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Correio Braziliense

Mais de 20 pessoas procuraram a polícia após concessionária fechar

Agora, policiais da 8ª DP (SIA) fazem a checagem dos dados para instaurar inquérito. Se somadas as ocorrências registradas desde 2017, serão mais de 40 procedimentos de apuração contra a Wall Multimarcas


postado em 23/01/2019 21:00 / atualizado em 23/01/2019 21:45

Wall Multimarcas decretou falência na terça-feira (22/1)(foto: Wall Multimarcas/Divulgação)
Wall Multimarcas decretou falência na terça-feira (22/1) (foto: Wall Multimarcas/Divulgação)

Mais de 20 pessoas procuraram a Polícia Civil de terça (22/1) para quarta-feira (23) depois de terem conhecimento que a concessionária Wall Multimarcas, na Cidade do Automóvel, fechou as portas. São vítimas que deixaram os carros para serem revendidos pela empresa. Os veículos chegaram a ser comercializados e o dinheiro nunca foi repassado ao dono. Há ainda compradores que adquiriram os veículos na concessionária, pagaram de forma lícita por ele e, agora, não conseguem transferir o Documento Único de Transferência (DOUT) do automóvel para o próprio nome. 

A Polícia Civil avalia que, em ambos os casos, os lesados são vítimas. Agora, investigadores da 8ª Delegacia de Polícia (SIA) fazem a checagem dos casos para analisar a viabilidade de instaurar inquérito policial. Se somadas as ocorrências registradas contra a empresa desde 2017, o delegado-chefe Rodrigo Bonach prevê a instauração de aproximadamente 40 procedimentos de apuração contra a empresa.

Ele explicou que as denúncias começaram no fim de 2017 e, em agosto do ano passado, policiais instauraram o primeiro inquérito. O segundo surgiu em setembro e, até o fim do ano, foram seis procedimentos abertos contra os sócios da concessionária. Eles, inclusive, chegaram a ser indiciados por estelionato e associação criminosa. 
 

Sócios agiam "de forma consciente"

Segundo o investigador, há casos em que os sócios se apropriaram do valor da venda do pagamento do consignado do veículo. “Em outras situações, eles adiavam o pagamento para uma data marcada e isso nunca era feito. Eventualmente os sócios pagavam com muita dificuldade, parcelavam ou quitavam em partes. Mas, em dezenas de outros, os donos não eram pagos”, explicou Rodrigo.

Para o delegado, os sócios agiam de forma consciente. “Eles sabiam que não tinham condições e continuavam captando veículos deliberadamente. Não era só uma questão de problema comercial. Inclusive a empresa já era investigada e culminou, agora, com o pedido de falência e outras várias vítimas apareceram”, ressaltou.

Rodrigo também reforçou que o terceiro comprador do veículo é vítima. “A posse do bem, agora, só pode ser decidida por um juiz. A polícia não tem como determinar isso. Mas o terceiro que comprou o carro de boa fé tem direito de contestar a posse do bem no caso de um estelionato, como se configura”, explicou o delegado.

O investigador ainda detalhou que tem mantido contato com o advogado da concessionária. Na segunda-feira, os sócios também compareceram à delegacia e prestaram depoimento. “Eles disseram que todos os veículos consignados seriam devolvidos aos respectivos proprietários e fariam isso no decorrer da semana, mas vários consignados não foram devolvidos. Os donos também disseram que a empresa não tem mais recurso em caixa”, informou o delegado.

Rodrigo Bonach sugeriu ainda que as vítimas procurem um advogado para adotar medidas judiciais cabíveis. “A orientação é que eles não tentem fazer justiça com as próprias mãos, porque pode acabar sendo pior”, instruiu.

Empresa se manifesta em site

No site da empresa, a Wall Multimarcas informou que, na terça-feira (22/1), ajuizou o pedido de autofalência no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Disse, ainda, que “todos os credores deverão se habilitar ao crédito para recebimento em juízo”.

A empresa ainda detalhou que suspendeu as atividades no mesmo dia em razão do “agravamento da crise econômica que assola o país e, em especial, as atividades desta empresa”. O comunicado explicou que a concessionária passa por “grandes dificuldades financeiras, o que inviabilizou a continuidade de seu funcionamento”.

O texto também detalhou que a loja tentou a continuidade das atividades “para que pudesse adimplir todas as obrigações existentes. Contudo, algumas ações impossibilitaram que as atividades pudessem se sustentar até a quitação de todos os débitos”.

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