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Correio Braziliense

Estudo no Hospital de Base promete revolucionar tratamento do AVC isquêmico

Estudo realizado pelo hospital e outras 20 unidades de saúde espalhados pelo Brasil avaliam a efetividade do novo tratamento para levá-lo ao SUS


postado em 23/01/2019 18:51 / atualizado em 23/01/2019 18:51

Grupo responsável pelo setor de hemodinâmica no Hospital de Base(foto: Reprodução)
Grupo responsável pelo setor de hemodinâmica no Hospital de Base (foto: Reprodução)
Um estudo realizado no Hospital de Base e outras 20 unidades hospitalares espalhadas pelo Brasil pretende revolucionar o tratamento contra o Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico no país. Trata-se do projeto Resilient, que estuda a viabilidade da aplicação de um novo procedimento para a retirada de coágulos de vasos sanguíneos do cérebro de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS).

O AVC é a segunda maior causa de morte no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, 400 mil pessoas são diagnosticadas por ano com a doença e, dessas, 100 mil morrem. O Brasil só conseguiu aplicar um procedimento no SUS contra o AVC isquêmico - quando um coágulo obstrui um vaso sanguíneo no cérebro - em 2012, 17 anos após o tratamento ser iniciado nos Estados Unidos.

Era o procedimento trombolítico que chegava ao Brasil. Ele se dá pela aplicação de remédio na veia do paciente que, circulando pelo sangue, chega ao coágulo e desobstrui o vaso sanguíneo. Até hoje, esta é a única técnica utilizada para a retirada do coágulo na rede pública de saúde do país.

Entretanto, a técnica não é tão efetiva. Segundo estudos, o Número Necessário para Tratar (NNT) do procedimento é de oito. Isto é, em média, oito pacientes precisam receber o medicamento para que ocorra o desfecho final desejado em um paciente. 

Estudos avançados


No projeto Resilient, neurologistas de todo o país estudam a viabilidade de se aplicar outro procedimento para os pacientes de AVC isquêmico, chamado trombectomia. Neste caso, o médico insere um cateter no vaso sanguíneo obstruído pelo coágulo e o retira manualmente. O NNT da técnica é de quatro - ou seja, quatro pacientes precisam ser submetidos ao procedimento para que, em um deles, o resultado seja o esperado.

Iniciado em 2017, o estudo angariou quase 200 pacientes em todo o país para realizar os testes do novo procedimento. O DF é a terceira unidade da Federação que mais conseguiu realizar os testes com os pacientes: foram 30 pessoas submetidas ao procedimento de junho de 2018 a janeiro de 2019.

Umas das neurologistas responsáveis pela pesquisa no DF, Letícia Rebello conta que o estudo segue agora para a análise interina. “Todos os pacientes já foram submetidos ao procedimento e agora esperamos a análise dos dados de efetividade para avaliar o procedimento. Caso a gente chegue aos números dos estudos internacionais, será um evento revolucionário no tratamento do AVC isquêmico no Brasil, definitivamente”, acredita.

O procedimento é caro, porque o cateter utilizado e os equipamentos de hemodinâmica custam altos preços no mercado. Mas ainda não há previsão de quanto custaria aos cofres públicos a compra. “Toda a questão financeira será analisada depois, quando o estudo de efetividade for concluído e entregue ao Ministério da Saúde. É lá que eles vão tomar a decisão pela compra e ver os custos”, conta Letícia. 
 
Cateter é utilizado para a retirada de coágulo em vaso sanguíneo no cérebro de paciente(foto: Reprodução)
Cateter é utilizado para a retirada de coágulo em vaso sanguíneo no cérebro de paciente (foto: Reprodução)

Conheça a doença

O Acidente Vascular Cerebral é uma doença crônica não transmissível. Segundo o Ministério da Saúde, ela é adquirida “normalmente por hábitos e formas de se levar a vida (má alimentação, sedentarismo, consumo de álcool, drogas, tabaco etc) e que possui tratamento a médio e longo prazo, podendo persistir, muitas vezes, por toda a vida.”

Existem dois tipos de AVC, o isquêmico e o hemorrágico. O primeiro se dá quando o coágulo entope um dos vasos sanguíneos que levam sangue e oxigênio a parte do cérebro. O segundo, quando um vaso se rompe.

O caso mais comum no Brasil é o isquêmico, com 85% dos casos registrados, segundo o Ministério da Saúde. 

Para a prevenção da doença, neurologistas criaram uma lista com práticas que reduzem a possibilidade de ter AVC. São eles:
  • Não fumar;
  • Não consumir álcool;
  • Não fazer uso de drogas ilícitas;
  • Manter alimentação saudável;
  • Manter o peso ideal;
  • Beber bastante água;
  • Praticar atividades físicas regularmente;
  • Manter a pressão sob controle;
  • Manter a glicose sob controle.
“Acredito que 90% dos casos de AVC podem ser evitados pelas boas práticas da prevenção. Com o novo procedimento que devemos implementar no Brasil, vamos reduzir ainda mais o número de mortes e de pacientes dependentes funcional”, destaca Letícia. 
 
A doença apresenta alguns sintomas que podem ser descobertos pelos pacientes. Quanto mais rápido se descobrir o AVC, maior é a chance de tratamento. Confira os sintomas no quadro abaixo, criado pela Secretaria de Saúde do DF:
 
(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)
 

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