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Correio Braziliense

Ibaneis pede pressa na aprovação de projeto do Instituto Hospital de Base

Governador modera o tom sobre convocação extraordinária, diz que não pretende mais responsabilizar deputados por eventuais mortes nos hospitais públicos, mas reafirma pressa na aprovação de projeto de ampliação do Instituto Hospital de Base


postado em 20/01/2019 08:00

Governador do DF, Ibaneis Rocha(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Governador do DF, Ibaneis Rocha (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Depois das declarações  sobre a convocação extraordinária da Câmara Legislativa que deixaram deputados distritais incomodados, Ibaneis Rocha (MDB) passou a manhã ontem em compromissos em hospitais públicos e pisou no freio no discurso. O governador disse que não pensa mais em processar parlamentares para responsabilizá-los por eventuais mortes provocadas pela demora no atendimento na rede pública. E garantiu acreditar que tanto os deputados da base quanto os da oposição querem o melhor para os brasilienses. 

Ibaneis, no entanto, não vai recuar na disposição de ressaltar a necessidade de aprovação urgente de várias medidas, especialmente as relacionadas à saúde. Na pauta da convocação extraordinária, está a ampliação para outras unidades do modelo de gestão do Instituto Hospital de Base, tema que deve despertar muito debate entre os distritais. “A Câmara é um ambiente para discussão. E eu não espero que o projeto saia da forma que entrou”, disse. “Espero que eles, como deputados, façam o debate com a sociedade e indiquem as modificações que acharem necessárias. Em um ambiente democrático é isso que acontece”, acrescentou. 

Sobre a relação com os sindicatos, que são críticos à ampliação do Instituto Hospital de Base, o governador deixou claro que não quer confronto. “É uma proposta do governo, mas estou aberto a todo tipo de discussão. Conheço os dirigentes sindicais, conto com a confiança de todos. Que, em vez de vir para a greve, venham para a negociação. Tragam suas propostas”, sugeriu. 

Ibaneis garantiu que vai acatar as sugestões que aperfeiçoem o projeto.  Ressaltou ainda que as declarações da véspera não foram uma ameaça aos deputados, mas que diante da situação da saúde no DF, “é uma irresponsabilidade não tratar o tema como urgência”. 

Ibaneis havia dito que entraria com ações contra deputados e não faria mais nenhuma nomeação para cargos, enquanto a Câmara Legislativa não votasse as propostas do Executivo. 

O tom  do governador repercutiu bastante entre deputados distritais. Até então, havia uma negociação fechada para que a convocação ocorra na próxima quinta-feira, quando 17 dos 24 deputados estarão em Brasília, o que garantirá um quórum para votação das matérias.

Desabafo

A 11 dias para início oficial das atividades na Câmara, Ibaneis tenta convocar sessão extraordinária. Mas enfrenta resistência de deputados da oposição e agora terá de vencer animosidade que surgiu entre os integrantes da base, que se sentiram cobrados.

O presidente da Câmara, Rafael Prudente (MDB), ressalta que o embate entre os poderes não resolverá problemas. “Se o ambiente não for para construção, vamos reavaliar se manteremos ou não a possibilidade da convocação”, destacou. 

Ibaneis Rocha, durante visita de inspeção das obras de construção do prédio do acelerador de radiologia do Hospital Regional de Taguatinga - HRT(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Ibaneis Rocha, durante visita de inspeção das obras de construção do prédio do acelerador de radiologia do Hospital Regional de Taguatinga - HRT (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)


Sobre as alegações do colega de partido, Rafael disse que Ibaneis exagerou nas palavras em um momento de exaltação. “Após os ânimos se arrefecerem, o governador vai voltar atrás e vai dialogar com os deputados”, acredita, como, de fato, ocorreu ontem.

O vice-presidente da Câmara,  Rodrigo Delmasso (PRB), acredita que as manifestações do governador demonstram a urgência em aprovar projetos em benefício da sociedade. “Defendo o modelo do Instituto Hospital de Base desde a última gestão. A única alteração que faria, seria manter a contratação de servidores por concurso público”, ressalta. 

O distrital, que está em viagem aos Estados Unidos, diz que não poderá participar da sessão extraordinária, caso ocorra, mas que apoia a convocação. 

Em nota, o líder do governo na Câmara, Cláudio Abrantes (PDT), frisou que a convocação dos parlamentares é necessária.”Há pontos importantes a serem discutidos, que afetam a vida da população”, disse. Para Abrantes, é necessário dar “um choque na saúde, que está em colapso”. 


Oposição

Integrante da oposição, o deputado Chico Vigilante (PT) considera a convocação  desnecessária. “O governador está atrapalhado. Falta uma semana para a Câmara voltar normalmente e não temos nada de urgente para ser votado. Ele (Ibaneis) quer acabar com uma estrutura que existe há anos e colocar algo novo que não deu certo em nenhum estado”, afirma se referindo ao Instituto Hospital de Base.

Para Arlete Sampaio (PT), os parlamentares têm dever de participar de emergências, porém, a intenção do governador é de que os deputados votem a toque de caixa. “Ibaneis está criando um constrangimento com a Câmara para passar essa aprovação. Acho a convocação desnecessária, mas se houver convocação, estarei lá”, garante. A distrital também critica a expansão do Instituto Hospital de Base. Para ela, a medida desmontará o Sistema Único de Saúde (SUS). 

O deputado Fábio Félix (Psol) considera as matérias encaminhadas por Ibaneis à Câmara complexas e, por isso, demandam um debate maior. “A Câmara precisa ouvir ao menos a população e os servidores”, disse. Leandro Grass (Rede) garante que vai participar da sessão, caso seja convocado. Segundo Grass, é sua responsabilidade e tarefa do deputado comparecer às sessões, sejam elas ordinárias, sejam extraordinárias. Entretanto, acredita que uma sessão extraordinária é “absolutamente insuficiente” para votar as propostas. “São temas de alta complexidade ”, criticou.
 
 

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