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Correio Braziliense

Massagista do Sudoeste é suspeito de cometer mais de 50 abusos sexuais

Policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em investigação sobre violação sexual mediante fraude contra homem morador do Sudoeste, onde ele atende e reside a maioria das vítimas


postado em 23/01/2019 10:59

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press - 21/6/11)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press - 21/6/11)

Mais de 50 mulheres acusam um massagista de abuso sexual. Policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão na clínica onde ele atende e, segundo as denunciantes, ocorreram os delitos. Os agentes encontraram fotos das clientes, trajando biquínis, no telefone celular do homem de 29 anos, bacharel em direito e morador do Sudoeste, onde trabalha. A maioria das supostas vítimas também reside no bairro nobre.

A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) investiga o caso há um mês. Até agora, delegados ouviram sete mulheres. Outras 47 relataram abusos por meio de uma conta no Instagram, criada apenas para encorajar supostas vítimas do massagista. Essas vão prestar depoimento a partir de hoje.

Apesar de não se conhecerem, todas contam histórias muito parecidas. Tanto nos depoimentos já colhidos quanto no Instagram, elas relataram que o suspeito tocava nas partes íntimas delas durante o atendimento, induzindo-as a acreditar que isso fazia parte do procedimento.

As mulheres chegaram à clínica por meio de divulgação no Instagram. Pela conta na rede social, elas entraram em contato para pedir mais informações sobre os procedimentos e valores. Em determinado momento, o massagista pedia para continuar a conversa pelo WhatsApp. Ele pedia uma foto de corpo da mulher, para fazer uma “avaliação prévia”, de acordo com as denunciantes.

A delegada Sandra Melo, chefe da Deam, disse que o homem também pedia para as mulheres irem para as sessões de massagem com biquínis de amarrar. “As vítimas eram colocadas de costas na maca. Em meio ao serviço, ele tocava as partes íntimas delas e dizia fazer parte do procedimento. Neste momento, a cliente ficava sem saber se isso era certo ou não”, comenta a investigadora.

Algumas vezes, o homem puxava assuntos de cunho sexual com as clientes. “Em relatos, as vítimas dizem que ele ficava estranho. Começava a suar e a respirar muito ofegante”, relatou Sandra Melo.

Termo de consentimento

Ontem, agentes fizeram apreensão no apartamento e na clínica dele. Os policiais recolheram celulares, HDs externos, computadores e cerca de 400 fichas de atendimento, de avaliação e termos de uso de imagens. Nas fichas das clientes, um documento intitulado Termo de Consentimento para Contato chamou a atenção dos investigadores. “A cláusula indicava que as clientes deveriam se submeter integralmente às manobras do profissional, com o risco de que os procedimentos estéticos poderiam não ter efeito”, observou Sandra Melo.

Inicialmente, o suspeito responderá por violação sexual mediante fraude. Ou seja, quando a vítima é levada a acreditar que os movimentos de um profissional no corpo dela sejam corretos. Contudo, a delegacia não descarta a possibilidade de casos de estupro. “É uma investigação que está em andamento. Ainda temos muitas vítimas para escutar e não podemos descartar qualquer hipótese”, ressaltou a delegada. Ela não divulgou o nome do suspeito nem da clínica dele.

Licença e curso suspeitos

A Deam também oficiou a Agência de Fiscalização (Agefis) porque a clínica, de acordo com informações preliminares, não tem autorização de funcionamento. O massagista é o dono do estabelecimento. O espaço seria compartilhado com outros dois funcionários, que não foram denunciados. “Segundo as vítimas, apenas o dono agia desta forma. Não era um espaço bem-estruturado”, explicou Sandra Melo. A polícia também investiga a veracidade do certificado de um curso de massagem que o suspeito apresentou aos investigadores.

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