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Correio Braziliense

Sessão extraordinária começa com agressão em frente à Câmara Legislativa

Segundo a Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas participam de ato contra e a favor de mudanças propostas que devem afetar nove unidades de saúde


postado em 24/01/2019 16:39 / atualizado em 24/01/2019 17:58

O enfermeiro Nildo Arantes foi agredido durante uma briga entre manifestantes contrários e a favor do projeto do Executivo(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
O enfermeiro Nildo Arantes foi agredido durante uma briga entre manifestantes contrários e a favor do projeto do Executivo (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Marcada para as 15h, a sessão extraordinária na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para votação do projeto de lei que expande o modelo de gestão do Instituto Hospital de Base (IHBDF) para outras nove unidades de saúde começou com agitação dentro e fora da Casa. Cerca de 2 mil pessoas participam do ato, segundo a Polícia Militar. 

Durante uma briga entre manifestantes contrários e a favor das mudanças propostas no projeto em votação, o enfermeiro Nildo Arantes, 36 anos, foi agredido. A discussão começou próximo ao carro de som pósicionado em frente à CLDF. Um grupo contrário ao projeto teria feito provocações, houve um princípio de empurra-empurra e, depois, cerca de sete pessoas perseguiram outras duas pelo estacionamento. Um deles conseguiu fugir, mas Nildo parou para bater boca. "A PM não agiu durante a agressão", reclamou antes de deixar o local.

 

Duas pessoas chegaram a fazer provocações da janela da Câmara, mostrando crachás e fazendo gestos de "não" com as mãos. Os manifestantes responderam com vaias. Enquanto isso, o grupo favorável ao projeto reclamou dos opositores e relatou ter ouvido xingamentos dos adversários, além de ter sido agredido com garrafas e copos de água arremessados.

 

Moradora do Riacho Fundo 1, Sheila Morais, 37 anos, ficou sabendo da manifestação pelas mídias sociais. "(Em frente à Câmara) Eles nos xingaram, fizeram gestos obscenos e jogaram garrafas. Eu repudio esses atos", disse. "Sou a favor da privatização porque fiquei seis meses internada no Hospital de Base, antes da criação do Instituto, e faltavam medicamentos, álcool, lençol e gazes. O atendimento era muito ruim", completou.

 

Ver galeria . 41 Fotos Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )

 

Ofensas

 

Poucos minutos antes de começar a votação, uma confusão tomou conta do ato. Um carro de som com apoiadores do governador Ibaneis Rocha (MDB) se posicionou frente ao carro dos sindicalistas da saúde e os insultos ganharam as vozes dos manifestantes. Entre xingamentos como “vendidos” e “prostitutos”, o pequeno grupo de defesa do governo foi acertado com copos plásticos e retribuiu as agressões. A Polícia Militar não precisou intervir, pois o carro se afastou.

Por volta de 16h, diversas pessoas tentaram entrar na Casa para assistir de perto à sessão. No entanto, apenas participantes que fizeram solicitação prévia tiveram o nome incluído na lista de autorizações. Ao todo, 226 integrantes da sociedade civil, entre líderes de sindicatos e comissionados do governo, acompanham a votação dentro do Plenário, além de mais de 90 profissionais da imprensa.

Posicionamentos


Durante pronunciamento, Fábio Felix (PSol) lamentou que essa seja a primeira oportunidade de se posicionar como distrital e relembrou a promessa feita pelo governador de que iria "processar cada deputado que não aprovasse o projeto". "Não se muda uma estrutura sem debate. O governador passou grande parte do período eleitoral sendo contrário à gestão do Instituto Hospital de Base. Como servidor do DF, não vou votar para privatizar os serviços públicos", afirmou.

O distrital Leandro Grass (Rede) também faz parte da maioria dos parlamentares contrários às mudanças propostas. Ele classificou a preferência pela implementação do modelo em outras unidades de saúde como incoerente. "Onde está a diminuição de despesas e (o aumento da) eficiência? Isso é um projeto para saquear os cofres públicos; por isso, somos contra. Não vai melhorar nada na Saúde do DF. O próprio governador ganhou muitos votos dizendo que iria detonar o Instituto Hospital de Base. Que historia é essa? Cade a coerência? Por que tudo isso?", questionou.

Presidente da Comissão de Educação Saúde e Cultura (Cesc) e relator da proposta, o deputado Jorge Vianna (Podemos) apresentou parecer pela rejeição da matéria (Projeto de Lei nº 01/2019). Ele argumentou que o modelo não foi debatido com sindicatos, servidores, nem com usuários do IHBDF e alegou que há insegurança jurídica quanto à ampliação do modelo, que, segundo ele, é questionado em diversos processos. "O modelo apresenta muita insegurança jurídica capaz de prejudicar os servidores estatutários, os empregados do instituto, dos fornecedores e dos gestores", ressaltou no documento.


* Estagiários sob supervisão de Mariana Niederauer 

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