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Correio Braziliense

PM é denunciado por liderar grupo de extermínio e montar milícia na Chapada

Além de ser denunciado à Justiça acusado de matar casal e ocultar os corpos das vítimas, em Santo Antônio do Descoberto (GO), tenente-coronel da PM goiana e comandante do batalhão de São João d'Aliança (GO) foram denunciados de receber dinheiro da região da Chapada dos Veadeiros para evitar invasões de terra por movimentos sociais


postado em 17/01/2019 13:51 / atualizado em 17/01/2019 15:32

As investigações indicam que o líder do esquadrão da morte é o tenente-coronel Carlos Eduardo Belelli, tido como um oficial linha dura e candidato a deputado estadual de Goiás pelo PR derrotado em outubro(foto: Facebook/Reprodução)
As investigações indicam que o líder do esquadrão da morte é o tenente-coronel Carlos Eduardo Belelli, tido como um oficial linha dura e candidato a deputado estadual de Goiás pelo PR derrotado em outubro (foto: Facebook/Reprodução)
As investigações sobre grupo de extermínio que atua em Goiás indicam que o líder do esquadrão da morte é o tenente-coronel Carlos Eduardo Belelli, tido como um oficial linha dura e candidato a deputado estadual de Goiás pelo PR derrotado em outubro. Nessa quarta-feira (16/1), o Ministério Público de Goiás (MPGO) ofereceu denúncia contra cinco policiais militares presos preventivamente na Operação Circo da Morte, em 18 de dezembro. Eles estão sendo processados por dois homicídios qualificados e ocultação de cadáver em Santo Antônio do Descoberto (GO), no Entorno do Distrito Federal. O bando é acusado de executar outras vítimas após forjar troca de tiros e sequestrar. 

Belelli também foi denunciado por corrupção passiva em 2018. O crime teria acontecido quando ele era major e comandante da 14ª Companhia Independente da PM goiana (CIPM), na região de Alto Paraíso, a 250km de Brasília. A revelação foi feita na edição impressa do jornal O Popular desta quinta-feira (17). Entre 2015 e 2016, Belelli receberia valores em dinheiro de fazendeiros da região para articular e realizar patrulhamentos e segurança especial a estes, segundo as investigações do Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GCEAP), do MPGO. Ele contaria com a ajuda do comandante do batalhão de São João d’Aliança (GO), Elias Alves de Souza.

A dupla cobraria valores de donos de propriedades rurais para evitar possíveis invasões de terra por movimentos sociais, segundo a reportagem do diário goiano. Na ocasião, a região era cenário de uma disputa agrária entre donos de fazendas e a Frente Nacional de Lutas, uma dissidência do Movimento Sem-Terra (MST). Interceptações telefônicas autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) revelariam o esquema. Em uma delas, o então major Belelli pede indicações de nomes de policiais que aceitem receber uma diária de R$ 300 para proteger uma fazenda. Ele diz ter uma lista de 25 nomes, mas que poderia chegar a 40. Eles seriam convocados em caso de boato de invasão de terra.

Sequestros, execuções e ocultações


No caso dos assassinatos, a denúncia do MPGO é baseada em investigação da Polícia Civil de Goiás. A investigação aponta que um grupo integrado por ao menos cinco policiais militares goianos praticava crimes no Entorno do DF e em Caldas Novas (GO) há ao menos dois anos. Os acusados são Carlos Eduardo Belelli, Alessandro Bruno Batista, Ruimar Felipe Maia, Ismael Fernando Silva e Raithe Rodrigues Gomes. 

De acordo com a denúncia do MPGO, em 15 de março de 2017, os cinco policiais se deslocaram de Caldas Novas (onde eram lotados) até Santo Antônio do Descoberto, onde, sem farda e com capuz, tiraram de casa Darley Carvalho da Silva, 31 anos, e a namorada dele, Dallyla Fernanda Martins da Silva, 21. Após matarem Darley, os PMs jogaram seu corpo às margens de uma estrada vicinal no município de Silvânia. Já Dallyla, após ser morta, teve o corpo ocultado pelos militares em local ainda desconhecido. 

Desde então, familiares dos jovens cobravam a elucidação do caso. Investigadores apontam os cinco PMs presos como os autores do crime. Em relação ao homicídio praticado contra Darlei, a denúncia do MPGO imputa duas qualificadoras (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima); já em relação à Dalylla, além das duas qualificadoras mencionadas, há uma terceira qualificadora tendo em vista que o homicídio fora praticado como “queima de arquivo”. 

A denúncia criminal foi recebida pelo juízo da comarca de Santo Antônio do Descoberto, tendo sido decretada a prisão preventiva dos cinco denunciados. Em relação ao delito de associação criminosa na modalidade “grupo de extermínio”, o MPGO aguarda o término das investigações da Polícia Federal e o respectivo encaminhamento do inquérito policial que se encontra dentro do prazo legal.

Operação Circo da Morte


Uma força-tarefa do MPGO e da PF prendeu,  em 18 de dezembro, os cinco denunciados, suspeitos de integrar o grupo de extermínio com atuação em Caldas Novas, Santo Antônio do Descoberto e Alto Paraíso. Além das prisões, efetuadas em Caldas Novas, onde os militares estavam lotados, agentes da PF cumpriram nove mandados de busca e apreensão, na Operação Circo da Morte.

Integrado por ao menos cinco policiais militares goianos, o grupo de extermínio praticava crimes no Entorno do DF e em Caldas Novas há ao menos dois anos. O bando é acusado de executar criminosos após forjar troca de tiros e sequestrar e assassinar o casal em Santo Antônio. Entre outros casos investigado estão as mortes de Douglas Carvalho da Silva, 27 anos, e Carlos Soares dos Prazeres Junior, 18, ocorridas em março de 2017, em Caldas Novas, após uma troca de tiros com policiais militares.

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