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Correio Braziliense

Morte de corujas por envenenamento preocupa moradores do Sudoeste

"Há 10 dias mataram quatro corujas e colocaram pedra em cima das tocas", relata Ivana Lacerda, líder comunitária da região


postado em 25/01/2019 16:35 / atualizado em 25/01/2019 16:47

Ivana se reuniu com os moradores para colocar placas de sinalização nas vias (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
Ivana se reuniu com os moradores para colocar placas de sinalização nas vias (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
 
A morte de corujas tem preocupando moradores do Sudeste. Desde o início do mês, as aves são envenenadas na região, tanto na área de preservação do Parque Ecológico Sucupira como na Avenida das Jaqueiras. A ocorrência foi registrada na 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro Velho) e na Polícia Ambiental. 

Mesmo com lembretes para conscientizar as pessoas, a técnica de segurança e líder comunitária dos moradores da QRSW, Ivana Lacerda, 52 anos, afirma que ainda há casos de maus-tratos. "Há 10 dias, mataram quatro corujas e colocaram pedra em cima das tocas. Agora, só restou um adulto e um filhote", afirma. Segundo Ivana, há câmeras na região, mas não funcionam. "A polícia vem aqui, faz rondas, mas a gente precisa que as câmeras funcionem", reclama.
 
O 7º Batalhão de Polícia Militar é responsável por operacionalizar as imagens, ou seja, monitorar o local quando as câmeras estiverem funcionando. Com os equipamentos fora de operação, portanto, não conseguem fazer a checagem.
 
Ainda de acordo com Ivana, os moradores da quadra convivem com as corujas há muito tempo. Além de proteger os animais, a preocupação da líder é com a segurança e a saúde dos moradores. "As corujas são predadoras de escorpiões e elas ajudam no combate de pragas", ressalta.
 
Bastante apegado às aves, o higienizador automotivo Tom Jonnhs, 43, presenciou duas cenas tristes. “No dia 12, encontrei uma com a perna quebrada e, um tempo depois, duas agonizando”, lamentou. Tom trabalha alguns anos no Sudoeste e relembra momentos bons com as corujas. “Elas sempre conviviam comigo, ficavam na cadeiras, eu colocava água para elas. Aí, de repente, acontece uma fatalidade dessas.” Ele afirma que as corujas eram dóceis, mas, quando se sentiam ameaçadas, voavam próximo às pessoas para proteger os filhotes.  

O comandante do Batalhão da Polícia Militar Ambiental, Major Souza Júnior, diz que está acompanhando o caso para identificar o autor dos atos criminosos. A população pode ajudar com denúncias anônimas, pelo búmero 99351-5736. A pena para o crime, determinada na Lei nº 9.605/98, é de seis meses a um ano de prisão e uma multa de até R$ 5 mil. 

Após as mortes, as tocas estão vazias. As que estão vivas, fugiram para outro lugar (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
Após as mortes, as tocas estão vazias. As que estão vivas, fugiram para outro lugar (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
 
 

Instalação de novas câmeras 

 
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) informou que está em fase de assinatura contrato de instalação de novas 550 câmeras de videomonitoramento. Os equipamentos serão instalados até o fim deste ano em todas as regiões administrativas. O contrato prevê ainda a manutenção de equipamentos já instalados em várias regiões do Distrito Federal. 

Atualmente, 444 câmeras estão em funcionamento em pontos estratégicos do DF. As imagens são transmitidas ao Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), que monitora a cidade e identifica suspeitos de crimes. As câmeras também auxiliam nas investigações policiais e em situações de acidente de trânsito. Os locais escolhidos para a instalação dos equipamentos seguem, principalmente, as manchas criminais, que mostram os dias, horários e locais de maior incidência dos crimes.
 
* Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer 

 

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