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Correio Braziliense

Orquestra Sinfônica toca para pacientes em hospitais públicos do DF

Projeto Concertos da Saúde 2019 levará música clássica a hospitais públicos do DF para ajudar na recuperação de pacientes


postado em 24/01/2019 06:00 / atualizado em 24/01/2019 10:54

Músicos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro se apresentaram no Hospital da Criança (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Músicos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro se apresentaram no Hospital da Criança (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )


Com sorriso no rosto e muita emoção. Foi assim que pacientes receberam o primeiro dia da série Concertos da Saúde 2019, ontem, no Hospital da Criança. A iniciativa, uma parceria entre as secretarias de Cultura e de Saúde com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, pretende levar música clássica às crianças que passam por tratamento de doenças graves e de alta complexidade, como câncer, fibrose cística, doença crônica renal, entre outras.

A ideia do projeto é deixar a leveza e a alegria da música se espalharem pelos ambientes dos hospitais públicos. Assim, além de uma importante ação cultural de incentivo à formação de plateias, a atividade traz benefícios terapêuticos, contribuindo para o bem-estar físico e emocional dos pacientes em tratamento.

O maestro da orquestra brasiliense, Claudio Cohen, acredita que a música tem a força de levar energias positivas, sobretudo, para pessoas que passam por esse momento de dificuldade. “Com certeza, a música ajuda na recuperação de uma pessoa que está doente. Não apenas com atividades de musicoterapia, mas com essas ações de irmos até os hospitais”, disse.

Há três meses, a dona de casa Lunara Apolinário, 29 anos, passou a valorizar ainda mais a música. Desde outubro do ano passado, ele vai quinzenalmente ao Hospital da Criança para levar o filho João Lucas Vasconcelos, 3. A família descobriu que o menino está com leucemia e precisou iniciar o tratamento. Para Lunara, os projetos musicais têm auxiliado na recuperação do pequeno.

“Ele ama ouvir música. E, quando a gente vem para cá, permanece por uma semana. O João fica doido para ir embora, mas se há alguma coisa voltada para música, ele gosta bastante. Ajuda a gente a se distrair, esquecer os problemas”, relatou a dona de casa.

Para a empresária Graciela Alencar, 30, a música ajuda não apenas as crianças que passam pelo tratamento, mas também os pais, que precisam acompanhar todo o processo no hospital. Ela está há três dias na unidade de saúde com a pequena Maria Luiza do Vale, 2, tratando uma desnutrição.

“Eu já tive a oportunidade de ver uma orquestra tocando, mas foi muito rápido. Hoje, pude sentar e aproveitar um pouco mais. Foi muito emocionante. Minha filha ama música e tenho certeza de que isso a ajuda a ficar mais forte. A parte ruim é que tenho uma filha menor, e as músicas me fazem lembrar dela”, conta, emocionada.

 

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )

Pelo vidro

Além de se apresentar na área central do Hospital da Criança, parte da Orquestra Sinfônica passou por ambulatórios e áreas de internação. O intuito era atrair as crianças e fazê-las saírem dos quartos. No entanto, nem todas têm essa liberação. Beatrice, 6, chegou no último sábado à unidade de saúde para tratar uma alteração no fígado. Como ela vinha de um outro hospital, não podia ter contato com as demais pessoas, para evitar transmissão de bactérias, por isso, precisou ver o espetáculo pelo vidro do quarto.

Com os olhos brilhando, a menina assistiu e ouviu tudo com sorriso no rosto. “Ela ama música. Essa ação é fantástica, porque parece que renova a vida da pessoa. Quando vem alguma atração, ela fica mais animada. Eu fico feliz e agradecida às pessoas que fazem esse tipo de trabalho voluntário. A gente vê amor no que eles fazem”, ressalta a mãe de Beatrice, a nutricionista Elisângela Pinheiro, 45.

Do outro lado
A oncologista Andrea Barcellos, 39, atende parte das crianças que sofrem de câncer no hospital. Mas há 28 anos ela esteve do outro lado. Aos 11, descobriu que tinha leucemia e precisou passar pelo tratamento no Hospital de Base. Hoje, pessoas que cuidaram dela lá são colegas de trabalho e lutam diariamente pela recuperação de outros pacientes.

Ela assegura que atividades culturais ajudam na recuperação. “Durante o tratamento, as crianças ficam restritas em casa, com poucas chances de sair. A possibilidade de trazer eventos até elas contribui muito”, garante Andrea.

A auxiliar de serviços gerais Terezinha Bezerra, 50, trabalha no hospital há quatro meses. Para ela, dias com apresentação musical são os melhores. Além de se sentir bem, ela observa a alegria no olhar das crianças. “O ambiente fica mais leve. A gente percebe que as crianças se sentem bem, e isso deixa a gente feliz no trabalho.”

No fim da apresentação, o trombonista Ricardo Pacheco teve o sentimento de gratidão. Ele é de São Paulo. Há oito meses, foi convocado para compor a Orquestra Sinfônica de Brasília e acredita que uma das missões na capital é inspirar as pessoas por meio da música. “O nosso intuito é fazer com que as pessoas tenham olhos para a música clássica. Por mais que no futuro elas não sigam como profissão, é importante que tenham contato com a arte”, reforça.

Além do Hospital da Criança, até 31 de janeiro, o Hospital Sarah e o Hospital das Forças Armadas (HFA) receberão o projeto. De acordo com a Secretaria de Cultura, essa é uma atividade inédita no país e conta com a participação de quatro grupos de câmara. São formados quartetos de cordas (violinos, violoncelo e viola), metais (trombone, trompete e trompas) e sopros (clarinete, fagote flauta e oboé); trios de jazz (contrabaixo, trompete e percussão); e duos de violinos e violoncelos.

Programação

Confira o calendário de apresentações em janeiro do Concertos da Saúde

Quinteto de Sopros
24/1 - Hospital da Criança, das 10h às 12h
25/1 - Hospital Sarah, das 10h às 12h
28/1 - Hospital das Forças Armadas, das 15h às 17h
29/1 - Hospital da Criança, das 10h às 12h
30/1 - Hospital das Forças Armadas, das 15h às 17h
31/1 - Hospital da Criança, das 10h às 12h

Trio de Cordas
24/1 - Hospital da Criança, das 10h às 12h
25/1 - Hospital da Criança, das 10h às 12h
29/1 - Hospital da Criança, das 10h às 12h
30/1 - Hospital Sarah, das 16h às 18h
31/1 - Hospital das Forças Armadas, das 15h às 17h

Metais, percussão e contrabaixo
24/1 a 31/1, exceto fim de semana, no Hospital da Criança, das 10h às 12h

Quinteto de Cordas
24/1 a 31/1, exceto fim de semana, no Hospital da Criança, das 10h às 12h

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