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Correio Braziliense

Em mobilização na Rodoviária, deficientes visuais pedem acessibilidade

Grupo pede por melhorias na infraestrutura da Rodoviária do Plano Piloto e a conscientização da população


postado em 23/01/2019 20:15 / atualizado em 23/01/2019 20:15

Grupo de deficientes visuais se reuniu para pedir melhorias na Rodoviária(foto: Arquivo Pessoal)
Grupo de deficientes visuais se reuniu para pedir melhorias na Rodoviária (foto: Arquivo Pessoal)
A falta de acessibilidade na Rodoviária do Plano Piloto levou a mobilização na manhã desta quarta-feira (23/1). Um grupo de 16 deficientes visuais afiliados à Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV) se reuniu para reivindicar melhorias na estrutura de acessibilidade e também pela conscientização dos vendedores ambulantes e usuários dos serviços de transporte. 

A ABDV é a responsável pela iniciativa e, dentre as principais queixas, estão a inutilização dos seis elevadores distribuídos pelo terminal, as escadas rolantes desligadas, a instalação de piso tátil em todas as plataformas e a falta de fiscalização dos ambulantes que expõem mercadorias nos locais de acessibilidade. 

A presidente da associação, Denise Braga, diz que as reclamações sobre o local são constantes, mas que a mobilização vai além da exposição das disfunções, o intuito é de conscientizar a população também. “Temos muitos pontos falhos no local, a estrutura ainda está inadequada para a inclusão de pessoas com problemas de mobilidade. Contudo, fazemos um trabalho de conscientização. Os comerciantes ambulantes e os usuários devem respeitar os nossos espaços e a nossa presença.” 

Denise conta que o pedido atende aos deficientes, mas também a outros usuários com mobilidade reduzida, como idosos e grávidas. “Hoje, todos os elevadores da Rodoviária estão desligados, estão passando por reforma há cinco meses. Os reparos deveriam ser feitos por etapas, não em todos ao mesmo tempo. As escadas rolantes estão sempre com problemas ou sem funcionar. Eles atendem a todos os passageiros que tenham alguma dificuldade em usar as escadas, não só aos deficientes”, analisa. 
 
As experiências negativas acumulam relatos, como com o do ex-presidente da ABDV, Flávio Luis, que já foi agredido por um vendedor. “Um dia, estava andando sobre o piso tátil com a ajuda de uma moça quando pisei no tapete que o vendedor usava para expor as mercadorias e ele me chutou. Eu nem quis confrontá-lo, por medo, continuei meu caminho, mas com muita raiva e até me deu vontade de chorar. Foi muito desrespeito”, lamenta. 
 
Outro usuário dos serviços de transporte e deficiente visual, Thiago Fernando, 38 anos, conta que sente dificuldade para transitar na Rodoviária em meio às lonas estendidas pelos comerciantes. “Os camelôs atrapalham demais a locomoção, eles ficam bem na passagem ou estreitando o caminho. Eu acho que deveria ter maior fiscalização”, opina.
 
Segundo o DFTrans esclarece, os elevadores e quatro das 12 escadas rolantes do terminal estão sem funcionar por conta de atos de vandalismo. "A autarquia acionou as empresas responsáveis pela manutenção para que os serviços - tanto dos elevadores quanto das quatro escadas quebradas - sejam restabelecidos o mais rápido possível. Com relação à ocupação indevida do piso tátil, serão tomadas medidas para que o acesso seja desobstruído e não atrapalhe o deslocamento das pessoas que possuem deficiência visual", respondeu o órgão, em nota.
 
* Estagiários sob supervisão de Mariana Niederauer

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