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Correio Braziliense

Corpo de universitário assassinado na Rodoviária do Plano é sepultado

Velório e enterro ocorreram entre as 12h e as 16h30, no Cemitério Campo da Esperança do Gama


postado em 16/01/2019 16:45 / atualizado em 16/01/2019 19:33

Pelo menos 100 pessoas, entre amigos e parentes, compareceram ao enterro do universitário Milton Junio Rodrigues de Souza(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Pelo menos 100 pessoas, entre amigos e parentes, compareceram ao enterro do universitário Milton Junio Rodrigues de Souza (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
  

Sob forte comoção e um profundo silêncio, familiares e amigos velaram e enterraram o corpo de Milton Junio Rodrigues de Souza, 19 anos, na tarde desta quarta-feita (16/1), no cemitério Campo da Esperança do Gama. O jovem foi assassinado com uma facada, na madrugada de terça-feira (15/1), próximo à escada rolante da Plataforma B da Rodoviária do Plano Piloto.

Bastante emocionadas, pelo menos 100 pessoas compareceram ao local para dar o último adeus ao jovem, que era estudante do curso de ciência política na Universidade de Brasília (UnB). O velório começou por volta das 13h45, quando o corpo chegou à Capela 1 do memorial e o caixão foi sepultado às 16h30. A todo o momento, o sentimento dos presentes era de dor e revolta pelo crime.

Assim que o corpo chegou ao velório, o irmão de Milton Junio, Alan Rodrigues de Souza, 21, não conseguiu controlar a emoção e precisou ser amparado por familiares e pela mãe, a manicure Vera Rodrigues, 40. Sobre o caixão, familiares e amigos colocaram uma bandeira da causa LGBT, da qual o jovem era militante. Segundo familiares de Junio, Vera perguntava pelo filho a todo momento, pedindo, inclusive, o celular para tentar conversar com o garoto.

Pedindo justiça pelo crime, Thaís Araújo, 21, prima de Junio, disse que a ficha de que o rapaz não voltará para casa com vida ainda não caiu. “Ele era uma pessoa maravilhosa e estava sempre sorrindo. Estava sempre alegre e fazia muita palhaçada para sorrisos. Queremos que quem fez isso pague pelo crime. Mataram o Junio por causa de um isqueiro, por nada”, lamentou.

Diversos colegas de curso de Milton Junio támbem compareceram ao Cemitério do Gama para o último adeus ao jovem e lamentaram o motivo fútil que tirou a vida do estudante. “Não tem sentido terem matado um menino tão bom dessa forma. Vou guardar muitas lembranças boas dele. Das festas que íamos juntos na UnB. Tínhamos um happy hour nas quintas-feiras e o Junio ia a vários. Ele fazia a alegria de todo mundo no curso”, contou Allysson Cesar, 20 anos.

 

Madrinha da mãe de Milton Junio, Aparecida de Freitas, 63 anos, disse que a morte do estudante foi como uma facada em toda a família. "Ele não misturado com nada que não prestava. Só ia em algumas festinhas, o que é natural da idade. É muito doído e tem de haver justiça. É uma perda muito grande. O irmão dele está em choque. Se não houver justiça, podemos descrer do mundo. A mãe dele está abalada demais porque também perdeu a mãe dela há pouco tempo”, contou.

Tia de Milton, Patrícia da Conceição também exigiu resposta das autoridades pelo crime. “Queremos justiça, só pedimos isso nesse momento. A pessoa que fez isso não tem coração. A insegurança na cidade está terrível. Ele era um menino doce, que não dava trabalho para ninguém. A vida dele era a escola. Ele não era de se envolver em confusão. A família está sofrendo muito”, lamentou.

No momento da saída do caixão, a mãe de Junio voltou a chorar copiosamente, debruçando-se sobre o caixão de Milton. “Meu filho, não. Por favor, Junio. Volta para a mamãe, meu filho. Meu menino. Me dá uma resposta, Jesus, só Senhor tem a resposta de terem matado meu filhinho.” O irmão do estudante também precisou ser amparado novamente pelos presentes e não teve condições de acompanhar o sepultamento.

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