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Correio Braziliense

Secretário de Trabalho projeta maior criação de vagas a partir de março

Otimistas em relação a 2019, especialistas e o secretário do Trabalho do DF afirmam que os empregos vão começar a surgir em maior quantidade após o carnaval. A capital do país tem ao menos 310 mil pessoas desocupadas


postado em 26/01/2019 07:00

"Estou aceitando qualquer coisa", afirma Moisés da Cruz Vieira, especializado em tecnologia da informação (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O desemprego atinge cerca de 10% da população ativa do Distrito Federal. São 310 mil pessoas. Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), da Companhia de Planejamento (Codeplan), de novembro do ano passado. No mesmo período de 2017, havia 300 mil pessoas desempregadas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta um percentual de desempregados no DF ainda maior, em novembro: 12,6%. A taxa nacional era de 11,9%.

Especialistas e o secretário do Trabalho do DF, João Pedro Ferraz (leia Três perguntas para),  culpam, além da crise econômica, a falta de qualificação e o ano eleitoral. Mas eles estão otimistas para 2019. Falam que é grande a confiança dos empresários na retomada do crescimento econômico, principalmente em função das reformas anunciadas pelo Governo Federal. Acreditam que as vagas de emprego começam a surgir, em maior número, a partir de março.

A taxa de desemprego no Brasil recuou para 11,6% em novembro, segundo o IBGE. A queda foi influenciada mais uma vez pelo crescimento do trabalho informal e dos brasileiros que atuam por conta própria. Na pesquisa de outubro, a desocupação no país era de 11,7%. Um ano antes, a desocupação era de 12%. O desemprego atingia 12,2 milhões de brasileiros

Especialista em gestão de pessoas do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), Débora Barem diz que as vagas de emprego só vão aparecer com um crescimento econômico. “O cenário melhorou, mas podemos observar que, no Natal, não tivemos grandes contratações, igual aos anos anteriores”, comenta Barem.

Mas ela não tem dúvida de que 2019 será um ano positivo para o mercado. “Geralmente, os empresários esperam passar esse período de fim de ano e carnaval e começam a empregar em seguida, com um cenário mais consolidado”, ressalta a especialista. Ela aconselha os candidatos a vagas a começarem um inventário pessoal das áreas de interesse e se preparar para disputar um espaço no mercado.

Débora Barem diz ser fundamental estabelecer uma linha de interesse e se especializar nela. “O ideal é focar em três aspectos: conhecimento, habilidade e atitude. É necessário que se faça inventário de competência, analisando característica próprias e as apresentando para o empregador. Isso vale para todas as áreas de trabalho”,observa.


Procura


“A pior parte de estar sem emprego é porque a gente fica com a certeza de que nossos sonhos não vão se realizar”, lamenta Moisés da Cruz Vieira, 31 anos, desempregado há dois. Ele tem especialização em tecnologia da informação, mas desistiu de conseguir um emprego na área. “Estou aceitando qualquer coisa. Tenho experiência como operador de caixa e agente de portaria. Só de pensar nessa situação, me dá vontade de chorar”, diz.

Moisés mora com a filha, de 4 anos, a mulher, três cunhados e a sogra, em uma casa em Santa Maria. Para sobreviver, ele conta com a ajuda dos pais. “Eu trabalhava no setor da tecnologia, mas perdi o emprego em 2016. Desde então, perdi as contas das vezes em que vim à Agência do trabalhador”, conta. Diariamente, ele percorre as ruas do Plano Piloto para entregar currículos em comércios e empresas.

Aos 50 anos, Shirley Martins está desempregada desde 2017. Ela mora em um apartamento de um quarto com a filha de 16 anos, em Taguatinga, e se esforça mensalmente para conseguir arcar com as contas da casa e o aluguel. “Tento conseguir alguns bicos, como diárias, mas sempre é uma dificuldade. Conto com a ajuda dos meus irmãos e da minha filha, que é menor aprendiz”, relata.

Até 2009, Shirley trabalhava com a venda de salgados em casa. Em 2010, conseguiu emprego como salgadeira no Tribunal de Justiça do DF, onde ficou até 2017. À época, o filho dela, de 25 anos, contraiu meningite e morreu. “Entrei em depressão e saí do emprego. Após a minha separação, há 10 anos, ele passou a me ajudar em tudo. Era um pilar dentro de casa”, se emociona. Hoje, Shirley carrega o nome do caçula tatuado no braço e tenta outra chance no mercado de trabalho. “Aceito trabalhar de qualquer coisa, só quero que as coisas melhorem na minha vida”, desabafa.


Três perguntas para João Pedro Ferraz, secretário do Trabalho do DF


Quais são os planos do novo governo para diminuir o desemprego no DF? 

Vamos eliminar a burocracia naquilo que diz respeito ao setor produtivo e conceder alvarás com rapidez. Além disso, vamos investir no setor de serviços e da construção civil, que é o que mais emprega. Essas são medidas a curto prazo, no futuro, pretendemos criar um polo de livre comércio.


Quais canais o GDF oferece para o cidadão desempregado?

Temos 17 Agências do Trabalhador. Hoje, por exemplo, temos mais de 300 vagas para as mais diversas atividades. O que pretendemos fazer é tornar mais eficiente o serviço de divulgação de vagas e dar mais credibilidade para as agências, no que se diz respeito às intermediações de mão de obra.


Quais fatores impulsionam o desemprego no DF?

A crise econômica e a incerteza no mercado. Passamos por um ano de eleição, ninguém sabia que rumo a economia ia tomar e todo mundo colocou o pé no freio. Mas, agora, o panorama está mais claro, tanto no que diz respeito à implementação das novas reformas trabalhistas formais quanto aos rumos da economia.
 
 

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