou 15 dias tomando medicamento, mas assim que o remédio acabou, a doença voltou e ela precisou ser internada mais uma vez. Dois dias depois, ela morreu”, lembra, com tristeza.

De acordo com Milene, só neste caso gastou R$ 2.300 na primeira internação. A segunda custou R$ 500, valor que ainda não conseguiu pagar todo. Como está desempregada, ela conta com o apoio de conhecidos e desconhecidos por meio do seu perfil no Facebook. Além disso, faz rifas. Toda quantia arrecadada é destinada ao tratamento dos animais. Uma outra cadela está internada em uma clínica veterinária na Asa Sul e, assim que tiver alta, vai precisar de um lar provisório.

“Desde que eu resgato o cachorro da rua me torno a responsável por ele. Assim que a Princesa sair do veterinário, eu cubro as despesas dela. Ou seja, tem medicamento, tem ração. O custo é alto. E toda e qualquer ajuda é muito bem-vinda”, ressaltou.

Contribuição

Para ajudar de alguma forma o tratamento dos cães resgatados, doar ração ou participar das rifas é só entrar em contato pelo telefone 98647-1433.

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